Por infortúnio meu, não da virtude, esse tema tratou-o sibilinamente o divino Marquês de Sade, sim, uma maleita na vista esquerda impediu-me de dar a merecida atenção ao domingo a antecipar o Entrudo, que segundo o exímio alfaiate senhor Narciso, natural de Mação e deveras conhecido em Lisboa, no Carnaval não significava nada parecer mal agitando o livro dos calos/calotes de figurões de elevado coturno, sim o da festança gastronómica dominical.
Isolado na Torre, não da Barbela (leiam o livro) sim da residência, pedi à minha mulher o favor de preparar/assar um azedo e uma chouriça de carne de porco Bísaro. Desta forma iria recordar as pitanças consumidas rituais em alegres convivialidades numa ridente aldeia do concelho de Vinhais afamada pela qualidade dos enchidos e não pelo facto de três dos seus filhos terem sido ao mesmo tempo deputados na Assembleia da República.
Mas outra contrariedade veio ensombrar o ágape, os azedos tinham-se esfumado ante o seu guloso engodo. O azedo é um preparo culinário de pão trigo e filamentos porcinos reduzidos a massa homogénea temperada com alho, azeite, hortelã e vinagre ensacada em tripa larga que é fumada e depois de bem seca é assada e servida ao gosto de cada qual. Iguaria untuosa outrora servida na quadra carnavalesca e dias nomeados invernais.
Gorado o intento apreciei alheiras brigantinas bem torradas com ovos estrelados, grelos e rodelas da dita chouriça de carne e viva o velho!
O Domingo Gordo não teve o mimoso azedo, os ossos de suã, as cascas (vagens secas de feijão trepador) previamente demolhadas aspergidas com um fio de bom azeite, porém, o Domingo amigo das carnes do melhor amigo do Homem (come-se da ponta do focinho ao rabo) rememorei-o prazenteiramente, apesar dos tropeções visuais.
