Não sei se o leitor num restaurante já negou ao apetite degustar determinada iguaria porque a peça de carne, de uma ave de capoeira, de caça, ou ainda de um peixe grande se apresentam tal qual são em termos de estrutura.

Porque as pessoas já não vivem na Idade da Pedra, ao longo dos séculos aprenderam a trabalharem culinariamente tais peças pelo que as mesmas são objecto de desossamento total ou em parte possibilitando a confecção de receitas exaltantes da qualidade do preparo.

O desossamento exige uma faca apropriada e quem proceda a tal tarefa ser profundo conhecedor da anatomia da peça ou peixe a desossar.

A maioria dos leitores já teve a desgraça de registar más experiências porque a perdiz ou o mero não foram objecto de bom desossamento apesar das recomendações exaradas a tempo e horas. Infelizmente no meu bornal de más memórias avultam inúmeras aves estropiadas na desossa. Os gastrónomos sofrem. E muito!

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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