Carnes desfiadas. Foto: DR

Podemos fazer a pergunta: qual a relação existente entre o feijão-verde, as aves e suas asas, carnes vermelhas, alhos-porros e amêndoas? A resposta será: podem desfiar-se.

E, essa particularidade nas artes culinárias dá azo à criação de pratos das diversas cozinhas em geral e, obviamente, da portuguesa contemporânea pós-25 de Abril, a qual recebeu e bem as incorporações trazidas das antigas colónias por os denominados retornados, pensemos nas churrasqueiras, sem esquecer os hambúrgueres, as chamuças, os caris, os tacos numa demonstração de cosmopolitismo gastronómico levado à generalidade do País em resultado da pandemia o sistema TakeAway.

As aves desfiadas, as sopas de alho-porro desfiado na longitudinal, as amêndoas laminadas finamente também se enquadram no conceito de desfiar que um famoso cozinheiro francês do século XIX dizia fazer em meadas.

Como sabemos as palavras vão ganhando novas conotações e hoje vemos e ouvimos desfiar vidas, casos de toda a ordem no e do nosso quotidiano, e até se desfia ao ínfimo pormenor os desejos e birras do Ronaldo, para lá das ridículas farroncas de Pedro Abrunhosa que algumas pessoas dizem ser cantor. Estamos na estação tonta!

Armando Fernandes

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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