Mil opções de servir iogurte

Julgo não errar se escrever que o iogurte entrou no Nordeste Transmontano, na qualidade de produto medicinal, nos anos cinquenta do século passado. Era considerado elixir para regularizar a flora intestinal e tal classificação estava certa. O que já não estava certo era o facto de aquelas gentes terem vivido no desconhecimento de que o leite fermentado vindo dos Balcãs era a base famoso o iogurte da Bulgária, Turquia e Grécia.

Muitos especialistas asseguram ser produto essencial para o aumento da longevidade, outros veem na fermentação láctea o facto de ser de fácil digestão, leve e ligeiramente ácido. Hoje banalizou-se o seu consumo debaixo de múltiplas formas e sabores de modo a atingir todos os estratos populacionais.

Sem exagero podemos considerar mil opções de servir o iogurte, seja como base de saladas refrescantes, seja como acompanhamento de peixes e carnes de várias tonalidades, passando pela sua junção a frutas verdes e secas, ao mel, ainda na pastelaria e preparação de bebidas.

Se muitos macrobióticos apontam o iogurte por ser o responsável da sua provecta idade, serem evidentes os benefícios que introduz nos organismos, compete-nos alcançar a criatividade no campo culinário especialmente nestes dias de altas temperaturas. Como se faz? Fazendo tantas experimentações quantas nos der na real gana, a cobrir saladas, a misturar com aipo e pimenta, a conceder frescura e suavizar fruta muito madura, a barrar pães de todas as proveniências, a enlaçar com passas e outras frutas secas. Custará assim tanto? Tanto quanto custa a referida experimentação.

 

Aqui há uns anos, estando na Tailândia, degustei pela primeira vez iogurte de leite de búfala. Tem uma consistência e sabor de maior acutilância, o meu palato ficou freguês e, por isso, sempre que tenho a possibilidade de repetir (o que por cá não é fácil), faço-o gulosamente, embora não imite um grego aportuguesado capaz de ingurgitar uma enorme quantidade, tendo o cuidado de o acrescentar metendo no “balde” amêndoas e ameixas secas. O homem é corpulento, no seu parecer o iogurte é o principal responsável.

Todos os dias um iogurte entra na minha dieta alimentar, no entanto, não desdenho repetir a dose se a mesma é recheio, acompanhamento ou enfeite de composições culinárias atiladas, logo bem construídas. Caro leitor: não sou sócio ou acionista de nenhuma fábrica de iogurtes, nem de um qualquer engenho artesanal, porém entendo ser meu dever recomendar um produto de imensa virtude para o organismo.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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