Teste de antigénio para detectar infecção pelo SARS-CoV-2 Créditos: Unsplash

Nas últimas 24 horas foram notificadas 43.729 novas infeções pelo SARS-CoV-2, o maior número de contágios desde o início da pandemia, revelam os dados da Direção-Geral de Saúde.

Na região do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo foi mais um dia difícil, com 665 casos. O maior número de infeções registou-se em Ourém (160), seguindo-se Tomar (140), Torres Novas (137) e Abrantes (90).

Segundo a análise semanal do mediotejo.net, publicada no passado domingo à noite, esta é a semana em que poderá ser ultrapassado na região o pico da pandemia, verificando-se nos últimos dias um “planalto” no gráfico que regista o crescimento de casos. 

A nível nacional estão agora internadas 1.955 pessoas (mais 17) infetadas com o vírus SARS-CoV-2 em enfermaria, dos quais 160 (menos 14) em unidades de cuidados intensivos. Apesar do número de internamentos ter voltado hoje a aumentar, continua a ser significativamente mais baixo do que o registado há um ano, quando estavam internadas 5.165 pessoas em enfermaria, dos quais 664 em cuidados intensivos, bem como o número de mortes que, no mesmo dia de 2021, contabilizava 167 óbitos. Hoje registaram-se 46 mortes, o número mais elevado em 11 meses.

O maior número de novas infeções registou-se na região Norte (18.116) e em Lisboa e Vale do Tejo (13.987). A região Centro assinalou desde segunda-feira mais 6.339 novos contágios, a Região Autónoma da Madeira 2.117, o Alentejo (1.394), o Algarve (1.160) e os Açores (616).

O maior número de novos contágios situa-se no grupo etário entre os 40 e os 49 anos (7.798), seguido da faixa etária dos 0 e aos 9 anos (7.759), dos 30 aos 39 anos (6.723), dos 10 aos 19 anos (6.417).

Já morreram em Portugal 19.380 pessoas com covid-19 e foram confirmadas 1.950.620 infeções com o vírus que provoca a doença, estando neste momento ativos 332.786 casos (mais 1.628 do que na véspera). Em relação ao dia anterior, as autoridades de saúde têm mais 23.793 contactos em vigilância, totalizando 324.954 pessoas.

Detetada outra linhagem de Ómicron em Portugal

A variante Ómicron do coronavírus SARS-CoV-2 é responsável por 93% das infeções em Portugal e uma outra linhagem foi detetada com características genéticas semelhantes, anunciou hoje o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

“Desde 6 de dezembro, tem-se verificado um elevado crescimento na proporção de casos prováveis da variante Ómicron, tendo atingido uma proporção estimada máxima (93%) entre os dias 7-9 de janeiro”, refere o relatório do INSA sobre a diversidade genética do SARS-CoV-2, que provoca a covid-19.

Segundo o documento, aquando da identificação da Ómicron (BA.1) em meados de novembro de 2021, foi detetada uma outra linhagem (BA.2) com várias características genéticas semelhantes entre si e que apresentam um “excesso” de mutações na proteína `spike´, muitas delas partilhadas.

De acordo com o INSA, a linhagem BA.2 já foi detetada em vários países, destacando-se a sua crescente proporção entre as sequências genómicas reportadas recentemente pelo Reino Unido e Dinamarca.

A monitorização em tempo-real da falha na deteção do gene S (SGTF – S gene target failure) é um dos critérios laboratoriais utilizados para identificar casos suspeitos de variante Ómicron.

Tendo em conta o decréscimo de cerca de 10% na proporção de amostras positivas SGTF na última semana em Portugal e a “recente emergência da linhagem BA.2” em vários países, o INSA solicitou ao laboratório Unilabs a pesquisa dirigida de mutações num conjunto de amostras positivas sem perfil SGTF que tinham sido identificadas naquele laboratório.

“Estes ensaios preliminares revelaram perfis mutacionais compatíveis com a linhagem BA.2, sugerindo que o decréscimo na proporção de amostras positivas SGTF poderá dever-se, pelo menos parcialmente, a um aumento de circulação desta linhagem em Portugal”, avança o relatório.

A linhagem BA.2 foi já detetada em amostragens aleatórias por sequenciação de 27 de dezembro a 2 de janeiro, representando pelo menos uma introdução no Algarve.

“Os próximos dias permitirão aferir a evolução da frequência relativa da linhagem BA.2 em Portugal, bem como a sua dispersão por região”, refere ainda o INSA.

No âmbito da monitorização contínua da diversidade genética do SARS-CoV-2 que o INSA realiza, têm sido analisadas uma média de 519 sequências por semana desde o início de junho de 2021, provenientes de amostras colhidas aleatoriamente em laboratórios distribuídos pelos 18 distritos de Portugal continental e pelas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, abrangendo uma média de 132 concelhos por semana.

*Com Lusa

Patrícia Fonseca

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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