Cerimónia de reabertura do Cineteatro Municipal de Constância. Créditos: Ricardo Escada/mediotejo.net

Quatro anos passados desde o processo de justificação (usucapião), que permitiu ao Município de Constância avançar com uma candidatura para a reabilitação do edifício, a vila e o concelho voltam a ter sala de espetáculos para cinema, teatro ou eventos de pequena dimensão.

“Hoje é um dia de festa para a nossa terra e que a todos nos deve deixar orgulhosos. A entrada em funcionamento deste espaço irá permitir diversificar a oferta cultural e aprofundar a mesma”, afirmou o presidente da Câmara Municipal, Sérgio Oliveira, durante a sua intervenção na cerimónia de reabertura do Cineteatro Municipal de Constância.

O equipamento começou a mostrar “fragilidades” em 2009, após uma vistoria do IGAP – Instituto de Gestão e Administração Pública, “em que foram apontadas um conjunto de anomalias”, recordou . “Daí até à presente empreitada foram sendo aplicados paliativos para que o equipamento pudesse funcionar de forma pontual”, acrescentou Sérgio Oliveira.

A sala reabriu ao público esta sexta-feira, 22 de julho, ainda que não conte com um cartaz para o verão: estão alguns espetáculos pontuais, designadamente uma noite de fados em setembro ou a antestreia do filme ‘Por Quem os Sinos Tocam’, que teve lugar ontem à noite, avançou o presidente aos jornalistas, explicando que a programação será definida a pensar no outono e no inverno.

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Apesar de estar a funcionar como Cineteatro Municipal desde o início dos anos 1990, o edifício não estava registado até 2018 em nome do Município e daí o processo de justificação. Este investimento na requalificação do equipamento rondou os 215 mil euros, com uma comparticipação de fundos comunitários de 137 mil euros, sendo o restante valor assegurado pelo orçamento municipal.

Após o descerramento da placa alusiva à requalificação deste equipamento cultural pelo presidente da Câmara Municipal e pelo presidente da Assembleia Municipal de Constância, Sérgio Oliveira afirmou ser este “mais um passo importante” na afirmação do concelho “como uma terra de Cultura”.

ÁUDIO | Discurso do presidente da Câmara Municipal de Constância, Sérgio Oliveira

As intervenções centraram-se não só na remodelação como na modernização, incluindo “caixilharias, tetos falsos, chão e cadeiras, alcatifas, sanitários para pessoas com mobilidade reduzida e pintura interior e exterior”, bem como “impermeabilização do lago, pinturas dos muros, lavagem da calçada bem como o arranjo do terraço exterior de forma a evitar infiltrações no piso”, indicou o autarca.

O presidente da Câmara, Sérgio Oliveira, durante a reabertura do Cineteatro Municipal de Constância. Créditos: Ricardo Escada/mediotejo.net

Em termos internos e funcionais, pretendeu-se dar cumprimento à legislação em vigor respeitante às acessibilidades e demais melhoramentos relativos à segurança contra incêndios nomeadamente “aplicação de nova sinalética, aplicação de cortinas anti fogo, colocação de portas anti fogo, aplicação de materiais que melhorassem a acústica do espaço, bem como pela criação de corredores amplos e desimpedidos”, esclareceu.

Mas para Sérgio Oliveira, este foi um processo que “nasceu torto” e se fosse hoje “não seria conduzido da forma como foi. Do início da empreitada até ao dia de hoje passou muito tempo”, reconheceu, assumindo “por inteiro” a responsabilidade do processo.

Lembrou, no entanto, que quando o Partido Socialista iniciou funções de liderança na Câmara, em 2017, “o projeto do Cineteatro estava feito, apenas fizemos uma pequena alteração: desistimos de fazer um telheiro exterior e canalizámos esse valor para arranjos que eram necessários fazer no interior da sala”, explicou.

Reabertura do Cineteatro Municipal de Constância. Créditos: Ricardo Escada/mediotejo.net

Disse que o projeto “previa apenas mexer no espaço interior, mas também aqui não era a 100%. Não contemplava a pintura exterior do edifício, nem dos muros nem dos muretes, nem a impermeabilização do lago, nem contemplava projeto de vídeo, luz e som”. Admitiu que o atual executivo deveria ter “reformulado” o projeto “na íntegra” de forma “a incluir não só o interior da sala como o arranjo exterior, o som, as luzes e o vídeo”.

Deu ainda conta de “alguns atrasos com o empreiteiro” e na vistoria final, a Autoridade Nacional de proteção Civil fez “exigências que não constavam inicialmente”.

Sérgio Oliveira avançou que o projeto de som, luz e vídeo “está feito” e será candidatado ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e financiado a 100%, ou seja, um investimento de 127 mil euros. O que, no total, perfaz uma obra de requalificação com valor superior a 300 mil euros.

O presidente notou também que “hoje as populações, na hora de escolher onde querem fixar residência, levam em linha de conta a oferta cultural existente”, embora, como referiu, Constância está “longe de conseguir ter uma oferta igual aos grandes centros urbanos”, em parte “por falta de uma efetiva política cultural de âmbito nacional que descentralize meios e recursos”. Contudo, para Sérgio Oliveira “isso não deve esmorecer ou fazer-nos desistir de aprofundar a Cultura nos nossos territórios”.

Reabertura do Cineteatro Municipal de Constância. Créditos: Ricardo Escada/mediotejo.net

Questionado sobre se o executivo equaciona a possibilidade de construção no futuro de uma sala maior, com capacidade de maior número de espectadores, uma vez , uma vez que esta sala comporta somente 100 lugares, Sérgio Oliveira foi peremptório. “Não! Esta sala responde às necessidades do concelho. Para eventos de maior dimensão existe o auditório do Centro de Ciência Viva” de Constância.

A cerimónia de reabertura do Cineteatro Municipal de Constância contou, para além de antigos presidentes de Câmara, com os atuais presidentes de Junta do concelho e vereação, com diversas entidades civis, militares e religiosas, entre os convidados. Contou logo de seguida com o primeiro evento, após a cerimónia de reabertura: a apresentação do livro “Pana Paná”, com fim solidário, escrito pelos alunos do Agrupamento de Escolas de Constância, cuja receita da venda reverte a favor da Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro.

Às 21h30 foi exibido, em antestreia nacional, o filme “Por quem os Sinos tocam”, centrado na história da família Elias, de Constância, e da aventura épica que viveram para construir o maior carrilhão itinerante do mundo, o Lvsitanvs.

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A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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1 Comment

  1. Ao fim de 4 anos temos, finalmente, a reabertura da sala do Cine-teatro. O projecto foi alterado e, pelo que diz o Presidente, devia ter tido ainda mais alterações. Lamento que ao fim de todo este tempo a sala que dá por nome Cine-teatro seja reaberta sem equipamento de som e de projeção. Dadas as as actuais limitações justifica-se, certamente, a alteração do nome deste equipamento.

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