A Tupperware vai continuar a laborar. A garantia foi dada pela administração da fábrica ao presidente da Câmara Municipal de Constância. Questionado pelo nosso jornal à margem da última reunião de executivo, Sérgio Oliveira informou da rescisão com nove trabalhadores, dos 231 efetivos, mas também deu conta do aumento do número de encomendas.
A Tupperware Portugal, a funcionar há 42 anos em Constância, dispensou em setembro todos os trabalhadores temporários – cerca de 100 pessoas – e iniciou em novembro um processo de rescisão amigável com trabalhadores efetivos, confirmou a direção de Recursos Humanos da empresa ao mediotejo.net.
Uma situação considerada “inevitável” pela administração da empresa, face à “quebra muito acentuada” de encomendas verificada em 2022, sobretudo no último semestre.
Aquando do início das rescisões, Manuel Pacheco, diretor dos Recursos Humanos da fábrica da Tupperware em Portugal, explicou ao nosso jornal não haver praticamente encomendas desde abril. “Temos 34 máquinas e nalguns dias só 2 ou 3 é que estão a funcionar…”, adianta, revelando que, neste momento, para satisfazer as encomendas do mercado europeu, bastaria ter uma das três fábricas abertas.
No entanto, ao presidente da Câmara foi dada a novidade de haver presentemente “aumento de encomendas” e que “a fábrica é para continuar a laborar”.
A Tupperware iniciou um processo de refundação total há dois anos, passando a fazer vendas online e em supermercados para chegar às gerações mais novas (e ultrapassar as limitações impostas às vendas em casa com a pandemia de covid-19). Paralelamente procurou recuperar a confiança dos consumidores no seu plástico de grande qualidade, com um “selo” ecológico. Contudo, num cenário de crise económica mundial e de inflação galopante na Europa, as vendas caíram a pique em 2022.
A multinacional Tupperware, tem em Portugal, concretamente em Montalvo, a maior das três unidade de produção existentes na Europa, as outras duas funcionam na Grécia e na Bélgica.
Os prejuízos da gigante norte-americana fizeram soar as sirenes em Wall Street no final do outubro: no dia em que a empresa apresentou os resultados do 3º trimestre, as ações na Bolsa de Nova Iorque caíram 45% e a imprensa da especialidade começou a falar na hipótese de falência. Com prejuízos acumulados superiores a 700 milhões de dólares, e face aos maus resultados deste ano, o futuro dirá se a empresa vai conseguir cumprir com os seus compromissos de crédito.
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