Fábrica da Tupperware, em Constância. Créditos: DR

A fábrica da multinacional Tupperware em Montalvo, no concelho de Constância, iniciou no dia 3 de novembro um processo de rescisão de contratos, confirmou a direção de Recursos Humanos da empresa ao mediotejo.net.

Depois de em setembro terem sido dispensados todos os trabalhadores temporários – cerca de 100 pessoas –, a empresa pretende agora rescindir contrato com 8 funcionários, dos 231 que ali estão efetivos. Uma situação considerada “inevitável” pela administração da empresa, face à “quebra muito acentuada” de encomendas verificada este ano, sobretudo no último semestre.

Em outubro já tinham sido marcados dias de férias extra pela empresa (de forma unilateral, para haver menos pessoal a trabalhar), e as equipas de produção foram avisadas da possibilidade de começarem a ser implementadas “semanas mais curtas”, de três ou quatro dias de trabalho.

“Não temos praticamente encomendas desde abril”, explica Manuel Pacheco, diretor de Recursos Humanos da fábrica da Tupperware em Portugal – a maior das três unidade de produção existentes na Europa (as outras duas funcionam na Grécia e na Bélgica). “Temos 34 máquinas e nalguns dias só 2 ou 3 é que estão a funcionar…”, adianta, revelando que, neste momento, para satisfazer as encomendas do mercado europeu, bastaria ter uma das três fábricas abertas.

A multinacional americana tem uma fábrica em Portugal, no concelho de Constância, há 42 anos. Créditos: Tupperware

Depois de um período de quebra nas vendas durante a pandemia de covid-19 (e com a unidade de Montalvo a entrar em lay-off durante um mês e meio), em 2021 a empresa alcançou resultados muito positivos.

Contudo, o comportamento dos consumidores inverteu-se em 2022, a nível mundial, e os prejuízos acumulados da Tupperware fizeram soar as sirenes em Wall Street no final do outubro: no dia em que a empresa apresentou os resultados do 3º trimestre, as ações na Bolsa de Nova Iorque caíram 45% e a imprensa da especialidade começou a falar na hipótese de falência.

Com prejuízos acumulados superiores a 700 milhões de dólares, e face aos maus resultados deste ano, a gigante norte-americana poderá não conseguir cumprir com os seus compromissos de crédito.

No dia em que a Tupperware apresentou os (maus) resultados do 3º trimestre de 2022, as ações na Bolsa de Nova Iorque caíram 45% e a imprensa da especialidade começou a falar na hipótese de falência

A Tupperware iniciou um processo de refundação total há dois anos, passando a fazer vendas online e em supermercados para chegar às gerações mais novas (e ultrapassar as limitações impostas às vendas em casa com a pandemia de covid-19), procurando em simultâneo recuperar a confiança dos consumidores no seu plástico de grande qualidade, com um “selo” ecológico. Contudo, num cenário de crise económica mundial e de inflação galopante na Europa, as vendas caíram a pique em 2022.

Até ao final deste ano, a ordem é para diminuir inventário – é urgente conseguir liquidez. Os cortes na estrutura de pessoal serão, no caso da fábrica portuguesa, limitados a 8 trabalhadores, em processo de rescisão amigável, garante ao mediotejo.net o diretor de Recursos Humanos.

Quanto a 2023, está tudo em aberto. Será decididamente um ano “muito difícil”, antevê Manuel Pacheco.

A funcionar há 42 anos em Constância, a Tupperware – Indústria Lusitana de Artigos Domésticos, Lda. tem o seu destino nas mãos da casa-mãe americana.

Patrícia Fonseca

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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10 Comentários

  1. BOM DIA !!!
    Gosto Muito dos Produtos dessa Marca.
    Tenho alguns dessa Marca, Muito Bons, que duram Muito.
    Sou natural dessa Zona do Ribetejo, e conheço a Zona…..
    Que venham Melhores DIAS ……

  2. Em Portugal nunca se vendeu tanto Tupperware como em 2020/2021.
    Com a entrada das redes sociais da força de vendas, nas redes On line, a divulgação foi maior. Falo com conhecimento de causa, pois estou na força de vendas tupperware á mais de 40 anos.
    Aqui o mal são os tubarões de wall stret quererem ganhar muito.

    1. Isabel
      Talvez não saiba tanto quanto julga. Pois a mim parece-me que não serão “os tubarões de wall steet” (pois o que esta em causa serão a diminuição das vendas e os enormes prejuizos (??) acumulados que vieram a “afundar” este negocio.

  3. Sou fã dos produtos Tapperwere conheço a Tapperwere à 48 anos. Minha mãe comprou muitos nos anos 70 e 80. Eles são tão bons que nos dias de hoje ainda tenho em minha casa alguns destes produtos que foi-me dado pela minha mãe e continuam muito bons.
    A Tupperwere evoluir e modernizou-se com o aparecimento do microondas, criando novos Tupperweres adaptados a este e até ao nosso forno elétrico.
    E sem dúvida que em Portugal as vendas aumentaram com a pandemia. A divulgação foi muito maior, todos os dias encontrava nas redes sociais pessoas a vender Tupperwere. Eu comprei mais Tupperweres nos últimos 2 anos.
    Precisamente por ter tomado mais conhecimento dos mesmos atravez das redes sociais.

  4. Sou fã da tupperware., mas ultimamente tive um problema com uman tacas que vão ao micro, ( ficaram quiemadas,e foi so 3 minutos,a fazer pipocas,como faço varias vezes) contctei a vendedora e mandei as fotos, ao que me respondeu que eu tinha concentrado todo o milho no meio( como se fosse possivel) ja passaram alguns meses e nem me da uma resposta. Fico triste porque sou cliente a muitos anos.

    1. Boa tarde e kaments el tudo que ouvi Sobre a crize finaceira da tuperwarre, pois sou de aracaju se,a waise 3anos ou mais,era consultora sofri um acidente uma queimadura na mao esquerda de 3grau,e dopada pela dor, emconsiente, voltou cx minhas de pedidos, lutei muito mais nada conseguir,ja era estrela foi muito triste.hoje so posso comprar por boleto pagamento antecipado.no momento nao tenho condicoes, gostaria muito de voltar a ser consultora e voltar a ter meu credito como no inicio,poison estou hj com meu nome negativado, mas nao devo nada a tupperware,ainda tenho esperancas de voltar a ser consultora so preciso de um oportunidade.sera que falo com alguem que possa mim ajudar?,tenho muitos clientes e nao posso atendelos.

  5. E como cada vez mais se fala em reduzir o plástico e como também já começaram a ser substituídos muitos artigos que eram em plástico e agora em papel.
    Tudo isto vem complicar cada vez mais os artigos de plástico 👍

  6. Sou consultora da TUPPERWARE e de facto já vendi muito bem mas os produtos são caros, o poder de compra tem diminuído drasticamente e a TUPPERWARE tem aumentado imenso o preço.
    Será que os GRANDES lá de wallstreet não conseguém ver que o segredo do negócio não é aumentar o preço mas sim descer para se vender muito mais.
    Não bastam as promoções…no novo catalogo outono/inverno os preços subiram fulminantemente.
    É preciso estarem conscientes que a concorrência é enorme…o mercado está repleto de outros produtos, eficazes, práticos e apelativos.
    É muito simples se a TUPPERWARE seguir esta dica:
    querem obter lucro = preços competitivos = maior sucesso em vendas

  7. Maria Carmen Marques
    Se é consultora Tupperware deveria conhecer que aliado ao preço está a enorme qualidade dos produtos, pois lembro-me que a Tupperware foi quem iniciou a produção de produtos a ir ao fogo…, o design e funcionalidade dos seus produtos,Se me disser que a crise mundial, a tendência anti-plástico, aliado a outros factores levam a que a Direcção desta multi nacional tenha que enfrentar o encerramento com as consequências nefastas para os trabalhadores e respetivas famílias, bastante desagradável portanto quer no ponto de vista económico quer social..É pena que uma empresa deste “tamanho” tenha que fechar portas…

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