“Tomem lá do Camões” assim se chama o livro da autoria das professoras da Escola de Constância, Paula Malheiro e Susana Neves, apresentado esta quinta-feira, dia 3, numa cerimónia que contou com a presença do Comissário do Plano Nacional de Leitura, Fernando Pinto do Amaral.
O espaço da Antiga Cadeia, em Constância, foi pequeno para acolher todos aqueles que ali se dirigiram para assistir à apresentação do livro “Tomem lá do Camões”, que começou por ser uma peça de teatro que estreou em 2015, representada por alunos da Escola Secundária de Constância, e que agora se transformou em livro.
“Para nós é um orgulho muito grande porque é o nosso primeiro texto impresso, nunca tínhamos feito nada deste género e depois não é o finalizar de um projeto mas sim um ponto de partida”, referiu Paula Malheiro, uma das autoras do livro, ao mediotejo.net.
A peça de teatro “Tomem lá do Camões” nasceu da iniciativa “Partilha com Energia”, promovida pela EDP, no ano letivo passado, e estreou em maio de 2015, com os alunos do secundário de Constância, tendo o projeto sido reconhecido pelo Plano Nacional de Leitura, apoio esse que permitiu agora a publicação deste texto em livro.

Na apresentação do livro, o Comissário do Plano Nacional de Leitura, Fernando Pinto do Amaral, salientou que “o sonho faz falta para tudo” e que a publicação deste livro é a prova de um sonho concretizado. “A escola tem de permitir organizar paixões”, salientou o representante do Ministério da Educação.
Foi em ambiente de tertúlia, à volta da mesa da taberna que é o centro da ação do livro “Tomem lá do Camões”, que decorreu a apresentação do livro.
António Câmara, CEO da YDreams, que já foi galardoado com o Prémio Pessoa, prefacia a obra “Tomem lá do Camões” onde salienta que, após ter visitado várias vezes a Escola Básica e Secundária de Constância, constatou que “o trabalho de Paula Malheiro e colegas no ensino da língua era excelente”. Na apresentação do livro, António Câmara elogiou a aposta do ensino em Constância na representação.
Anabela Grácio, diretora do Agrupamento de Escolas de Constância, destacou que “este projeto é a prova em como é possível materializar os sonhos” e Daniel Martins, vereador da autarquia de Constância responsável pelos pelouros da Educação e Cultura, referiu que “é um orgulho enorme Constância ter este projeto” e que “não faz sentido nenhum falar de Constância, sem falar de Camões”.
A passagem de Camões por Constância
O livro e a peça de teatro “Tomem lá do Camões” retrata a passagem do poeta por Constância. “Este é um texto muito simples que tenta dar força à ideia de que Camões viveu em Constância durante um período muito curto, quando era muito jovem, nessa altura ainda tinha os dois olhos, tinha vinte e poucos anos e o que nós tentámos, aí sim, já ficção, foi pensarmos que ele ganhou inspiração aqui em Constância, com o Tejo, com o Zêzere, com a boa comida, com as mulheres bonitas para escrever o resto da sua obra, tanto a lírica como “Os Lusíadas”, explicou a professora e autora Paula Malheiro.

“O centro de ação é nesta taberna que aqui está, em torno desta mesa, Camões conhece amigos, conhece raparigas, vai aqui interagindo com as pessoas de Constância e vai desenvolvendo-se numa intriga muito simples mas também muito divertida. É uma obra para todas as pessoas mas para os alunos que estudam Camões é uma forma muito agradável e até contagiante de promover a leitura dos Clássicos, neste caso de Camões”, salientou Paula Malheiro.
Na cerimónia de apresentação do livro estiveram também alunos do secundário que têm estado envolvidos neste projeto e que salientaram que “serviu para nós crescermos, para termos ideia do que é o teatro” e fizeram ainda um agradecimento ao Sr. Francisco, um idoso utente da Santa Casa da Misericórdia de Constância, que tem participado nas peças de teatro, encarnando a personagem de um “velho”.
Entre os muitos convidados para a apresentação do livro “Tomem lá do Camões”, estiveram presentes diversos professores do Agrupamento de Escolas de Constância, o vice-presidente da autarquia, Arsénio Cristóvão, o presidente da Assembleia Municipal, António Mendes, o historiador António Matias Coelho, entre muitos outros convidados.
