“Eu hoje não fechava a escola com base naquele relatório (do IPT) tal como não o fiz em 2016”, afirmou a ex-presidente da Câmara Municipal de Constância, Júlia Amorim (CDU), em conferência de imprensa realizada nesta terça feira, dia 10, a propósito do encerramento do Centro Escolar de Santa Margarida decidido pela atual maioria PS do Executivo.
A autarca referia-se a um relatório da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes do Instituto Politécnico de Tomar (IPT) datado de abril de 2016 que, na sua opinião “não é oficial” e “nalguns pontos é contraditório”. E questiona: “como é que se encerra uma escola quando o relatório diz que o estudo só foi feito em duas salas?”. Além disso, acrescenta Júlia Amorim, mais à frente o relatório refere que as aulas podem estar a decorrer.
Para a atual Vereadora a proposta de encerramento do Centro Escolar de Santa Margarida terá sido um lapso de escrita, porque o que deveriam querer dizer é que as duas salas em causa é que deveriam ser encerradas.
Além de reafirmar a decisão de manter o Centro Escolar a funcionar caso fosse Presidente de Câmara, defende que, perante o intensificar do problema dos maus cheiros, se deveria chamar novamente o Instituto Superior de Soldadura e Qualidade (ISQ) para realizar novas análises e apresentar um novo relatório, bem como chamaria o delegado de saúde para vir à escola.
O ISQ realizou estudos em 2016 mas no seu relatório, também datado de abril, “não se levantavam problemas de maior”.
Questionada sobre a sua decisão de não encerramento do Centro Escolar, Júlia Amorim concretiza que “o relatório oficial, o do ISQ, num total de 18 parâmetros, só um não tinha valores condizentes, não levantando grandes problemas”, ao passo que o do IPT, “apesar de ter algumas sugestões que foram seguidas, revelava algumas incongruências”.
Segundo relatou, “o cheiro era incomodativo, menos intenso do que atualmente, descontinuado no tempo, e que se concentrava na biblioteca, nas duas salas de ATL e nos corredores. Apesar de todas as diligências, o mistério da sua proveniência permanece”, afirmou, tendo feito notar que, hoje, os cheiros são mais intensos.
“Os relatórios existentes são os mesmos [de 2016] mas os dados são diferentes. Hoje os cheiros são mais intensos e alastraram-se mais pela escola. As interpretações também são diferentes, com base nos mesmos relatórios, uma vez que eu decidi não fechar a escola, sempre em decisão partilhada, e o atual presidente decidiu encerrar. Hoje, eu também não fecharia a escola”, reiterou a eleita comunista.
Quanto ao não registo do relatório do IPT reconhece que devia ter sido dado entrada e registado mas refere que o documento não tem caráter oficial e foi entregue em mão ao ex-Vereador Arsénio Cristóvão (CDU). Seja como for, diz, o relatório “estava onde devia estar”, no gabinete de educação e ação social, o que a leva a afirmar estar “de consciência tranquila e com sentido de dever cumprido”.

Júlia Amorim sentiu-se “enxovalhada” e “usada” pela forma como foi tratada no sábado, quando foi chamada de urgência à Câmara pelo atual Presidente Sérgio Oliveira (PS) e é confrontada com os dois relatórios, sendo questionada se sabia que o relatório do IPT não tinha dado entrada no registo da Câmara. A autarca refere ter confirmado que conhecia os documentos e desconhecia se havia ou não registo do relatório do IPT. Recordou que foi através de um funcionário da Câmara que se estabeleceu o contacto com o professor do IPT autor do relatório, sem caráter oficial.
Lamentou não ter sido informada de que no dia seguinte haveria uma reunião com os pais nem que iam fechar o centro escolar, decisão que a apanhou de surpresa.
Em comunicado, a concelhia da CDU afirma ser “lamentável e desonesta a insinuação de sonegação e ocultação do relatório do IPT”, tendo questionado a razão pela qual o atual executivo socialista “apenas agora tomou medidas quando o problema voltou a surgir em novembro” de 2018, e pelo facto de “apenas agora chamar entidades para reanalisar o processos e não em tempo de férias”.
Segundo a mesma informação, a CDU afirma ser “inaceitável branquear a inércia demonstrada com a desculpa do desconhecimento do relatório do IPT assim como justificar o encerramento do Centro Escolar de Santa Margarida baseado num relatório de há dois anos, com um estudo limitado a duas salas”.
Isabel Magano, Secretária da Associação de Pais, afirmou que os dirigentes desta entidade, foram “totalmente apanhados de surpresa” com a decisão da Câmara de encerrar o centro escolar.

Lamenta ainda o facto de não terem sido informados e convocados, enquanto dirigentes da Associação de Pais, para a reunião com a Câmara, realizada no domingo.
Com cerca de 70 alunos do pré-escolar e ensino básico e 15 profissionais, o centro escolar de Santa Margarida, no concelho de Constância, foi inaugurado em setembro de 2011, edificado no local onde funcionou até 2009 a escola primária da Aldeia de Santa Margarida, tendo representado um investimento na ordem dos 2,2 ME.




