O agravamento do problema dos maus cheiros no Centro Escolar de Santa Margarida da Coutada, um “cheiro a ovos podres e de origem desconhecida”, fez com que a Câmara Municipal de Constância mandasse encerrar o estabelecimento até que se apurem as causas do problema, foi anunciado este domingo.
A decisão foi transmitida aos pais dos 71 alunos numa reunião realizada este domingo, dia 8, na antiga Casa do Povo de Santa Margarida da Coutada, a que se seguiu uma conferência de imprensa. Nela, o presidente da Câmara, Sérgio Oliveira (PS), ladeado pelos vereadores Jorge Pereira e Filipa Montalvo ,e pela diretora do Agrupamento, Olga Antunes, explicou as razões para a medida e deixou críticas ao anterior executivo liderado por Júlia Amorim (CDU).
Sérgio Oliveira disse que a intensidade do cheiro sentiu-se de forma grave na sexta feira, dia 6, e nesse dia solicitou que lhe fizessem toda a documentação que existia sobre o processo.
Até dia 6, o presidente tinha apenas conhecimento de um relatório do Instituto de Soldadura e Qualidade, no qual “não se levantavam problemas de maior”. Mas na tarde desse dia, o autarca foi surpreendido pela existência de um segundo relatório, do Instituto Politécnico de Tomar, datado de abril de 2016, no qual a primeira recomendação que se fazia era o encerramento do Centro Escolar até ao apuramento da fonte do problema.

“Ficámos alarmados como devem imaginar”, afirmou Sérgio Oliveira, que revelou não haver registo de entrada do documento na Câmara de Constância. Só teve acesso ao mesmo, porque uma funcionária da divisão de educação e ação social tinha guardado uma cópia no seu arquivo.

“Por uma questão de gentileza”, os três eleitos do PS reuniram na sexta feira com a antecessora na Câmara, a quem foi perguntado se tinha conhecimento do relatório. “Júlia Amorim confirmou saber do documento, apesar de não ter sido pedido diretamente por si”, disse Sérgio Oliveira.
“Na altura pensou que deveria seguir o relatório do Instituto de Soldadura e de Qualidade e não o do IPT”, segundo relatou o presidente do executivo.
No entanto, os eleitos do PS estranham que não haja registo do relatório mas que tenham sido seguidas as recomendações nele contidas quanto a elevação das chaminés e outras alterações.
“Enquanto presidente da Câmara e responsável máximo pela população do concelho, por uma questão de precaução e de prudência, não consinto que os meninos e os funcionários continuem ali sem se detetar definitivamente qual a origem destes maus cheiros”, defendeu o autarca.

Por isso, foi acordado com a Diretora do Agrupamento de Escolas, Olga Antunes, que os alunos serão transferidos para Constância a partir de terça feira, começando a atividade letiva um dia depois do previsto.
Sérgio Oliveira anunciou ainda a abertura imediata de um inquérito interno na Câmara para apuramento de responsabilidades no que concerne ao não registo de entrada do relatório do IPT.
Classificou o caso como “da mais alta importância” e garantiu que a Câmara “está empenhada em descobrir a origem do problema e falará sempre com verdade e com sinceridade”.

Na manhã desta segunda feira, dia 9, o presidente da Câmara reúne com o responsável do IPT que elaborou o relatório tendo em vista novas medições para determinação da qualidade do ar no Centro Escolar de Santa Margarida.
A Câmara vai também contratar uma empresa externa que, com uma sonda, vai percorrer as condutas de águas pluviais e da rede de esgotos para tentar perceber se há alguma obstrução nessas condutas ou acumulação de matéria orgânica.
Uma última medida é, mais uma vez, fazer deslocar ao local uma empresa certificada em instalações de gás para verificar o reservatório e as canalizações do gás do Centro Escolar.
Quanto a prazos, o presidente da Câmara disse acreditar que daqui a duas ou três semanas haverá conclusões, sendo o assunto considerado da “máxima urgência” pelos constrangimentos que provoca.

“Não podemos correr o risco de manter ali as crianças e os trabalhadores sem saber a origem do problema e as consequências que tem na saúde da comunidade escolar”, afirmou Sérgio Oliveira.
Até lá, os cerca de 70 alunos dos três anos 10 anos (pré-escolar e 1° ciclo) serão transportados diariamente no autocarro da Câmara para a escola de Constância, do outro lado do rio Tejo.
O centro escolar de Santa Margarida foi inaugurado em setembro de 2011, com um investimento na ordem dos 2,2 milhões de euros, mas o problema dos maus cheiros só começou a sentir em 2015, 2016.
Contactada pelo mediotejo.net, a anterior presidente da Câmara, Júlia Amorim, eleita pela CDU, optou por não comentar a conferência de imprensa nem o problema nela abordado, remetendo todas as explicações para uma conferência de imprensa a marcar nos próximos dias.
