No discurso oficial de abertura das festas, o presidente Sérgio Oliveira reafirmou que a génese desta celebração secular reside na ligação aos rios e na profunda tradição dos marítimos, que há séculos pedem proteção à Senhora da Boa Viagem.
As emblemáticas ruas ornamentadas de Constância, preparadas por meses de trabalho comunitário entre moradores e associações, servem mais uma vez de cenário à celebração que une a devoção religiosa à identidade municipal.
Na abertura oficial, que teve lugar na sexta-feira, na Praça Alexandre Herculano, no centro histórico, o presidente da Câmara recordou que esta é uma festa com mais de 200 anos de história, nascida numa época em que os rios eram as “autoestradas” do país.




“O nosso concelho, ao longo dos séculos, viveu do transporte fluvial e da agricultura. A nossa festa não é exceção”, afirmou o autarca, explicando que a tradição remonta a um grupo de marítimos que solicitou um altar próprio para a sua protetora. Segundo Sérgio Oliveira, “a sua base continua a ser a mesma: a devoção à Nossa Senhora da Boa Viagem e o passado marítimo da nossa Vila”.










O autarca sublinhou a evolução do certame, que este ano celebra 40 anos enquanto “Festa do Concelho”, conseguindo conciliar a parte religiosa com a vertente pagã das tasquinhas, concertos e artesanato. “São um momento único em que as nossas comunidades se unem e reafirmam a nossa identidade de terra de marítimos”, frisou.

ÁUDIO | SÉRGIO OLIVEIRA, PRESIDENTE CM CONSTÂNCIA:
No seu discurso, o presidente abordou as dificuldades recentes causadas pelas maiores cheias dos últimos 30 anos, que atingiram a vila há menos de dois meses. “Alguns tinham dúvidas que conseguíssemos aqui estar. Mas aqui estamos, porque somos uma comunidade que não se abate perante as adversidades”, declarou.
Sérgio Oliveira defendeu ainda a realização do evento perante as vozes críticas: “As festas não são um custo, são um investimento. Não as fazer seria aprofundar as dificuldades das associações e dos comerciantes que precisam deste balão de oxigénio”, afirmou, apelidando de “popularuchas” as ideias de cancelar o certame, por carecerem de visão sobre a dinâmica económica local.







“Estas são as festas da nossa terra e do nosso povo. São as festas do encontro e do coração”, concluiu Sérgio Oliveira, convidando todos a viverem o espírito de união que define Constância.
Ao longo de quatro dias, Constância combina a componente religiosa com um vasto programa cultural, musical, gastronómico e artesanal, culminando na tradicional Segunda-feira da Boa Viagem, com a Missa Solene, Procissão e a sempre emblemática Bênção dos Barcos, nos rios Tejo e Zêzere, e das viaturas, na Praça Alexandre Herculano.

Consideradas um dos principais acontecimentos do Médio Tejo durante a Páscoa, as festas mantêm viva a tradição ribeirinha e a devoção à Senhora da Boa Viagem, protetora dos marítimos.
O evento reúne anualmente milhares de pessoas, atraídas pelas ruas floridas, pela Mostra Nacional de Artesanato, pela mostra de doces e sabores tradicionais, pelas tasquinhas e pelo cartaz musical.
Para além da vertente musical e religiosa, o evento mantém a sua forte componente cultural e desportiva, incluindo o Grande Prémio da Páscoa em Atletismo, diversas exposições, artesanato, ruas floridas, tasquinhas de gastronomia regional e doçaria tradicional. Julinho KSD, Maninho, Bandidos do Cante e João Pedro Pais são destaques do cartaz musical.







O ponto alto das celebrações acontece na próxima segunda-feira, 6 de abril, feriado municipal. O dia é dedicado à profunda ligação de Constância aos rios Tejo e Zêzere, com um programa que mistura protocolo institucional e fé popular.

- Manhã Solene: As cerimónias do Dia do Concelho arrancam às 11h00 com o Içar das Bandeiras nos Paços do Concelho, com Guarda de Honra dos Bombeiros Voluntários e acompanhamento da Banda da Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro. Segue-se a entrega de medalhas de bons serviços a bombeiros e funcionários municipais.
- O Regresso dos Barcos: Pelas 13h00, dezenas de embarcações vindas de vários municípios ribeirinhos do Tejo e do vale do Zêzere chegam a Constância, saudadas por salva de foguetes. As tripulações, trajadas à época, recriarão o cenário de outrora, quando o rio era o ganha-pão da região.
- A Bênção das Águas: Após um concerto de órgão por Ana Elias na Igreja Matriz (14h30), terá lugar a Missa Solene às 15h30. Segue-se a majestosa procissão que culmina com a Bênção dos Barcos nos rios e das viaturas na Praça Alexandre Herculano, um momento de rara beleza onde a imagem da padroeira desce à margem para abençoar a faina do novo ano.

A edição deste ano tem um significado especial ao celebrar quatro décadas das Festas do Concelho, que se veio juntar à secular festa dos marítimos, reforçando o papel de Constância como um polo de cultura, tradição e turismo na região.
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