Ruas floridas voltam a encher Constância de cor nas Festas da Boa Viagem. Foto: Ricardo Escada/mediotejo.net

As emblemáticas ruas floridas de Constância voltam a ser, a partir de sexta-feira, e até segunda-feira, feriado municipal, o grande cartão de visita das Festas do Concelho e em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, transformando a vila ribeirinha num cenário de cor, tradição e identidade cultural.

Milhares de visitantes são esperados até segunda-feira para percorrer as artérias decoradas, um dos momentos mais aguardados e fotografados da celebração.

Mais do que um elemento decorativo, as ruas floridas representam uma tradição profundamente enraizada na comunidade. A preparação envolve, ao longo de vários dias, moradores, associações, escolas e coletividades locais, num trabalho coletivo que ajuda a preservar uma das imagens mais marcantes de Constância e das festividades pascais e da tradição dos marítimos.

Ano após ano, este cenário floral converte a chamada “Vila Poema” num dos destinos mais procurados da região durante a Páscoa.

As ruas ornamentadas, que se cruzam com a paisagem única da confluência do Tejo e do Zêzere, assumem-se como um símbolo vivo da ligação entre a população, a memória coletiva e a celebração religiosa.

É neste ambiente que arrancam esta sexta-feira, 3 de abril, as Festas do Concelho e da Senhora da Boa Viagem, que este ano assinalam 40 anos desde a sua integração formal no calendário municipal, mantendo, no entanto, a sua secular tradição ligada aos marítimos e às fainas fluviais.

A festa tem raízes bicentenárias na devoção dos homens do rio, que pediam proteção à Senhora da Boa Viagem antes das viagens pelo Tejo rumo a Lisboa e a outros portos do Tejo.

Ao longo de quatro dias, Constância combina a componente religiosa com um vasto programa cultural, musical, gastronómico e artesanal, culminando na tradicional Segunda-feira da Boa Viagem, com a Missa Solene, Procissão e a sempre emblemática Bênção dos Barcos, nos rios Tejo e Zêzere, e das viaturas, na Praça Alexandre Herculano.

Consideradas um dos principais acontecimentos do Médio Tejo durante a Páscoa, as festas mantêm viva a tradição ribeirinha e a devoção à Senhora da Boa Viagem, protetora dos marítimos.

O evento reúne anualmente milhares de pessoas, atraídas pelas ruas floridas, pela Mostra Nacional de Artesanato, pela mostra de doces e sabores tradicionais, pelas tasquinhas e pelo cartaz musical.

Na segunda-feira da Boa Viagem, feriado municipal, destacam-se a Missa Solene, a Procissão em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem e as tradicionais Bênçãos dos Barcos, nos rios Tejo e Zêzere, e das viaturas na Praça Alexandre Herculano. Por volta das 13h00 vão chegar a Constância dezenas de embarcações, para participar nas cerimónias do Dia do Concelho.

As cerimónias do Dia do Concelho vão ter início às 11h00 com o Içar das Bandeiras nos Paços do Concelho, com guarda de honra prestada pelos Bombeiros Voluntários de Constância e a presença da Banda da Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro, ao que se seguirá a cerimónia de atribuição da medalha do concelho aos bombeiros com 25 anos ao serviço da comunidade e a distinção dos funcionários do município com 10, 20 e 30 de serviço.

Para além da vertente musical e religiosa, o evento mantém a sua forte componente cultural e desportiva, incluindo o Grande Prémio da Páscoa em Atletismo, diversas exposições, artesanato, ruas floridas, tasquinhas de gastronomia regional e doçaria tradicional.  Julinho KSD, Maninho, Bandidos do Cante e João Pedro Pais são destaques do cartaz musical. 

A edição deste ano tem um significado especial ao celebrar quatro décadas das Festas do Concelho, que se veio juntar à secular festa dos marítimos, reforçando o papel de Constância como um polo de cultura, tradição e turismo na região.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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