Na maioria dos momentos o corpo gera arte. Existem outros em que a luz nos ofusca e os limites entre ambos se perdem. A quinta Dona Maria, em Montalvo, recebeu um dos últimos durante o espetáculo “Human Brush” de Vincent Glowinski este sábado, dia 14, e no penúltimo dia dos Caminhos da Água assistimos ao nascimento de algo novo sob um céu estrelado.
A escuridão pouco ou nada revela no início e gera expetativa para descobrir o que trouxe ao Médio Tejo o nome internacional do programa do segundo momento da rede de itinerância cultural “Caminhos”. A estreia na região do artista de arte urbana conhecido por Bonom foi em Abrantes no passado dia 13 de julho e quem assistiu recomendou a ida ao concelho vizinho.

A fisiologia animal e a natureza têm inspirado a criatividade reconhecida no resto do mundo e em Constância ganharam diversas formas através dos movimentos de dança desenhados no e pelo corpo de Vincent Glowinski na penumbra. Arte em dose dupla criada ao vivo e revelada pela luz projetada na tela criando cenários surreais e inesperados.
No final, não se pode dizer que se assistiu a mais um espetáculo de dança. É certo que existe um artista em palco e música no ar, mas a arte que surge na tela e a forma como é criada gera no público a certeza que se acabou de fazer parte de um momento único e irrepetível.

O programa dos Caminhos da Água encerra este domingo com percursos artísticos de Tiago Correia, Paulo Condessa, Susana Domingos Gaspar, Gustavo Costa e Ana Trincão. As propostas musicais são Luís Carmelo e Nuno Mourão com o projeto Contatinas, Drama&Beiço e Batida. O teatro também continua pelo Médio Tejo com “Olo – um solo sem S” da companhia Teatro de Ferro e, na vertente de rua, com “Carripana” da companhia LAMA.

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