Estátua de Camões na vila de Constância. Créditos: Ricardo Escada

O comissário-geral da Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões, José Augusto Bernardes, disse querer o país inteiro a celebrar o poeta e “dinamizar a memória camoniana”. Na apresentação do programa das comemorações oficiais, que se estendem até 2026, o responsável realçou a capacidade de Luís de Camões de “unir a comunidade” e colocou Constância na rota das celebrações.

A ministra da Cultura já havia avançado que Constância iria integrar as comemorações do V centenário de Luís de Camões. A ministra Dalila Rodrigues afirmou, após uma visita à Casa-Memória e ao Jardim-Horto camoniano, no final de agosto, que foi feito um “reconhecimento ‘in situ’, por forma a que, antes da apresentação do programa final, já com um calendário associado”, o mesmo seja “apresentado em breve”. A apresentação foi feita a 14 de novembro, mas sem especificar de que forma Constância integra o evento.

Um dos projetos anunciados na Biblioteca Nacional, em Lisboa, é, em cada distrito e regiões autónomas, escolher um dia dedicado a Camões, com a colaboração das entidades locais, podendo ou não, de acordo com as respetivas autoridades, a estrutura de missão facultar uma exposição itinerante ou um espetáculo musical.

O primeiro desses dias dedicados ao poeta será em Coimbra, a 12 de fevereiro, seguindo-se o Funchal, em 31 de março, como disse o comissário-geral à Lusa, em outubro.

Bernardes adiantou que pretende elaborar um “roteiro camoniano”, apesar de lacunas na biografia do poeta, começando pelo local onde nasceu.

Foram mencionados municípios como Coimbra, Constância, no distrito de Santarém, e Lisboa.

Mais do que estátuas, como a inaugurada em Lisboa em 1869, Bernardes pretende “debater e não impor Camões”, e levar o poeta às escolas.

Para o comissário-geral da Estrutura de Missão, “o tempo das estátuas já acabou” e um “monumento de 12 metros de altura” que ultrapassará a estátua do poeta na Baixa lisboeta, de autoria de Victor Bastos (1830-1894), é a edição das obras completas de Camões, anotadas por camonistas, mas dirigidas ao grande público.

Entre os projetos previstos, José Augusto Bernardes destacou ainda um ‘site’ completo e fundamentado sobre Luís de Camões, tendo referido que na internet se encontra muita informação que constitui lenda ou mito, sendo até “errónea”, sem qualquer verificação científica.

Em Macau, nas pedras de Camões, Bernardes afirmou que se prevê colocar “uma peça artística de qualidade”, onde estão colocadas diferentes placas assinalando as diferentes efemérides relativas ao poeta, como as celebrações de 1880 ou de 1924. O responsável disse que foram já feitos contactos neste sentido, sem adiantar pormenores.

Outro projeto adiantado foi o de uma “exposição de referência” que ocupará três salas da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), comissariada pelo historiador João Alves Dias, a inaugurar no próximo ano.

A ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, encerrou a sessão de hoje reforçando o que afirmara na primeira apresentação das linhas programáticas das comemorações camonianas, no passado dia 05 de junho, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, que assentam em três eixos: cívico-cultural, de investigação e educativo.

As comemorações do quinto centenário do nascimento de Luís de Camões arrancaram oficialmente no passado dia 10 de junho, com uma programação a estender-se até 10 de junho de 2026, a difundir em pormenor.

O programa comemorativo dos 500 anos do nascimento de Camões tem uma verba de 2,2 milhões de euros inscrita na proposta de Orçamento do Estado para 2025, mas o comissário-geral espera encontrar outros apoios, como disse à Lusa em outubro.

Em setembro, José Augusto Bernardes sucedeu no cargo de comissário-geral a Rita Marnoto, também professora da UC, mantendo-se em funções os restantes membros da Estrutura de Missão.

Notícia relacionada:

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Agência de Notícias de Portugal

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *