Constância vai integrar programa de comemorações do V Centenário de Luís de Camões. Foto: mediotejo.net

A governante disse que Constância “vai integrar seguramente alguma atividade relativa ao tema” por não ser possível “ignorar a importância e a memória que se associa aos lugares”.

Tendo feito notar que “não é competência da ministra da Cultura tomar decisões relativas ao programa das comemorações”, Dalila Rodrigues disse, no entanto, que “é dever da ministra reconhecer e mediar”.

Acompanhada pelo diretor executivo da Comissão para as Comemorações do V Centenário de Camões, Vasco Silva, pelo diretor-geral da Biblioteca Nacional, Diogo Ramada Curto, e pelo presidente do instituto Património Cultural, João Soalheiro, a ministra da Cultura visitou hoje diversos equipamentos culturais em Constância, a começar pela Igreja Matriz, a necessitar de investimento para requalificação e conservação, tendo Dalila Rodrigues visitado depois a Casa-Memória de Camões, o Jardim-Horto de Camões e o monumento ao poeta instalados na vila ribatejana.

“O que nós queremos nesta deslocação é homenagear a vila de Constância com os seus vários temas e a qualidade histórico-artística. Começámos pela igreja e pelas pretensões [do município] a que seja emitido um parecer favorável ao alargamento do cemitério, por se tratar de uma zona não edificante, e, por fim, a Casa-Memória de Luís de Camões, que vai ser valorizada, desde logo, pela comunidade, e pelos meios que o Ministério da Cultura dispõe e pela Comissão do Centenário”, afirmou a governante.

ÁUDIO | DALILA RODRIGUES, MINISTRA DA CULTURA:

Na Igreja Matriz, o padre Nuno Silva conduziu uma visita ao templo religioso e às obras de arte que o integram, tendo alertado para a necessidade de apoios financeiros para uma intervenção global que estimou na ordem dos três a quatro milhões de euros.

Já na Casa-Memória de Camões, o presidente da associação, Máximo Ferreira, mostrou o espólio camoniano instalado num edifício com três pisos, construído sobre as ruínas onde a tradição assegura que o poeta terá estado exilado, tendo destacado uma “tradição enraizada em Constância” de que o poeta ali terá vivido, e “transmitida de geração em geração”, tendo apelado para apoios ao nível de acessibilidades, através de um elevador que faça a ligação aos três pisos, em investimento na ordem dos 450 mil euros.

O presidente da Câmara de Constância, por sua vez, reivindicou apoios do Estado para “abrir em Portugal uma casa digna da memória de Camões”, aproveitando os 500 anos do nascimento do poeta, e “projetar o concelho” a nível nacional e internacional.

“Nós, neste momento, temos uma Casa-Memória construída e a única coisa que falta é dotá-la de recursos financeiros e humanos para poder funcionar de forma permanente”, disse à Lusa o autarca Sérgio Oliveira (PS), notando que “sozinhas, a autarquia e a entidades locais, não conseguem”.

Tendo afirmado que Constância é “a terra mais camoniana de Portugal”, o autarca disse que “a senhora ministra, e a comitiva que a acompanhou, sai daqui mais sensibilizada e verificou no terreno que Constância tem efetivamente uma ligação muito próxima, muito íntima, com Camões e que é merecedora de integrar as comemorações” dos 500 anos do nascimento do poeta.

ÁUDIO | SÉRGIO OLIVEIRA, PRESIDENTE CM CONSTÂNCIA:

A Casa Memória de Camões começou a ser pensada e construída há 50 anos, mas até hoje nunca foi aberta ao público e aos turistas, com atividades regulares, a exemplo do que sucede em outros países, com outras figuras históricas, como em Espanha, com a Casa Cervantes, ou em Inglaterra, com a Casa Shakespeare, o que Sérgio Oliveira lamenta.

Sobre as ruínas que o povo aponta como tendo sido as da casa que o acolheu, foi erguida a Casa-Memória de Camões para perpetuar a memória do poeta à vila ribatejana.

A casa-memória é um edifício com projeto da Faculdade de Arquitetura de Lisboa que “começou a ser construído num processo muito difícil nos anos 1980, sobre as ruínas da casa onde terá residido Luís Vaz de Camões”.

Desde os meados do século passado, o médico Adriano Burguette e, depois, a jornalista e camonista Manuela de Azevedo, dedicaram a sua vida a recuperar a casa e a preservar e a divulgar a obra de Camões.

Do património da casa-memória fazem parte, além de outras obras, alguns “livros de inestimável valor”, como edições de “Os Lusíadas”; um painel do pintor Espiga Pinto; a escultura “Amor”, de Lagoa Henriques; uma casula e cartas de jogar do século XVI, entre outros.

Em Constância, existem ainda o Monumento a Camões do mestre Lagoa Henriques e o Jardim-Horto Camoniano, desenhado pelo arquiteto Gonçalo Ribeiro Teles, que apresenta a maior parte das plantas referidas por Camões na sua obra e é considerado um dos mais vivos e singulares monumentos erguidos no mundo a um poeta.

Inaugurado em 1990 pelo então Presidente da República, Mário Soares, com o objetivo de “perpetuar a vida, a obra e a época” do poeta, o jardim-horto reúne toda a flora referida por Camões na sua obra, num total de 52 espécies, identificadas através de placas que transcrevem os versos do poeta.

c/LUSA

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