O FBI e o Gabinete do Procurador dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts divulgaram esta quarta-feira, 29 de abril, as conclusões de uma parte significativa da investigação ao tiroteio ocorrido na Universidade Brown, em Providence, Rhode Island, em 13 de dezembro de 2025, e ao assassinato do professor Nuno Loureiro, em Massachusetts, dois dias depois.
Segundo as autoridades norte‑americanas, Claúdio Manuel Neves Valente, que viria a suicidar-se a 16 de dezembro, agiu sozinho e “os ataques não tiveram qualquer ligação a terrorismo”.
O inquérito envolveu uma cooperação alargada entre várias forças policiais e judiciais dos Estados Unidos. No total, foram recolhidos mais de 112 itens de prova, foram seguidas cerca de 490 pistas e analisados milhares de ficheiros de vídeo e áudio.
As autoridades apuraram que Cláudio Valente, nascido em Torres Novas (mas com residência familiar no Entroncamento) chegou aos Estados Unidos em agosto de 2000 com um visto de estudante para frequentar a Universidade de Brown, após concluir um curso de Física no Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Inscreveu‑se num doutoramento, mas desistiu no ano seguinte e regressou ao seu país. Mais tarde, em 2017, obteve residência permanente em Miami, na Florida.
À data dos crimes, Cláudio encontrava-se desempregado e não tinha antecedentes criminais nem registos prévios de contacto com a polícia.
As duas pistolas de 9 milímetros utilizadas nos ataques – ambas adquiridas legalmente numa loja de penhores na Florida – foram recuperadas junto ao seu corpo no armazém que ele alugava há três anos, em Salem, New Hampshire.
Uma das armas, Glock 34, foi comprada a 19 de julho de 2020, e utilizada no tiroteio em Brown, que matou os alunos Mukhammad Aziz Umurzokov e Ella Cook; a outra, uma Glock 26, comprada a 22 de março de 2022, foi usada no homicídio do professor do MIT, Nuno Loureiro.
Após os ataques, Cláudio gravou vários áudios e vídeos nos quais confessou os crimes, sem demonstrar arrependimento ou apresentar uma justificação clara para os seus atos.
A investigação concluiu ainda que o planeamento do ataque à Universidade Brown terá começado em 2022 e foi desenvolvido “de forma isolada ao longo de vários anos”.
A Unidade de Análise Comportamental do FBI entende que as vítimas tinham, para o atirador, um carácter simbólico. “A universidade e o professor representariam, na sua perceção, as falhas pessoais e injustiças que acreditava ter sofrido ao longo da vida”.
O relatório aponta para uma “acumulação de ressentimentos, isolamento social, crise existencial prolongada e ideação suicida”, embora sublinhe que fatores de saúde mental, por si só, não explicam totalmente os ataques.
Apesar das conclusões, as autoridades destacam que “apenas o próprio autor conhecia plenamente as motivações dos crimes”. O FBI afirma não existirem, neste momento, ameaças adicionais à segurança pública relacionadas com os acontecimentos, acrescentando contudo que “a investigação permanece em curso”.
A divulgação deste relatório ocorre dias depois de três estudantes feridos no ataque terem avançado com ações judiciais contra a Universidade Brown, alegando negligência e falhas na segurança, pois avisos prévios sobre a presença de Cláudio Neves nas imediações do campus universitário não terão sido devidamente considerados.
