Dirigentes do Centro Social de Tramagal alertam para aumento dos preços e dificuldade de gestão e sustentabilidade da instituição. Foto: mediotejo.net

“Nós todos, incluindo o Estado, fomos surpreendidos por esta inflação que vem no fim da pandemia de covid-19 e que vem criar novas dificuldades em sede de sustentabilidade”, alertou António Veiga, secretário da direção do Centro Social Paroquial Nossa Senhora da Oliveira (CSPNSO), em Tramagal, tendo apontado a um orçamento que não previa uma duplicação dos preços ao nível do gás, alimentos, eletricidade e combustível, a par das despesas salariais.

“Só em gás gastámos até agosto o que estava previsto gastar até final do ano”, acrescentou Pedro Rodrigues, tesoureiro desta IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social).

Dirigentes do Centro Social de Tramagal alertam para “novas dificuldades” de gestão e sustentabilidade da IPSS. Foto: mediotejo.net

Os tempos atuais são “particularmente difíceis”, devido aos sucessivos aumentos de despesas das IPSS, por causa da crise inflacionista, e os dirigentes do CSPNSO, alertam para uma situação que causa sérias dificuldades de gestão e de prestação de serviços, tendo apelado a uma intervenção do Estado no sentido de “cuidar de quem cuida”.

Pedro Rodrigues e António Veiga, dirigentes do Centro Social de Tramagal, estão apreensivos com a crise inflacionista. Foto: mediotejo.net

Por outro lado, com um projeto aprovado para a construção de um lar para 39 camas, no âmbito do programa PARES, o mesmo está em risco de não se efetivar, tendo em conta que os valores da empreitada dispararam, passando de 700 mil euros, em 2020, quando foi apresentada a candidatura, para mais de 1.5 milhão de euros, aos preços atuais.

António Veiga aponta para o local onde devera nascer o novo lar em Tramagal. Foto: mediotejo.net

“É incomportável para nós avançar nestes termos, e penso que para todas as IPSS, se não houver por parte do governo uma reprogramação financeira dos apoios aos projetos”, alertou António Veiga.

VIDEO/ENTREVISTA:

Despesas triplicaram nas IPSS e comparticipações são insuficientes – UDIPSS

A crise inflacionista trouxe sérios problemas de sustentabilidade e de gestão corrente às instituições sociais, num problema agravado pelo facto das comparticipações da Segurança Social não serem suficientes para cobrir os custos com os utentes, alertou a presidente da União Distrital das IPSS de Santarém.

Tânia Gaspar disse que, a título de exemplo. há instituições que têm um custo que “triplicou” com o gás, relativamente àquilo que eram os custos de 2021. “E nós estamos em novembro e os dias de inverno e de frio ainda não chegaram”, alertou AQUI, em entrevista ao mediotejo.net, a presidente da União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social do Distrito de Santarém (UDIPSS), entidade que tem 186 IPSS associadas.

Despesas triplicaram nas IPSS e comparticipações são insuficientes, alertou a presidente da UDIPSS, Tânia Gaspar. Foto: DR

Instituições sociais pedem ao Governo redução da taxa de Segurança Social

Várias instituições da área social enviaram este mês uma carta ao primeiro-ministro a expor as dificuldades que o setor atravessa e a propor uma redução da taxa de Segurança Social.

A missiva, enviada em 04 de novembro, tem 121 signatários, entre eles a Associação Salvador, Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro, Aldeias de Crianças SOS, Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), Fundação Rui Osório de Castro, Make-A-Wish Portugal, Operação Nariz Vermelho, Terra dos Sonhos e outras 113 Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), entidades sem fins lucrativos e outras instituições do setor social.

Para fazer face às dificuldades, as várias instituições pedem ao executivo uma redução na taxa de Segurança Social a que estão sujeitas e que “atualmente, se encontra nos 22,3%, uma ínfima e incompreensível diferença, quando comparado com os 23,75% das empresas”.

“Não obstante a relevância das empresas no tecido social, impõe-se, no entanto, uma clara distinção por parte do Estado, através da redução da taxa de Segurança Social sugerida, medida que seria uma solução justa, razoável, viável e adequada”, segundo os signatários da carta, que manifestam disponibilidade para reunir com o Governo para melhor expor a proposta apresentada e esclarecer eventuais questões sobre os problemas que o setor atravessa.

Além do primeiro-ministro, a carta foi enviada também ao ministro das Finanças, à secretária de Estado do Orçamento, à ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, à secretária de Estado da Inclusão, ao secretário de Estado da Segurança Social e aos presidentes dos grupos parlamentares.

No documento as instituições expõem que, dado o contexto social e económico que a sociedade portuguesa atravessa, o contributo que “estas entidades dão para o bem-estar social do país é incontestável e incalculável, assumindo um papel preponderante”.

“É também do conhecimento público, a ginástica financeira e logística a que as mesmas se veem obrigadas, a fim de dar resposta a inúmeras solicitações que lhes são dirigidas, seja por particulares, seja pelo Estado, chegando mesmo, por diversas vezes, a substituir-se a este último, nas respostas sociais que asseguram”, argumentam.

Os signatários explicam que têm “uma dependência muito forte de generosos donativos de mecenas e particulares” e sublinham ver “com apreensão a situação de profunda incerteza que o país atravessa e que se irá refletir, invariavelmente, numa drástica redução na concessão de tais donativos e incentivos, em paralelo com o aumento generalizado de preços”.

Misericórdias pedem cooperação rápida face a novas dificuldades de sustentabilidade

O presidente da União das Misericórdias Portuguesas, por sua vez, apelou a uma cooperação rápida do Estado para que aquelas instituições possam continuar a prestar um serviço de qualidade aos utentes, face à inflação que criou novas dificuldades de sustentabilidade.

“Perante a enormidade desta inflação o apelo é para que sejamos todos mais rápidos a tomar decisões”, afirmou Manuel de Lemos, em declarações à agência Lusa. O responsável falava à margem do XV Congresso Insular das Misericórdias dos Açores e da Madeira, dedicado ao tema “Sustentabilidade das Misericórdias: Caminhos para o Futuro”, evento promovido pela União das Misericórdias Portuguesas.

“Nós todos, incluindo o Estado, fomos surpreendidos por esta inflação que vem no fim da pandemia de covid-19. E, quando pensávamos ter alguma calma fomos bombardeados por esta inflação que nos surpreendeu a todos e que vem criar novas dificuldades em sede de sustentabilidade”, alertou.

O presidente da União das Misericórdias Portuguesas frisou que os tempos atuais são “particularmente difíceis”, devido aos sucessivos aumentos de despesas das misericórdias, por causa da crise inflacionista.

“Desde o 25 de abril que o Estado pediu que colaborássemos nas inúmeras responsabilidades em sede de políticas sociais. E nós temo-lo feito. Simplesmente para cooperar com o Estado precisamos de ter valores justos do custo das respostas sociais”, salientou o presidente da União das Misericórdias Portuguesas.

Face a uma conjuntura económica “desfavorável”, o responsável realçou, no entanto, “a resistência” das misericórdias. “Vamos atravessando os tempos sempre a ajudar os outros da maneira que podemos”, frisou Manuel de Lemos. À Lusa o responsável defendeu ainda a aposta no diálogo, “num momento extremamente difícil para as pessoas e para as instituições”.

“As instituições que cuidam das pessoas têm de ser particularmente cuidadas. Só podemos ajudar os outros se cá estivermos. Vivemos tempos particularmente difíceis, surpreendidos pela inflação inesperada”, sustentou ainda o presidente da União das Misericórdias Portuguesas.

C/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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