Numa parte do edifício vendem-se jornais, exercícios de jogos da Santa Casa, bebidas e algumas comidas, além de ser sala de assistência a encontros de futebol e desencontros verbais sobre quem mereceu ou não ganhar os prélios.
Na outra parte funciona o restaurante o qual frequento de vez em quando, especialmente na época da lampreia e do sável. Este ano o sável foi mais lampeiro, é frito em postas finas (prefiro postas nédias grelhadas), sendo acompanhado por açorda e salada.
A dona lampreia aparece envolta em arroz, as boas postas emergem no seio do arroz escuro do sangue do ciclóstomo, vinho tinto e vinagre quanto baste, acrescentando-se nicos de cebola e segredos da cozinheira. No ano em curso a lampreia só veio para este restaurante na semana passada, daí no domingo dia 7 e na quarta-feira a seguir a ter apreciado como cânone recomenda. O arroz estava no ponto, longe do espapaçado, os temperos de igual modo, resultando acerto no preparo, logo felicidade palatal. Parabéns à cozinheira.
A lesta engloba o prato do dia, bem como diversos pratos de peixe e carne, sendo de realçar o de a pedido serem confeccionadas receitas de cunho local.
Dado o restaurante não aceitar fumadores, esfumaço no pátio onde me instalo confortavelmente e, às vezes, troco palavras com a Sra. Dona Fernanda que com o marido, o Sr. Carlos, explora o polivalente estabelecimento.
A Dona Fernanda é minhota de Vieira do Minho, senhora bem-disposta, de resposta pronta e bem-humorada para gáudio dos clientes habituais e, seguramente, eles próprios animadores da troca de palavras eivadas de alacridade decorrentes do quotidiano e das notícias veiculadas através da televisão.
Desta feita deu-me conta do intenso benfiquismo de toda a família, até a empregada, sportinguista, no último prélio teve o cuidado de vestir uma blusa verde e vermelha. Fiquei a saber quão bem o Benfica faz à sua casa dado o júbilo que provoca na generalidade dos frequentadores do café.
Na opinião da Senhora, que antes de se fixar em Rio de Moinhos (Abrantes) esteve emigrada na Suíça, o Benfica devia jogar todos os dias, porque como vence quase (quase) sempre, a clientela ganha entusiasmo, alegria e vontade de festejar. O desejo da Senhora Dona Fernanda é impossível de satisfazer. O Benfica ganhar é desejo compartilhado por milhões e eu subscrevo.
O restaurante fica no Largo Avelar Machado. Não existem problemas de estacionamento. Encerra à terça-feira. Aceita Multibanco.
