Os familiarizados com os comeres da Índia, Paquistão e adjacências não desconhecem a importância do caril nos receituários daquelas paragens, também os portugueses que viveram em Macau e Moçambique tiveram oportunidade de perceberem os efeitos desta mistura de especiarias indianas apresentada em pó ou em pasta.
Na Índia cada cozinheiro elabora o seu próprio caril, talvez por isso o termo caril prevalece sobre o alimento preparado, que fica condimentado e colorido de amarelo. Os cozinheiros têm a liberdade de prepararem os seus caris, desde que respeitem os usos de cada região, e a casta.
No Ocidente, especialmente após a implantação e imposição comercial da Companhia das Índias a fórmula de preparar a mistura passou a ser fixa, daí a estranheza ddos visitantes quando viajam para aquelas paragens ao lhe servirem caris diferentes dos que lhe servem em muitos restaurantes europeus.
Porque a curiosidade é mãe da indagação, da procura e da pesquisa, as fornecedoras desta amarela composição já apresentam outras variedades que não prescindem dos elementos básicos – cardomomo, pimento, pimenta, curcuma, coentro, cominho, cravo-da-Índia, gengibre, noz-moscada e tamarindo.
Além destes elementos a criatividade e o paladar dos cozinheiros adicionam aos seus caris muitas mais especiarias, no antigo Ceilão adicionam-lhe leite de noz de coco e/ou iogurte, na Tailândia pasta de camarões secos. Os caris líquidos, obviamente, não se apresentam em caixas de madeira das coníferas, só secos ou em pó, a cor também varia, desde o branco ao verde, passando pelo amarelo-dourado, o castanho e o vermelho.
Os vegetarianos incluem-no em várias composições, no seio dos carnívoros e «peixeiros» acontece o mesmo, especialmente na carne de aves, e borrego, ao modo dos indianos, dos chineses ou ingleses.
A globalização leva e traz toda a casta de produtos, a maioria dos combatentes na guerra colonial aprenderam a gostar e a soprar os lábios após lautas cariladas no intervalo das inúteis acção de combate, a dupla temperatura (alta) introduziram o hábito de as acompanhar bebendo cerveja. Gelada, pedia-se nos improvisados restaurantes e arremedos de refeitórios.
