Edifício sede da Sópovo. Foto: mediotejo.net

A Câmara Municipal de Torres Novas já não vai exercer o direito de preferência sobre a aquisição do edifício da antiga Sópovo – Cooperativa de Habitação Económica de Riachos, cujo processo de insolvência teve início em 2015, e conforme havia deliberado anteriormente. A razão prende-se por haver um projeto para a promoção de bilhar, tendo a compra sido feita por um privado ligado à Associação de Bilhar de Santarém (ABSAN), que vai ceder os três salões do imóvel para a prática desta modalidade desportiva, conforme explicou ao nosso jornal Pedro Ferreira (PS), presidente da Câmara Municipal de Torres Novas.

Desde que houve a insolvência da Sópovo que se levantou a questão da possível aquisição da sua sede por parte do município, sendo que esse foi um desejo sempre presente enquanto foram surgindo valores para a aquisição, valores esses “muito superiores aos que foram agora apresentados”, disse Pedro Ferreira, que acrescentou que quando o município foi contactado pelo administrador de insolvência acerca da possibilidade de eventualmente a Câmara adquirir o edifício pelo valor de 38.400€, a Câmara resolveu avançar e optar pelo direito de preferência a que tinha direito, interrompendo assim um negócio que já estava em curso por parte de um privado.

ÁUDIO | PEDRO FERREIRA, PRESIDENTE CM TORRES NOVAS

No entanto, a questão acabou por ser repensada, e a Junta de Freguesia de Riachos achou que o projeto de bilhar poderia criar uma excelente dinâmica no bairro da SóPovo, pelo que “transmitiu-me as suas dúvidas e combinámos em conjunto haver uma Assembleia de Freguesia, onde fiz questão de estar presente para tentarmos aferir e chegar a uma conclusão se era de continuar a avançar com o direito de preferência ou não”, disse Pedro Ferreira.

O edifício vai ser explorado como restaurante e café pelo Mamma Mia, mas os salões vão ser cedidos à Associação de Bilhar de Santarém (ABSAN) para a prática de bilhar. Foto: Pixabay

Conforme explicou o autarca, na dita Assembleia chegou-se à conclusão que a grande maioria da população presente, representantes de algumas coletividades, e “sobretudo da força da Assembleia de Freguesia e da Junta de Freguesia”, considerava melhor opção permitir a associação de bilhar poder ali gerar uma dinâmica, pelo que o presidente da autarquia torrejana contactou todos os vereadores, incluindo os da oposição, que manifestaram abertura para que se pudesse fazer um retorno na decisão na próxima reunião de Câmara, a 27 de julho.

“Eu já me pronunciei e já contactei o administrador de insolvência, dizendo que a Câmara assim já não iria avançar com o direito de preferência, e portanto a associação de snooker vai ter a possibilidade de desenvolver ali a sua atividade, e espero que sim, que é uma atividade muito dinâmica, que traz muita gente de fora de Riachos”, disse Pedro Ferreira, referindo que o dinheiro que iria ser gasto na aquisição do edifício vai eventualmente ser investido “positivamente noutro projeto qualquer que Riachos tem, que tem sempre muitos”.

Tiago Ferreira, vereador eleito pelo PSD, disse no entanto ao nosso jornal que mantém a sua posição inicial, tendo inclusive sugerido ao presidente da autarquia torrejana que a Câmara acionasse o direito de preferência e fizesse um contrato de exploração com a associação de bilhar, onde os investimentos fossem feitos pela referida associação, com uma renda simbólica, e que caso algum dia houvesse algum problema com a execução desse contrato o imóvel retornasse à Câmara.

Luís Lopes Couve, proprietário do estabelecimento riachense Mamma Mia, ligado à ABSAN, foi quem acabou assim por adquirir o edifício que, conforme explicou ao nosso jornal, vai funcionar como café e restaurante, sendo que os três salões vão ser cedidos à associação de bilhar para a prática desportiva, onde vão ser colocadas 12 mesas de bilhar.

Naquele que vai ser o primeiro passo, e que é considerada uma prioridade, vão ser colocadas mesas de bilhar de nove pés (mesas maiores do que as regulares), tendo em conta que no distrito de Santarém não existem mesas deste tipo.

À semelhança do que aconteceu a outras cooperativas de habitação um pouco por todo o país, a Sópovo entrou em insolvência no final de 2015, depois de 40 anos de atividade em que pôs de pé cerca de 700 casas por todo o concelho de Torres Novas.

*artigo atualizado às 12h30 de 20 de julho

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Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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