A Câmara Municipal de Torres Novas deliberou por unanimidade exercer o direito de preferência e adquirir o edifício da antiga Sópovo – Cooperativa de Habitação Económica de Riachos, cujo processo de insolvência teve início em 2015. Embora tenha também aparecido um interessado em nome individual na compra do imóvel, o executivo camarário considerou importante assegurá-lo como propriedade do município e exercer o direito de preferência.
A questão de quem iria ficar como proprietário e a gerir o edifício levantou-se desde a insolvência da Sópovo, pelo que os vários presidentes de Junta de Freguesia de Riachos apelaram à aquisição do edifício por parte da Câmara, uma vez que o mesmo seria vantajoso para Riachos, conforme deu conta Pedro Ferreira (PS), presidente da município, na última reunião de executivo, tendo-se chegado a ponderar a transferência da Junta de Freguesia para o edifício.
Depois do primeiro contacto com o administrador da insolvência, que colocou o imóvel à venda, “ficou no ar” a possibilidade de a Câmara o adquirir. Antes de ser tomada uma posição ou de se ter decidido levar o assunto a reunião de Câmara, apareceu um interessado – uma figura conhecida e que tem um restaurante em Riachos, segundo Pedro Ferreira – que se propôs comprar o edifício por 38.400€.

Depois de falar com a Junta de Freguesia de Riachos, Pedro Ferreira diz que se pretendeu optar pelo direito de preferência, porque “há várias situações que, segundo a Junta, ressaltam e ajudam bastante uma parte social de Riachos”.
É que existem duas sedes de associação (propriedade da Junta de Freguesia) junto ao Jardim de Infância de Riachos, o qual tem a necessidade de ser ampliado, até porque “como todos sabemos, a nível concelhio, é extremamente importante a questão dos jardins de infância”, disse Pedro Ferreira.
A ideia, portanto, seria a de o Jardim Infantil de Riachos ficar com as sedes das associações para poder se poder expandir, e as duas coletividades mudariam a sua sede para o edifício da Sópovo.
Outro ponto da questão, pelas palavras do líder da autarquia, é que a Junta de Freguesia acha que “é importante para Riachos, e até pelo valor do imóvel em si, a Câmara adquirir, e depois procurar a melhor forma de ocupação daquele espaço”.
A ideia do interessado que se apresentou disponível para comprar o edifício – e que é vice-presidente da Associação de Bilhar de Santarém (ABSAN) – é a de passar a sede da associação para aquele espaço e a Federação de Bilhar aproveitar os três salões do imóvel para colocar 12 mesas de bilhar, bem como aproveitar o bar para restauração, até tendo em conta a realização dos campeonatos de snooker e bilhar.
“Deu-me uma noção que aquilo podia ter uma dinâmica interessante para Riachos e para o concelho. Isso tem obviamente o valor que tem, no nosso entender, não podemos é deixar de ouvir, sentir, as preocupações da Junta de Freguesia, que representa a população de Riachos, independentemente do número de habitantes que tem Riachos, mas é uma força viva do nosso concelho, sem dúvida, cerca de 6 mil habitantes, e que devemos tomar em consideração as preocupações deles”, afirmou Pedro Ferreira.
O presidente do município acrescentou que falou com a pessoa em questão e que lhe relatou as preocupações da Junta de Freguesia, e que, além disso, lhe referiu que caso a Câmara venha a deliberar comprar, “nada impede” que se possa encontrar uma “solução intermédia” e conjugar o espaço, até porque o mesmo tem uma “área significativa” de cerca de 1000 metros quadrados, segundo Pedro Ferreira.
“Da nossa parte, independentemente das intervenções que venham a seguir, não nos sentimos à vontade que não seja corroborar os anseios da Junta de Freguesia, conscientes que estão ligados a problemas de questões também sociais e que são importantes”, disse o líder do município torrejano, acrescentando que, embora o imóvel necessite de obras, vale bastante pela constituição que tem, pelo que é mais um património que é enriquecido em termos municipais e da freguesia e que há esta “porta final” de poder ser concessionado o bar, a restauração, e eventualmente chegar-se a um acordo com a associação representada a título individual pelo interessado.
Na sua intervenção, o vereador do PSD, Tiago Ferreira, afirmou que se existe um projeto e uma ideia para o edifício, “a Câmara tem obrigação de o fazer”, nem que posteriormente seja criado um contrato de concessão.
“Não podemos ficar no facto de alguém querer adquirir o imóvel com um conjunto de intenções, que não estão devidamente comprovadas, porque uma coisa é a gente dizer que quer fazer, outra coisa é a gente fazer. E eu sei que se a Câmara fizer, pode demorar algum tempo, mas tenho a certeza que vai fazer”, afirmou o edil, acrescentado que acha “importante” avançar-se com o exercício do direito de preferência.
Por seu turno, a vereadora Elvira Sequeira (PS) demonstrou algumas reticências quanto ao processo.
“Às vezes tenho ideias um bocado diferentes, mas não me inibo de as dizer”, começou por afirmar, dando conta que embora a alienação seja importante para Riachos, uma vez que o imóvel precisa efetivamente de ser requalificado e de lhe ser dada uma utilização que também valorize a vila de Riachos, existem outras “questões”, que especificou.
A edil relembrou que a Câmara detém o pavilhão de Riachos, a Casa do Povo (a qual está para requalificar), o Cinema Olímpia, “património cultural e relevante da terra” que nunca chegou a ser adquirido “por um preço de 45/50 mil euros na altura, por não ter sido possível”.
“Além de haver um privado que o quer adquirir e utilizá-lo para um determinado fim, além de a Câmara já ter todo este património a gerir em Riachos – e se calhar ao adquiri-lo vai dar-lhe o mesmo fim que não é aquele que se calhar a Junta de Freguesia pretende, que é atribuí-lo a uma associação de bilhar que é o que quer o privado – eu fico um bocado preocupada, porque neste momento nós não temos orçamento e sabemos todos os tempos que vivemos”, disse Elvira Sequeira, que sublinhou ainda o facto de além da aquisição vai ser necessária uma requalificação do edifício.
“Fico preocupada, mas não deixo de acompanhar aquilo que for a vossa votação”, terminou a vereadora, pelo que o ponto foi aprovado por unanimidade.
À semelhança do que aconteceu a outras cooperativas de habitação um pouco por todo o país, a Sópovo entrou em insolvência no final de 2015, depois de 40 anos de atividade em que pôs de pé cerca de 700 casas por todo o concelho de Torres Novas.
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