Executivo da Câmara Municipal de Abrantes. Foto: mediotejo.net

O executivo da Câmara Municipal de Abrantes aprovou por unanimidade uma declaração de apoio ao projeto Magellan 500 para a construção de um novo aeroporto em Santarém. O documento, apresentado a votação pelos eleitos do Partido Socialista, mereceu a concordância dos vereadores de oposição, Vasco Damas (ALTERNATIVAcom) e Vítor Moura (PSD). Esta declaração será também remetida a votação em sede de Assembleia Municipal de Abrantes.

No documento a que o mediotejo.net teve acesso é destacado o Projeto Magellan 500, “um projeto de iniciativa privada para a construção de um aeroporto na região de Santarém, que foi incluído em duas das cinco opções estratégicas”, apresentadas em Conselho de Ministros, nomeadamente para uma “solução dual, em que o Aeroporto Humberto Delgado terá o estatuto de aeroporto principal e um Aeroporto localizado em Santarém o de complementar”, ou a opção de “construção de um novo aeroporto internacional localizado em Santarém, que substitua, de forma integral, o Aeroporto Humberto Delgado”.

Na declaração de apoio, o executivo municipal de Abrantes destaca a mais-valia em termos de localização do novo aeroporto de Santarém. “Com uma localização estratégica, o aeroporto estará a poucos quilómetros da Linha do Norte, o que possibilita a criação de um ramal dedicado, integrado na já prevista quadruplicação da linha na região, reafirmada no quadro do projeto de alta velocidade da linha Porto-Lisboa. Com isto, os passageiros poderão chegar à Gare do Oriente em apenas 30 minutos, tendo depois acesso direto a todas as linhas de metro e a todas as linhas suburbanas da região de Lisboa”.

“No que diz respeito às infraestruturas rodoviárias, além do acesso à A1, o aeroporto ficará perto do cruzamento de várias autoestradas com acesso direto a Lisboa, ao Oeste pela A15, a Sul pela A13 e ao interior norte através da A23. Trata-se de uma rede global de transportes que coloca cerca de 4 milhões de portugueses a uma hora de distância do aeroporto”, pode ler-se.

Na declaração é feita referência ao trabalho nos últimos anos e ao “consórcio de empresas privadas nacionais em colaboração com os agentes locais” que “construíram um projeto ambicioso, assente numa planificação de um aeroporto flexível e escalável em 5 fases, que vão desde a fase inicial, com capacidade para 10 milhões de passageiros por ano, até à última fase, com três pistas, que permitirão ao aeroporto atingir 100 milhões de passageiros por ano, valor indicado nos estudos existentes para a procura num prazo de 40 anos. Um projeto cujo investimento será totalmente realizado por privados, retirando grandes encargos dos bolsos dos contribuintes, nomeadamente no que diz respeito à criação de novas infraestruturas de acesso, como decorre nos restantes projetos em análise”.

Projeto do aeroporto internacional na zona de Santarém. Créditos: Magellan 500

Quanto à localização no distrito de Santarém, é ainda apontado no documento um conjunto de benefícios e mais-valias que, afirmam, se sobrepõem às das restantes opções apresentadas. “A escolha da localização do novo aeroporto na região de Santarém apresenta claras vantagens em relação às demais propostas, tanto na vertente ambiental, como na infraestrutural ou do ponto de vista dos encargos para os contribuintes, tornando-a, na nossa opinião, na opção mais favorável. No entanto, a opção estratégica a ser tomada pelo Governo deve ter em conta uma perspetiva mais abrangente sobre o futuro do país, do seu território, da sua demografia, cultura, economia e da desejada coesão territorial”, lê-se.

Assim, e referindo-se que “é urgente travar esta espiral de litoralização do país, e para se concretizar este desígnio há que definir políticas públicas que respeitem o princípio da coesão territorial, sendo a
instalação de um projeto desta magnitude na nossa região uma oportunidade única e irrepetível, e que representaria uma nova dinâmica económica e social em toda a zona centro e no interior de Portugal, valorizando não só a região, como todo o país”, entendem os eleitos da Câmara Municipal de Abrantes.

A localização do novo aeroporto em Santarém “significaria dar a toda a zona centro uma nova vida, permitindo uma evolução social, demográfica, cultural e económica sem precedentes para todos os distritos da região centro do país, aproximando-os do litoral e criando uma nova centralidade para Portugal”, frisa-se, acrescentando que permitiria a “criação de postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos que os estudos preliminares apontam poder ir até aos 170 mil, o que seguramente ajudariam em muito a nossa região a inverter a tendência de perda de população”.

Créditos: Magellan 500

“Por todas estas razões, acreditamos que o novo aeroporto em Santarém é um projeto que une Portugal, através de uma nova dinâmica económica e social para o centro do país e eleva o país e a região a um patamar cimeiro nas ligações mundiais”.

“Face ao exposto, os elementos do executivo municipal da Câmara Municipal de Abrantes expressam o seu apoio inequívoco à construção de um novo aeroporto internacional localizado na região de Santarém, seja em regime de complementaridade ao Aeroporto Humberto Delgado ou de forma integral em sua substituição”, conclui.

Refira-se que o projeto Magellan 500, apresentado publicamente a 11 de março em Santarém, prevê um investimento privado entre 1000 e 1200 milhões de euros. Prevê-se ainda que o novo aeroporto permita a criação de 820 empregos diretos na nova infraestrutura aeroportuária, que poderá gerar um milhão de passageiros.

Os municípios de Santarém, Golegã, Alcanena e Torres Novas assinaram um acordo de cooperação intermunicipal com vista à congregação de esforços destas autarquias para o planeamento do território para a nova cidade aeroportuária, que se poderá vir a situar-se junto das freguesias de São Vicente do Paul e Casével.

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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