No dia em que decorreu a apresentação pública do projeto Magellan-500, para o novo Aeroporto de Santarém, de iniciativa privada, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, bem como os vereadores de oposição, demonstraram estar em sintonia no apoio a este projeto considerado “muito relevante para a nossa região e para o país”.
O presidente do município de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, falou no assunto na tarde de terça-feira, dia 11 de março, na reunião de Câmara Municipal, referindo que a hora foi alterada pois marcou presença, durante a manhã, na apresentação em Santarém do projeto Magellan 500, o novo aeroporto de investimento privado, que se prevê venha a ser instalado “junto ao nó da A1 em Torres Novas”.
O autarca voltou a mostrar-se expectante com esta iniciativa privada, que já havia considerado ser uma “oportunidade de valorizar a região Centro do país”, e demonstrou ter gostado do que viu e ouviu.
“Deixou-me muito entusiasmado e otimista, porque existem quatro ou cinco razões que nos devem levar a defender este aeroporto em Santarém, na região Centro”, notou.
Valamatos disse ainda que “foi assinado um acordo entre quatro municípios, Santarém, Torres Novas, Alcanena e Golegã, precisamente por ser a zona que será ocupada por esse grande investimento que esperemos que se venha a concretizar”, acrescentando que “estes quatro municípios precisam trabalhar entre si questões dos planos de gestão do próprio território”.
Deixando de fora as “questões técnicas”, que prefere deixar para os entendidos na matéria, o autarca frisou a mais-valia do ponto de vista das acessibilidades, pela localização estratégica, servida de autoestradas, caso da A1, bem como a ferrovia com a Linha do Norte, com passagem do Alfa Pendular, bem como a A23 e a A15, formando um conjunto de infraestruturas que poderão servir de ligação ao novo aeroporto.
“Sem criticar as outras alternativas, não me parece que alguma das outras alternativas não obrigue a um grande investimento público em termos de infraestruturas. Aliás, qualquer aeroporto que seja a sul do Tejo, implica uma nova travessia rodoviária e ferroviária e todos nós sabemos as implicações financeiras que isso obviamente tem”, notou.
O autarca frisou ainda o peso da instalação deste projeto no âmbito da coesão territorial, referindo que “ficou bem evidenciado pelos estudos apresentados que a questão do despovoamento não é uma questão de Abrantes, é uma questão de toda a região Centro, e que é uma matéria de grande sensibilidade e que diz respeito a todos”, acrescentando que “todos têm tido grandes perdas, nesta região em particular” e que o novo aeroporto irá trazer “nova dinâmica económica e social para a região, é um elemento central”.

“Parece-nos que é evidente que está um investimento privado em jogo, permitir que as empresas e os privados possam fazer os seus investimentos e isto tira de cima de todos os cidadãos custos enormes de outro projeto qualquer que esteja em cima da mesa. Fiquei muito otimista”, assumiu.
O edil lembrou ainda a apresentação do projeto que já tinha acontecido no seio da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, e com isto deixou uma mensagem de união e defesa conjunta, numa só voz, para que o projeto vá avante.
“Precisamos todos de estar unidos neste propósito, obviamente cada um irá fundamentar e dar robustez à sua interpretação sobre esta matéria. Se este projeto pudesse avançar, julgo que nos próximos anos tudo poderia alterar-se de forma muito positiva para a nossa região, e tanto que precisamos destes grandes investimentos estruturantes para alavancar o dinamismo económico e social das nossas regiões”, concluiu.
Do lado da oposição, Diogo Valentim, vereador do PSD em substituição de Vítor Moura, demonstrou comungar da mesma opinião sobre a implementação do Magellan 500. “Vimos reconhecer publicamente a relevância deste projeto bem como realçar o impacto económico, social e urbanístico que este investimento possa vir a ter no nosso concelho”.
O vereador social democrata frisou também a importância para todo o território regional, bem como o facto de se tratar de um investimento privado, que não dependerá “de dinheiro público, dos contribuintes”.
“Acho que a comunidade abrantina deve-se envolver de forma muito ativa nesta decisão, e agora através da plataforma que estará aberta aos cidadãos, acho que a Câmara tem também aqui um papel no sentido de tentar promover junto da comunidade algumas sessões de esclarecimento. Estamos a falar de um projeto que irá transformar o nosso território, o distrito de Santarém, o concelho de Abrantes, Leiria, Castelo Branco, Portalegre… acho que temos aqui condições para poder fazer um bom trabalho”.

Diogo Valentim entende ainda que “é uma obrigação do nosso executivo pensar mais à frente e preparar o futuro do nosso concelho, dada a importância deste projeto”, disse, sugerindo que se avance na autarquia com um estudo de impacto, bem como se pense no reaproveitamento de infraestruturas, caso do ramal ferroviário junto à zona industrial do Pego, uma vez que se poderá prever o crescente interesse de fixação de mais empresas por via deste investimento privado no distrito.
Já Vasco Damas, vereador eleito pelo ALTERNATIVAcom, também relevou o projeto do aeroporto privado de Santarém. “Acreditamos que são estes projetos que nos colocam no caminho do desenvolvimento. Que não haja dúvidas, relativamente a esta matéria, projetos estruturantes que podem mudar a realidade como nós a conhecemos, sr. Presidente, estaremos sempre juntos”.
Na próxima reunião de Câmara, que se realiza dia 18 de abril, integra a ordem de trabalhos a aprovação de declaração de apoio ao projeto Magellan 500, do novo Aeroporto em Santarém, documento que será depois submetido a aprovação em sede de Assembleia Municipal.
O Magellan 500 prevê um investimento privado entre 1000 e 1200 milhões de euros. Prevê-se ainda que o novo aeroporto permita a criação de 820 empregos diretos na nova infraestrutura aeroportuária, que poderá gerar um milhão de passageiros.
Os municípios de Santarém, Golegã, Alcanena e Torres Novas assinaram um acordo de cooperação intermunicipal com vista à congregação de esforços destas autarquias para o planeamento do território para a nova cidade aeroportuária, que se poderá vir a situar-se junto das freguesias de São Vicente do Paul e Casével.
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