Bróculos. Foto: DR

O leitor, certamente já com a expressão: estás metido num molho de bróculos!, ao receber esta advertência terá perguntado a si mesmo que raio de maldade lhe está a ser assacada, não sabendo qual a cor dos bróculos, nem o sabor, muito menos o seu papel no contexto alimentar das populações.                                                                                                                                                                                                                            Excelente legume ao qual não concedemos a devida atenção, quantas vezes por preguiça dado não ser muito cultivado e conhecido em terras ribatejanas. Não é couve-flor, mas é da família, pouco a pouco ganhou notoriedade alimentar especialmente no nicho da comida para bebés, doentes e idosos por via das suas virtudes curativas, especialmente quando cozido.

Na pátria do Astérix, servem-se na qualidade de acompanhamento num molho de manteiga, já assim era no século XIX, assim o afiança Alexandre Dumas no seu clássico Grande Dicionário de Culinária. O autor de Os Três Mosqueteiros (agora no esquecimento) sublinha a palavra Culinária e sublinha muito bem, ao contrário de empalhados plumitivos que preferem escrever Gastronomia, esquecendo a especificidades dos dois vocábulos.

O leitor dado a experimentações tente mostrar à sua mulher que também tem jeito para a culinária gratinando bróculos e/ou brócolos, se os utilizar na qualidade de recheio de peixes também faz um brilharete, para lá das sopas ricas ou pobres, dos pastelões, das empadas e omeletas.

Os bróculos apresentam-se num verde escuro musgo até um esverdeado e, azulados com salpicos de sépia são muito sensíveis e delicados, por isso o seu emprego em cozinha deve ser rápido.

Gosto de bróculos em salada, os diletantes escolhem vinhos brancos perfumados e leves como acompanhamento das ditas saladas que devem corresponder ao cânone: temperadas por um louco, mexidas por um cego.

Como sabemos o terrunho ribatejano produz excelentes vinhos brancos, por todas as razões limito-me a lembrá-lo não a enunciar as minhas preferências. Os necessitados de cálcio têm nos bróculos/brócolos lenitivo para os seus achaques.

Armando Fernandes

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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