Diz o anexim: com papas e bolos se enganam os tolos. Está a findar a quadra natalícia, no entanto, o uso e abuso de todo e qualquer acontecimento fora do quadro convencional do deslizar temporal dos dias correntes leva as pessoas a alegrarem o dia fazendo e comendo bolos, sejam grandes, sejam pequenos, sejam nomeados ou sem nome, importa isso sim, salientar a diferença através de um bolo.
Para lá do icónico bolo de Reis (bolo-rei), para lá dos bolos anónimos concebidos a propósito de tudo e a propósito de nada, todas as nações possuem bolos que simbolizam nações e regiões, simbolizam épocas de abastança e penúria.
Por cá temos os singelos e deliciosos económicos das classes populares, os de arroz do menino choroso depois de ter satisfeito a vontade comendo um, logo a seguir desata a chorar saudoso da moeda de dez tostões gasta na sua aquisição. Bolo bom, o celebrado bolo podre, bolo de nozes, bolo de nozes e amêndoa. O eclesiástico bolo do prior, o clássico bolo inglês, o bolo rápido, bolo de maçã reineta, bolo russo, bolo alemão, bolo do Porto, bolo de Sabóia e para finalizar o milagreiro Santo António também empresta o seu nome a um bolo.
Os exemplos acima apontados permitem perceber a amplitude do referido anexim: com papas e bolos se enganam os tolos.
Falarei de papas noutra crónica.
Quinta dos Penegrais
Um tinto denso, brilhante no copo, perfumado, macio, guloso, capaz de reagir enérgico caso se transgrida o bom senso no seu beber. O acima escrito quase imita um sermonário de pai preocupado a dizer ao filho as qualidades do tinto em causa de modo a este ter contenção. O filho assustado ante as palavras paternais opta por consolar o palato ingerindo outra bebida.
Não é segredo para ninguém, o facto de o vinho não merecer a preferência dos jovens porque os cotas deviam explicar as qualidades do vinho (os malefícios bebido em excesso) e a existência de vinhos capazes de responderem a desejos seja de noite, seja de dia e à hora do meio-dia. Brancos, rosados ou rosés, claretes, tintos, tranquilos ou intranquilos, licorosos e generosos.
Escrita a prédica desculpabilizante envolta em palavras a desejar Bom Ano ao Médio Tejo, atrevo-me a sugerir aos leitores apreciarem o tinto em causa a acompanhar enchidos e queijos da temporada, carnes vermelhas, sem esquecer as porcinas pós matança dos estimados recos, antiga despensa caseira no decurso do ano. Bom Ano.
Origem – TEJO. Casta: Alicante Bouchet. Produzido e engarrafado por: António Machado Carvalho. Rio Maior.Ano de colheita: 2017. Graduação: 14º.
