Carne de bisonte. Foto: DR

Os cinéfilos ainda guardam no bolso da memória cenas dos filmes de cowboys onde surgem manadas de bisontes que os vaqueiros guiavam até ao estampido de um tiro de espingarda provocar o tresmalhe da manada. Nessa altura Gary Cooper ou actor de qualidade semelhante conseguia saltar para o dorso do bisonte chefe da manada e após porfiados esforços o bovídeo selvagem aquietava-se de forma a filha de peitos opulentos a saltarem da blusa (p.e. Virgínia Mayo ou Jane Mansfield) felicitarem o domador beijando-o furiosamente para gáudio dos espectadores adolescentes.

Pois bem, pensemos na sua carne dura transformada em suculentos e macios bifes capazes de ombrearem com bifes de vitelas das sápidas raças portuguesas. E, isso acontecia frequentemente, Como?

Os bisontes cruzados com vacas dão os boefolos cuja carne é macia (assim o percebi num restaurante canadiano), no entanto, muitas receitas de bisonte são de inspiração índia, ou não fossem os índios grandes admiradores deste animal que para eles representam a prosperidade, assim como o porco a representa para os chineses e para os povos da Península Ibérica.

Os índios reduziam a sua carne a pó em conúbio com a gordura e o tutano, fazendo uma pasta que colocavam em sacos, para de seguida os calcarem com os pés, ficando essa massa em condições de ser barrada no pão, enriquecer sopas e outros pratos.

A carne do bisonte deve ser antecipadamente marinada antes de ir ao forno e à grelha. Também na fórmula de fumada é muito apreciada nas pradarias americanas e canadianas.

Se o leitor tiver ensejo de a degustar acompanhe-a com um bom vinho tinto, esquecendo o visto nos míticos filmes de outrora!

Armando Fernandes

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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