Beterraba. Foto: DR

Existem várias variedades desta planta carnuda muito utilizada na indústria açucareira, de destilaria e como forragem. No entanto, cultivada desde a Antiguidade, a beterraba da horta de polpa fina é empregue na alimentação humana como legume, fortemente corada usa-se na cozinha quando algum prato exige ser colorido.

Nos países do norte da Europa a variedade mais pequena é cozida e conservada em vinagre para acompanhar carnes cozidas.

As suas folhas durante séculos deram substância a sopas e caldos, agora emprega-se como aos espinafres guarnecendo pratos de peixe e de carnes frias. Muito rica em açúcares, vitaminas e cálcio a beterraba em algumas regiões do País goza de boa reputação, por isso mesmo os receituários locais disso nos dão conta.

No Nordeste transmontano a beterraba denominada rabões (grossos e duros) previamente cozidos dão corpo (davam) às chamadas lavagens de tudo para alimentarem os porcos especialmente nos prelúdios das matanças porque a carne dos suínos ficava mais gostosa.

Nos dias que correm as transformações fundamentalistas e o envelhecimento das populações quase levou (vai levando) à extinção das matanças para evidente prejuízo dos nossos palatos.

Armando Fernandes

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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