Feira Medieval regressa a Belver até este domingo. Foto: mediotejo.net

O estacionamento faz-se nas imediações, nomeadamente no campo da bola, e o ideal é subir a pé até ao largo da Igreja, sempre guiados pelo Castelo altaneiro, também ele engalanado a rigor. No final de tarde de sexta-feira já estava tudo a postos para entrar naquele portal que permite a entrada noutra dimensão, recuando no tempo e vivenciando um novo espaço. Estavam reunidas as condições para iniciar o convívio.

As tendas coloridas e bancas já contornavam o largo, e cheirava a porco no espeto, que depois foi saindo em sandes para quem foi aproveitando para começar a petiscar e refrescar na zona do repasto.

Com arruada, animação pela Companhia de Teatro Almanach, houve tempo para a chegada de Afonso Paes ao recinto, recuando a 1194, encenando a doação por D. Sancho I – ali representado pelo deputado da Assembleia da República, Eduardo Alves – das terras de Guidintesta, para que este ali construísse o castelo. Foi a partir daqui que se deu a abertura de mais uma edição do certame nas ruas circundantes ao largo da Igreja Matriz de Belver.

Ali houve tempo para música, luta de espadas, teatro, danças mouriscas e demais entretenimento, que incluiu gargalhadas do público que se foi juntando em meia lua e êxtase por parte das crianças surpreendida, saltitando na fila da frente, com a encenação que presenciavam.

A Feira Medieval é uma “festa do povo”, assim a caracteriza a presidente de Junta de Belver, Martina Jesus. A festa arrancou na sexta-feira, e prolonga-se até domingo, feita pelas mãos do povo e com o apoio das associações locais, contando com empresários e artesãos belverenses.

Em vias de quase não se realizar, pois a Câmara Municipal de Gavião era até agora entidade organizadora e entendeu não avançar com o evento, a força da comunidade falou mais alto, contestou a decisão e eis que este certame regressa pela mão da Junta de Freguesia e apoio da sua Assembleia, com esperança na retoma cultural, ansiada pela população após a suspensão imposta pela pandemia nos últimos dois anos.

Para a presidente de junta este evento lançado em 2001 na localidade ribeirinha “é do agrado de todas as pessoas de Belver e dos que nos visitam e de toda a região”, salientando que a satisfação das pessoas por este regresso é notória.

“Após dois anos, as pessoas estavam ansiosas para que houvesse festa, até porque é das mais importantes, se não for a mais importante desta freguesia. As pessoas estão satisfeitas, toda a comunidade envolveu-se muito, tivemos muito apoio de particulares, empresas, da Câmara Municipal com apoio logístico”, salientou.

Este evento é resultado de um “exemplo de força e solidariedade das pessoas da vila”, movimento que deu alento para avançar com estes dias de festa. “Todas as pessoas colaboraram imenso neste projeto, foi muito gratificante”, destacou Martina Jesus, não tendo dúvidas que o evento será “um sucesso”.

Fazendo o convite para que todas as pessoas se dirijam a Belver por estes dias, Martina Jesus refere que ninguém se arrepende de visitar esta “vila história, com potencial enorme a nível de turismo, seja a nível do seu património natural, seja a nível da História e das tradições e cultura”, sendo certo que quem vier por ocasião da feira medieval, certamente quererá depois voltar.

Com esta envolvência no regresso à Idade Média, há ainda um programa com referência à gastronomia, com animações várias ao longo dos dias, com vestuário da época disponível de forma gratuita para quem queira trajar a rigor, embarcar na viagem pelo tempo e participar de forma mais vincada na festa medieval.

Conta ainda o certame com uma feira de artesanato, com artesãos que vêm de todo o país e do estrangeiro, com bijutaria, peças de mobiliário, joalharia, flores secas, doçaria, e brinquedos de madeira, entre outros.

Foto: mediotejo.net

“É todo um arraial medieval, muito divertido e convido todos a visitarem. As pessoas que aqui vierem não se irão arrepender”, assegura a presidente de Junta.

Presente na abertura do certame belverense, a par das edilidades do Município de Gavião, da Assembleia Municipal, corporação de Bombeiros e demais representantes concelhios, esteve Eduardo Alves, deputado socialista da Assembleia da República eleito pelo círculo de Portalegre, que sublinhou a importância da retoma dos eventos culturais que marcavam as agendas das localidades antes do interregno pandémico.

“Após dois anos com estas iniciativas congeladas é muito importante que voltemos a alimentar e organizar estes momentos, que não só dinamizam as nossas aldeias, freguesias e concelhos, como também trazem uma parte recreativa e cultural que é fundamental para as nossas vidas”, sublinhou o deputado.

Martina Jesus, presidente da Junta de freguesia de Belver, ladeada pelo deputado da AR Eduardo Alves e membro da companhia de teatro que dinamiza a feira medieval. Foto: mediotejo.net

Eduardo Alves destacou ainda o facto de Belver aliar “um deslumbrante património natural, à beira do rio Tejo, com um património histórico invejável”, crendo que se juntam “todos os ingredientes para que todos possam, durante este fim de semana, visitar esta bonita freguesia do Alto Alentejo e que possam usufruir destas festividades, da simpatia e amabilidade das suas gentes e desta boa organização que a junta de freguesia e as associações locais aqui fizeram”, destacou.

A XVII edição da Feira Medieval de Belver decorre nos dias 24, 25 e 26 de junho e o programa das festas anuncia um cortejo real, treinos de armas, danças mouriscas e um banquete no domingo, no Miradouro do Outeirinho, além de tasquinhas da época e animação musical. O evento leva assim até à vila representações da época medieval bem como vários artesãos que, durante três dias, recriam um ambiente diferente, sendo motivo de atração para milhares de pessoas.

Este sábado a abertura tem lugar a partir das 17h00, com cortejo real uma hora depois e leitura do foral às 19h00. O treino de armas de cavaleiros da Ordem do Hospital decorre às 21h00 e a festa com danças e música continua até às 24h00.

No domingo há banquete medieval, mediante inscrições prévias na junta de freguesia, que acontecerá no Miradouro do Outeirinho, às 19h00, servido pelos alunos do Curso Profissional de Restauração e Bar do Agrupamento de Escolas de Gavião. O menu será peixe do rio de escabeche e pernil assado com tâmaras, com bebidas (água ou vinho) e sobremesa (bolo de maçã) por 15 euros.

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Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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