Há uma quadra relativa à azeitona que diz “para dar luz ao mundo de mil tormentos padeceu”. Ora, relativamente à batata «descoberta» pelos espanhóis nos primórdios da colonização, a que séculos mais tarde o poeta Pablo Neruda dedicou uma ode, no tocante a ser acusada de transmitir a lepra e outras doenças, por isso, muito deve ao farmacêutico-chefe do exército francês Parmentier, dado a sua acção e estudos fazerem prova/provada de o tubérculo andino ser alimento nutritivo e saudável.
Até ali (finais do século XVIII) a batata destinava-se à alimentação dos porcos, indigentes e pessoas desvalidas de tudo. As batatas, apareciam na forma de farinha que se misturava com farinha de centeio e trigo quando as colheitas deste último cereal eram de excepcional abundância.
O infatigável Parmentier só descansou quando a «trufa branca ou a vermelha» logrou aparecer cozinhada nas mesas da aristocracia e da burguesia francesa, por cá, ainda nos finais do século XIX, a batata na áspera e pouco fértil província de Trás-os-Montes apenas servia para engordar os porcos.
Desde há dezenas de anos a batata é alimento estratégico, sendo cozinhada nas sete cozeduras do cânone culinário, existindo centenas de receitas relativas ao modo de as transformar em sápidas refeições, como não podia deixar de ser, o nome Parmentier também figura enquanto receita, ao lado de outras personalidades de todas as áreas do conhecimento.
A história relativamente ao famoso tubérculo, também génese de bebidas sulfurosas para a mente e licorosas para o palato, desdobra-se em milhares de livros de todos os géneros, filmes, documentários científicos e de entretenimento, guias turísticos, não se podendo colocar as meninas (batatas) no saco vermelho dos interditos das facécias e jocosidades referentes às batatadas das e dos cabeças da dita cuja trufa andina e não só.
A batata alimento mitigador de terríveis fomes é objecto de estudos e relatos dramáticos que os irlandeses continuam a lembrar sombriamente.
