O historiador e antropólogo Franz Paul Almeida Langanhaus, no seu trabalho sobre o azeite em Portugal (1940), refere quão enorme e veloz foi a progressão da oliveira em Portugal, com a natural constituição/construção de centros oleícolas a partir da zona de Coimbra até ao reino dos Algarves. Por seu turno, encontramos referências à manteiga, nas crónicas medievais e, em especial nos autos de Gil Vicente, o pai do teatro português.
A expansão da cultura da oliveira vinha da civilização romana ampliada pela civilização muçulmana, a toponímia é fiel depositária das vinculações ao azeite e à manteiga, podendo-se afirmar sem reservas que somos um país de azeiteiros, já manteigueiros em reduzida escala, mais em virtude dos cozinheiros a trabalharem na corte e casas nobilitadas e dos negociantes e mercadores estrangeiros.
Como resultado de tal realidade a nossa cozinha prefere o óleo das azeitonas à manteiga do leite do gado caprino, ovino e vacum, mesmo no que tange aos queijos o azeite é competente resguardo e conservante.
Os povos do Norte, por óbvias razões, preferem a manteiga, nós, o azeite, no entanto, no segmento doceiro a manteiga conheceu uso relevante, perdido a favor da margarina, mercê das campanhas televisivas de Maria de Lourdes Modesto. A margarina Vaqueiro, mácula jamais olvidada por todos quantos foram e são fiéis aos produtos genuínos.
A senhora morreu recentemente, recebeu loas e louvores, a margarina passou a Margarida mefistofélica!
