A Tejo Ambiente é uma empresa detida a 100% por 6 municípios do Médio Tejo: Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar e Vila Nova da Barquinha. Créditos: Tejo Ambiente

A Câmara Municipal de Tomar tomou conhecimento, na última reunião do executivo, dos tarifário atualizado da Tejo Ambiente para o ano de 2025, que irá agora à sessão extraordinária da Assembleia Municipal agendada para este sábado, às 14h30. Tiago Carrão, vereador eleito pelo PSD, afirmou que a sessão vai servir para, além de debater a questão dos tarifários, “falar do projeto Tejo Ambiente e dos benefícios que possa ter ou não para Tomar”, o que o presidente do município, Hugo Cristóvão (PS) afirmou duvidar, tendo lembrado que a proposta de tarifário foi chumbada pelo PSD.

“A dada altura no processo quiseram-nos fazer crer que tínhamos só duas hipóteses: o tarifários proposto em Assembleia Municipal e o tarifário proposto pela ERSAR… A questão da viabilidade é o que vamos aferir realmente no sábado, na Assembleia Municipal. Perceber se efetivamente era assim e cá estaremos para ver isso. Ou seja, deixar apenas isso no ar porque é para isso que a Assembleia Municipal vai servir no sábado”, referiu o vereador social-democrata.

“Infelizmente temo que a Assembleia vai servir para tudo menos para isso”, respondeu o presidente da Câmara Municipal de Tomar, Hugo Cristóvão (PS).

De acordo com Hugo Cristóvão, a sessão irá “servir para muito ruído e nomeadamente também para dar voz àqueles que, desde o início, demonizam esta empresa com ideias erradas… tenho pena, nesta Câmara só estão representados dois partidos, mas tenho pena que o maior partido da oposição esteja de alguma forma, seguramente pelo ano em que estamos, a embarcar nessa ideia e nesse caminho que pode ser, de facto, complicado para Tomar”.

ÁUDIO | O assunto foi abordado durante a última reunião do executivo de Tomar

O edil voltou a sublinhar que, caso o concelho saísse da Tejo Ambiente ou esta se extinguisse, Tomar “seria o município mais prejudicado”.

“É isso que é preciso ter em conta, é isso que é discutir as coisas com realismo e com seriedade”, acrescentou.

Hugo Cristóvão, presidente da Câmara Municipal de Tomar. Foto: arquivo mediotejo.net

Tiago Carrão recordou o “aumento extraordinário na casa dos 22%” solicitado a todos os clientes da empresa intermunicipal para “viabilizar a empresa e que o PSD tomou a opção responsável sobre isso”.

“Não nos podemos esquecer que passou pouco tempo desde esse aumento. O facto de a empresa (…) dar ou não dar prejuízo, nós basicamente estamos a falar de duas opções muito concretas, estamos a falar de penalizar o cliente/consumidor, que é a opção tomada pela gestão da Tejo Ambiente ou se a empresa der prejuízo e é isso que vamos perceber no sábado (…), mas se isso acontecer penaliza quem? Penaliza os municípios que, no fundo, são os gestores da Tejo Ambiente”, disse o vereador.

ÁUDIO | Tiago Carrão (PSD) vereador na Câmara Municipal de Tomar

“É preciso ter em conta todo este contexto para perceber realmente e falar abertamente sobre a Tejo Ambiente e acho que é isso que se espera da Assembleia Municipal (…), não só sobre o tarifário que acaba por ser uma coisa menor, falar efetivamente do Projeto Tejo Ambiente e dos benefícios que possa ter ou não para Tomar”, acrescentou o social-democrata.

Tiago Carrão, vereador do PSD na Câmara Municipal de Tomar. Foto: DR

O responsável autárquico recordou que existem custos de operação que são necessários “ter em conta” e que a atualização dos tarifários da Tejo Ambiente tem de acompanhar a inflação.

“Se os salários aumentam, se a energia aumenta, o combustível, a aquisição de serviços, tudo aumenta, como é que era possível essa ideia peregrina, retirada de uma frase fora de contexto, que surgiu na Assembleia Municipal, de que até era possível fazer aumentos negativos?”.

ÁUDIO | Hugo Cristóvão, presidente da Câmara Municipal de Tomar

“Todos com certeza queremos pagar menos, mas com certeza também temos uma noção real das coisas. Se operação tem mais custos, qual é a única forma de equilibrar esses custos? Com o tarifário. Portanto, atualizar de acordo com a inflação era aquilo que era razoável, que era sensato”, concluiu Hugo Cristóvão.

Ainda sobre a questão dos tarifários da Tejo Ambiente, a Inspeção-Geral de Finanças e a Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos receberam uma queixa que denuncia a “ilegalidade do tarifário aplicado aos Municípios” por esta empresa intermunicipal.

De acordo com o documento, trata-se de “uma violação dos princípios legais que regem as empresas municipais e a gestão tarifária dos serviços de águas e resíduos, nomeadamente o Regime Jurídico da Atividade Empresarial Local e das Participações Locais, aprovado pela Lei n.º 50/2012, de 31 de agosto, bem como o normativo da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) sobre a estrutura tarifária aplicável”.

O tarifário aplicado “representa uma discriminação negativa contra os municípios utilizadores, impondo-lhes encargos muito superiores aos dos restantes utilizadores não-domésticos, incluindo entidades privadas e instituições públicas não municipais”.

“A presente situação viola gravemente o quadro legal vigente, com destaque para (…) o Regime Jurídico das Empresas Municipais (Lei n.º 50/2012, de 31 de agosto), que estabelece que as empresas locais não podem beneficiar de subsídios, indemnizações compensatórias ou quaisquer outras formas de apoio financeiro dos municípios, exceto através de contratos-programa”.

“A prática tarifária atual da Tejo Ambiente configura um subsídio indireto dos municípios à empresa pública intermunicipal, uma vez que os municípios acionistas suportam encargos tarifários significativamente mais elevados, canalizando recursos financeiros municipais para a empresa através de uma tarifação desproporcional”, lê-se na nota.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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