Obra de construção de reservatório de água e estação elevatória encostada a muro do cemitério de Carvoeiro causou indignação à população, que reivindicou alteração de local à empresa Tejo Ambiente. Fotos: DR

A controvérsia começou assim que a população notou a obra encostada ao muro do cemitério de Carvoeiro, a ser levada a cabo pela Tejo Ambiente – Empresa Intermunicipal de Ambiente do Médio Tejo, responsável pela gestão integrada e partilhada dos Sistemas de Abastecimento de Água, de Saneamento de Águas Residuais e recolha de Resíduos Sólidos Urbanos. O transtorno pela localização escolhida e o descontentamento levaram a junta de freguesia a agir, defendendo e dando voz à posição da sua população, algo que acabou por fazer a empresa voltar atrás.

Em resposta a pedido de esclarecimento do mediotejo.net, recebido no dia 15 de abril, a Assessoria de Direção da Tejo Ambiente refere que “a localização do Reservatório foi redefinida e será construído noutro local, embora, e por motivos técnicos, na mesma zona”, aproveitando para “agradecer a disponibilidade do Sr. Américo Marques Dias”, proprietário de terreno com quem terá sido acordado o novo local para a obra, situado a metros do cemitério.

A empresa explica que, com auxílio da Junta de freguesia, foram contactados vários proprietários de terrenos nas imediações para encontrar um novo plano, que agora se redesenhou.

No mesmo esclarecimento, a empresa intermunicipal contextualiza que em causa está a obra de “Empreitada de execução da ligação dos sistemas autónomos (em baixa) ao sistema de abastecimento (em alta) de Castelo de Bode, concelho de Mação”, que teve “início no dia 20-01-2023 e terminará no dia 14-05-2024, sendo financiada pelo POSEUR”.

“O projeto desta obra é da responsabilidade do município de Mação e foi revisto pelo Departamento de Engenharia da Tejo Ambiente, antes de ser lançado o concurso. Desta obra faz parte a execução de um Reservatório e uma Estação Elevatória de água junto ao Cemitério de Carvoeiro”, refere, indicando que “dando cumprimento ao projeto de execução, iniciámos os preparativos para a colocação deste Reservatório” com a obra adjacente ao muro do cemitério.

“A Junta de Freguesia local expressou a voz da população que representa, evocando a sensibilidade cristã e a salubridade associada à exploração futura da obra, pelo risco de contaminação da água a servir às populações, por via de estar localizado junto ao cemitério onde jazem corpos em decomposição. O Delegado de Saúde local reuniu com a Tejo Ambiente e expressámos que refutamos os motivos evocados, referentes à contaminação da água pelos lixiviados resultantes da decomposição dos corpos, pois tal não faz sentido”, adianta a empresa.

Recorde-se que, após queixa de cidadão ao Delegado de Saúde e ainda a contestação da população perante a localização escolhida pela Tejo Ambiente para construir um reservatório de água, em cima do muro que limita o cemitério da vila, o tema chegou à reunião de Câmara e à Assembleia Municipal de Mação, no final de fevereiro, com a junta de freguesia a expor publicamente a onda de contestação e a mostrar abertura para encontrar nova solução junto das entidades competentes.

Contactada pelo nosso jornal, a presidente de junta de Carvoeiro, Carla Martins (PSD), diz não ter até ao momento conhecimento dos novos desenvolvimentos e não ter tido qualquer contacto oficial por parte da empresa desde que fora dado um prazo, em março, para auxiliar na procura de proprietários com terrenos disponíveis para avançar com o estipulado em projeto.

Ainda assim, a presidente de junta admite que, confirmando-se esta nova localização, já seria do agrado da população, indo ao encontro das suas expetativas e serenando os ânimos exaltados na primeira tentativa desta obra.

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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