Depois de Nuno Barreta, vereador eleito pelo Partido Socialista, ter levado este assunto à reunião de Câmara de dia 27 de fevereiro, e se ter solidarizado com a população de Carvoeiro que está contra a obra da Tejo Ambiente junto ao muro do cemitério, também a presidente de junta de Carvoeiro, Carla Martins, levou tomada de posição à Assembleia Municipal e saiu em defesa da sua comunidade.
Carla Martins (PSD), presidente de junta da freguesia de Carvoeiro, levou o tema à Assembleia Municipal de Mação esta quinta-feira, dia 29 de fevereiro, referindo dar a conhecer a posição da junta de freguesia quanto a assunto que “está a preocupar a população”. Em causa, disse, está a construção de uma estação elevatória/reservatório de água junto ao cemitério de Carvoeiro.
“Consideramos que coloca em causa a saúde psicológica da população, que tem manifestado o seu desagrado de forma tempestiva e generalizada e que já levou a uma queixa por parte de um cidadão ao delegado de saúde. A nossa posição não pode ser outra a não ser manifestar-nos contra esta construção nesta localização”, defendeu a autarca.

“Isto tem preocupado bastante a população, apesar de se garantir o isolamento e segurança das infraestruturas impedindo qualquer contaminação da água com remanescências dos resíduos resultantes da decomposição de cadáveres”, salientou, perante os presentes, na sessão de Assembleia Municipal que decorreu esta quinta-feira na Escola-sede do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte.
A junta de freguesia indicou existir abertura para “achar uma solução mais viável com os responsáveis da obra”, desde que seja noutra localização.
Perante o exposto, Vasco Estrela (PSD), presidente da Câmara Municipal de Mação, fez um “ponto prévio”, referindo desconhecer “desde quando a construção está a iniciar-se”.
“Tive conhecimento dessa situação no dia 16 de fevereiro, através de uma mensagem de um cidadão do Carvoeiro e remeti essa mensagem para o diretor-geral da Tejo Ambiente que me respondeu em termos técnicos relativamente à mesma, garantindo aquilo que a sra. Presidente de Junta disse, que não havia problemas em termos legais e outros relativamente ao assunto”, começou por justificar.

Já na passada terça-feira, dia 27 de fevereiro, disse ter encontrado o diretor de produção da Tejo Ambiente, que admitiu já ter conhecimento da polémica que estaria a existir e que a Autoridade de Saúde já tinha entrado em contacto com a Tejo Ambiente, e que estariam a preparar resposta.
Vasco Estrela admitiu ainda ter o assunto sido levantado pelo vereador Nuno Barreta (PS) em reunião de Câmara, na tarde de 27 de fevereiro, e que a junta de freguesia terá também feito chegar uma carta com a sua posição perante esta construção, e manifestando-se do lado da população e solicitando à Câmara Municipal a tomada de posição relativamente ao assunto.
O presidente de Câmara assumiu que a autarquia “irá tomar obviamente essa posição, suponho que na próxima reunião de Câmara”, sendo certo que Vasco Estrela acrescentou ter falado novamente com o diretor-geral da empresa Tejo Ambiente, que iria reunir com o diretor de produção, “no sentido de tentar encontrar outra solução para amenizar a questão”.
“Penso eu que, havendo bom senso, poderá encontrar-se uma outra solução. Caso não dê, veremos como tudo isto vai desaguar. Obviamente estaremos, penso eu, do lado da população e tudo aquilo que pudermos ajudar a minorar a situação que foi criada, fá-lo-emos”, sublinhou.
O autarca não deixou, ainda assim, de lamentar que o tema tenha surgido tardiamente. “É pena que só tenhamos tido conhecimento desta forma e tão tardiamente, se calhar, provavelmente, teríamos feito as coisas de outra maneira”, frisou.

O vereador socialista, Nuno Barreta, já havia demonstrado solidariedade para com a população, uma vez que disse em reunião de executivo camarário, terça-feira à tarde, ter sido abordado por cidadão sobre esta obra e o transtorno que a população demonstrava quanto à sua localização.
Nuno Barreta disse deixar “uma palavra de solidariedade” para com a população de Carvoeiro, que estão “muito indignados com a construção pela Tejo Ambiente de um futuro reservatório de água, contíguo ao cemitério”.
“Percebo que tecnicamente possa ser viável ou ser aprovável a construção, mas se calhar, moralmente, eticamente, culturalmente seria de evitar a construção encostada ao cemitério”, notou, admitindo identificar-se com as razões apontadas pelos cidadãos daquela freguesia, entendendo que além da parte técnica, também deve ser avaliado o impacto social na decisão deste tipo de obras.
“Com tanto espaço que há no Carvoeiro, de certeza que havia 100 metros quadrados para fazer a obra noutro sítio”, acrescentou o vereador da oposição.
Na ocasião, em resposta à intervenção de Nuno Barreta, o presidente de Câmara explicou ter tido conhecimento da situação por mensagem enviada por cidadão, tal como explicou em sede de Assembleia Municipal, mas que as razões apresentadas se prendiam com a possibilidade de “haver algum problema com as sepulturas, algum escorrimento, e coisas do género”, ou seja, questões de ordem técnica.
Quanto à “indignação” da população, o edil disse que não lhe tinha sido transmitida, e que da informação passada pelos diretores da Tejo Ambiente a obra até teria sido pensada de modo a minimizar o impacto visual, baixando em altura a infraestrutura em causa.
O autarca disse ainda, em reunião de Câmara, que se teria de “respeitar a sensibilidade de todas as pessoas” se tal obra realmente estivesse a representar alguma ofensa à comunidade.
Em declarações, à margem da reunião, admitiu também “não ter sido tido nem achado quanto à questão técnica da obra”, mas que poderia haver “margem” da empresa intermunicipal em encontrar solução perante as reivindicações da população de Carvoeiro, apesar de a Tejo Ambiente lhe ter assegurado que “iriam acomodar a construção de forma a não causar nenhum impacto”.
