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Abrir o apetite é cristalina imagem de aperitivo, palavra que só se impôs enquanto sinónimo de bebida a tomar antes da refeição no século XI, no entanto, o homem desde a Antiguidade que extrai das plantas suculências a darem azo a bebidas as quais eram mais consumidas pelas suas virtudes terapêuticas do que no âmbito da gastronomia.

Os Romanos apreciavam vinho misturado com mel, na Idade Média surgiram os hipocrazes, os licores, os vinhos eivados de especiarias, amargos e os vinhos doces, além dos vermutes a outros aperitivos alcoólicos, desde aguardentes a águas de vida chamadas uísques e champanhes.

Sem qualquer espécie de surpresa o Larousse menager (1926),  anota uma receita mais salutar do que as alcoólicas, trata-se de antes das refeições se ingerir uma malga de caldo simples capaz de apaziguar a premência do alimento e preparar o apetite para acolher as pitanças subsequentes.

Caro leitor: os aperitivos fazem parte do nosso quotidiano, abundam as receitas nesta área de exaltação da sentença romana: em matéria de gostos nada está escrito, talvez por ser verdade gastar-se o amarelo (usar-se a cor amarela), recordo que em Portugal existem excelentes vinhos intranquilos (espumantes), as tais águas de vida, licores e vinhos generosos (lembro os mundialmente famosos Porto e Madeira) para se brindar nesta quadra de Festas que desejo que sejam felizes.

Vou brindar com um cálice de verdelho do Pico colheita de 1961 porque a última garrafa ainda contém o precioso néctar, enlevo dos czares russos.

Armando Fernandes

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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