Autarcas do Médio Tejo preocupados com deslocalização de aeronave de combate a fogos. Foto: CMS

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) garantiu que “em caso de necessidade” o helicóptero de combate a incêndios estará presente em Sardoal. A informação foi avançada pelo presidente da Câmara Municipal de Sardoal, Miguel Borges (PSD), esta quarta-feira, 5 de fevereiro, durante a reunião de executivo, após uma pergunta do vereador da oposição, Pedro Duque (PS).

Após a decisão governamental de retirar o helicóptero de combate a incêndios, até agora em permanência, do Centro de Meios Aéreos de Sardoal, até 15 de maio, Pedro Duque perguntou “em que medida é que esta saída tem a ver com o facto do heliporto não estar integralmente licenciado?”.

Miguel Borges negou que a decisão esteja relacionada com o licenciamento do heliporto, assegurando estar “autorizado para funcionar” até 2028. “Não há nenhum constrangimento”, afirmou o autarca.

A retirada do helicóptero do Centro de Meios Aéreos de Sardoal estará relacionada, segundo Miguel Borges, com “decisões erradas”, tendo avançado que o “novo presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil”, ou seja, José Manuel Moura, ligou-lhe dizendo ser “um processo que apanhou em mãos, não era dele – porque tem a ver com a contratação dos meios aéreos – e que não nos preocupássemos porque, havendo necessidade e se as condições climatéricas assim o obrigassem, não iríamos ficar sem helicóptero”.

Tal como já o havia feito anteriormente, o presidente voltou a referir que, até 15 de abril, “desde Santa Comba Dão e vai até ao Algarve” não há qualquer helicóptero de combate a incêndios florestais. Para Miguel Borges “a haver constrangimentos por questões legais, ou não, da permanência no heliporto, acho que esses constrangimentos nunca seriam sazonais, ou seja, os impedimentos, a haver, que não há – volto a dizer que o heliporto está autorizado para funcionar até 2028 – foi uma opção”.

Porém, admitiu que ” o número de ignições, ou o número de vezes que foi necessário o helicóptero levantar fora deste período foi residual. Mas eu pergunto: e quem é que garante que este ano vai ser assim? É essa a dúvida”, disse, “compreendendo que em 2024 as coisas correram bem”.

No entanto, em 2023, em abril, “o risco elevado e muito elevado de incêndio foi de 22 dias”. Ou seja, “o bom senso obrigaria que o helicóptero estivesse cá. Por isso, o heliporto está em condições de funcionar”.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE SARDOAL, MIGUEL BORGES

Recentemente foi anunciada a “descontinuidade” de uma aeronave em permanência no Centro de Meios Aéreos do Sardoal, fragilizando, segundo os autarcas do Médio Tejo, o combate inicial aos incêndios.

Miguel Borges, manifestando o seu desagrado com uma decisão tomada por um governo do seu próprio partido, indicou que o helicóptero só voltará para Sardoal no dia 15 de maio, onde permanecerá até dia 31 de outubro. A 15 de abril será colocado um helicóptero da Lousã.

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A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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