Autarcas do Médio Tejo preocupados com deslocalização de aeronave de combate a fogos. Foto: CMS

O presidente da Câmara de Sardoal alertou para “um retrocesso enorme” no que toca à Proteção Civil e ao combate aos incêndios no Médio Tejo, e não só, uma vez que até 15 de abril não haverá um único helicóptero de “Santa Comba Dão até ao Algarve”. Isto devido a uma “diferente estratégia” da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e do Governo em relação aos Centros de Meios Aéreos, ou seja, retirando o helicóptero em permanência do Centro de Meios Aéreos do Sardoal.

Recorda-se que “desde 2017, com a disponibilidade anual permanente, [o Centro de Meios Aéreos] permitiu ao dispositivo de combate a incêndios rurais responder com mais eficácia, nomeadamente nas fases com menos meios afetos, sendo fundamental não apenas para a região do Médio Tejo, mas para toda uma área incluída num raio de 40 quilómetros partindo do Sardoal” avançou recentemente a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, em comunicado.

Miguel Borges (PSD) considera esta decisão de “uma enorme irresponsabilidade”, que não teve em conta a opinião dos autarcas no terreno, uma vez que nem sequer foram ouvidos. “Não é assim que as coisas se tratam e esperemos que não seja necessária a utilização dos helicópteros “durante a primavera, afirmou, tendo recordado o seu lema ” preferimos pagar do que apagar”.

Recentemente foi anunciada a “descontinuidade” de uma aeronave em permanência no Centro de Meios Aéreos do Sardoal, fragilizando, segundo os autarcas do Médio Tejo, o combate inicial aos incêndios. Miguel Borges manifestando o seu desagrado com uma decisão tomada por um governo do seu próprio partido, indicou que o helicóptero só voltará para Sardoal no dia 15 de maio, onde permanecerá até dia 31 de outubro. A 15 de abril será colocado um helicóptero da Lousã.

“Uma decisão que pode ter consequências gravosas, não só para o Sardoal mas para toda uma região, porque este nosso helicóptero tem um raio de atuação desde o ponto onde está, o Centro de Meios Aéreos de Sardoal, até 40 quilómetros. Ou seja, há uma região que num raio de 40 quilómetros só a 15 de maio passa a ter helicóptero”, afirmou ainda o presidente lembrando que o mês de abril de 2023, por exemplo, “foi um mês severo”.

Para o autarca é inconcebível que exista, através dos meios municipais, “grandes investimentos” nos territórios “no âmbito da floresta, de contratação de homens, como vai acontecer, de contratação de meios e depois temos alguém que deveria ter um olhar completamente diferente, e no mínimo deveria olhar para aquilo que é o histórico, e desproteger toda uma região. É lamentável!”.

Miguel Borges já manifestou a sua “indignação” ao secretário de Estado responsável pela Proteção Civil e garante que se o mês de abril de 2025 “for o mês mau” saberá pedir responsabilidades a quem de direito, “doa a quem doer”. E espera que “ainda haja tempo de corrigir” esta decisão.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE SARDOAL, MIGUEL BORGES

Também a oposição de Sardoal, no caso o Partido Socialista, lamentou tal decisão governamental que pode colocar a região do Médio Tejo, durante o mês de abril, com menos meios de combate a incêndios rurais.

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A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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