Elisabete Paiva, diretora artística do Festival Materiais Diversos. Foto: Arquivo/mediotejo.net

O Festival Materiais Diversos, bienal de Artes Performativas, terminou este domingo em Minde, no concelho de Alcanena. A diretora artística Elisabete Paiva, em entrevista ao mediotejo.net, faz um balanço “muito positivo” desta 11ª edição, que decorreu de 05 a 17 de outubro no Cartaxo (na primeira semana) e em Alcanena e Minde (na segunda).

“Correu muito bem, tivemos uma forte adesão do público, com muitas iniciativas praticamente esgotadas. Já se criou uma comunidade em torno do festival, um sentido de pertença, de comunhão até, e muitos dos que acompanham há alguns anos o nosso trabalho mostraram-se também felizes com este formato que apresentámos. Regressámos aos encontros, sim, mas de uma forma tranquila”, com um “formato mais distendido, de pequena escala e proximidade, que privilegia os processos de criação em contacto muito próximo com as pessoas”, explica Elisabete Paiva.

ÁUDIO | ELISABETE PAIVA, DIRETORA ARTÍSTICA MATERIAIS DIVERSOS

“Esta oportunidade das reflexões diárias, através das conversas, das mesas longas”, depois das caminhadas, dos espetáculos ou da visita a instalações e exposições, “teve uma adesão muito grande”, talvez porque as pessoas estejam mesmo mais atentas e necessitadas destes espaços de reencontro e de pensamento e de conversa”.

O público viveu assim “uma experiência diferente de contacto com as Artes, que não é desligada de um pensar sobre o que é estarmos juntos hoje e depois de uma pandemia”, considera.

Para Elisabete Paiva a satisfação pelo trabalho apresentado, bem como o reconhecimento que vai sentido por parte de quem assiste aos espetáculos, é ainda maior pelo facto de considerar que “a relação do público português com as Artes ainda é muito frágil”.

O trabalho para a próxima edição, prevista para 2023, começa desde já. A tendência do Materiais Diversos tem sido essa, aliás: tem processos de pesquisa mais longos, dá mais tempo aos artistas para estarem com as pessoas a investigar, a discutir possibilidades. O público pode, aliás, ir sempre acompanhando essa preparação, seguindo por exemplo as residências artísticas que, no final, darão lugar a apresentações integradas no programa.

O financiamento não está garantido, assume a diretora artística. Vai sendo procurado pela associação ano a ano junto da Direção-Geral das Artes, das instituições europeias e das autarquias. Contudo, acredita que o “lastro muito positivo” deixado pelo festival junto de vários parceiros locais, desde escolas a coletividades, pode “levar ao encontro de visões e de expectativas”, além de sentir que existe uma postura positiva que pode ajudar o projeto a sedimentar-se e a aprofundar-se.

“Um festival com 10 anos em Portugal já tem uma história e já tem um corpo de trabalho reconhecível.”

*C/Lusa

Patrícia Fonseca

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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