Edifício foi inicialmente um "Preventório", destinado à luta contra a tuberculose. O acolhimento de crianças com a doença foi-o transformando numa colónia balnear para jovens carenciados Foto: mediotejo.net

O plano de atividades e orçamento para 2022 da AMVT – Associação de Municípios do Vale do Tejo foi à reunião de executivo de Alcanena no dia 10 de janeiro. Nenhum dos vereadores, numa sessão por videoconferência, adiantou muitos pormenores sobre o conteúdo dos documentos, mas foi manifestado tanto pelo executivo como pela oposição a expectativa que a reabilitação da Colónia Balnear da Nazaré possa avançar em 2022.

O primeiro a intervir foi Hugo Santarém (PS) lembrando que o executivo socialista teve, durante os últimos anos, uma postura “interventiva nesta matéria”, nomeadamente quanto à requalificação da Colónia Balnear da Nazaré para fins socais. “Esperemos que 2022 possa definitivamente marcar o arranque desta obra”, referiu.

A observação teve a concordância do novo presidente, Rui Anastácio (Cidadãos por Alcanena), considerando que a estagnação do projeto de reabilitação do edifício localizado na Nazaré (distrito de Leiria) é “algo que envergonha todas as Câmaras Municipais que estão ligadas a este processo”.

Adiantou também que já mencionara o caso com outros presidentes, esperando também que durante este ano o processo “possa vir a ser desbloqueado”.

A últimas notícias sobre a Colónia Balnear da Nazaré datam de março de 2020, quando, perante a ameaça de tomada de posse administrativa do edifício pela Câmara da Nazaré, a Associação de Municípios do Vale do Tejo avançou com algumas obras de reabilitação.

O edifício foi entaipado para evitar o perigo de intrusão, procedeu-se à limpeza de caleiras, reparou-se o telhado numa zona que tinha sido alvo de atos de vandalismo, foi feita alguma pintura. O grupo de municípios decidiu também abandonar os projetos mais ambiciosos e recuperar o edifício unicamente para a sua velha função de colónia balnear.

Colónia, situada numa zona nobre da Nazaré, ocupa uma larga fatia de terreno, com uma vista privilegiada sobre o mar, sendo que o município nazareno já manifestou por diversas vezes o seu interesse no património.

O crescimento turístico do concelho, assim como a necessidade de mais estacionamento, estão entre os motivos, mas também o facto da estrutura estar vazia há mais de uma década, já ter sido alvo de vários assaltos e a atrair a ocupação clandestina. Em suma, é um monstro arquitetónico do Estado Novo a degradar-se no coração da vila. 

A Associação de Municipais tem há vários anos o objetivo declarado e aprovado de reabilitar o edifício, mas o projeto tem-se arrastado entre ideias divergentes de utilização e busca de meios de financiamento. “Cada cabeça, sua sentença” (…) “Tem sido uma luta inglória” (…) “Sentimo-nos frustrados e também defraudados com a posição de cada Município” “andámos dois anos a enrolar com estudos, anteprojetos e projetos, que sabíamos à partida que não eram exequíveis”, desabafou em março de 2020 o presidente da Chamusca, Paulo Queimado, que também presidia a associação, numa referência ao velho projeto de transformar a Colónia num hotel e parque de estacionamento subterrâneo, que acabou por não reunir consenso.

Fez ainda notar que o terreno onde está implantada a Colónia Balnear está avaliado em 10 milhões de euros.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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