O XXXI Festival Internacional de Folclore de Alcanena subiu a palco na noite de quinta-feira, 26 de julho, frente à Câmara Municipal, com um espetáculo composto pelos ritmos e tradições culturais da Índia, Sérvia e Perú, além dos grupos portugueses. Histórias diferentes, estilos diferentes, ritmos e rostos diferentes, mostrando o que de mais belo e significativo compõe cada cultura é o que o folclore oferece a quem se debruça pelos seus múltiplos sentidos. O mediotejo.net falou com os três grupos internacionais e quis perceber o procuram transmitir aos espetadores e o pensam do folclore português.
Destacam-se pelos trajes multicolores e festivos, pela maquilhagem exuberante e pela beleza das suas dançarinas, contrastando com a rudeza e sobriedade do folclore português. A perspetiva não é bem nossa, parte de uma observação de Irena Djordjevic (secretária) e Radenko Maricic (diretor), do grupo sérvio KUD PKB Korporacije, quando questionados sobre como encaram o rancho folclórico nacional.
Numa conversa em inglês, com Irena a traduzir Radenko, destaca-se o quanto este é “interessante e tradicional, mais ligado à vida elementar do povo”. “É um espetáculo não tanto do palco, mas das pessoas”, simples na sua sobriedade e sem os elementos mais exuberantes, preparados para festival, do folclore sérvio.

O grupo integra, como os restantes, o 40º festival Danças do Mundo, organizado pela Casa da Gaia – Centro de Cultura, Desporto e Recreio de Argoncilhe, colaborador tradicional do município de Alcanena, que se encontra a percorrer festivais de folclore pelo país. A Portugal e ao município alcanenense, o KUD PKB Korporacije trouxe alguns exemplos das diversas danças existentes na Sérvia, ligadas ao grande número de minorias culturais e aos povos nómadas.
O folclore sérvio, explicam, está muito ligado à vida quotidiana da população, focando-se em palco os grandes momentos da vida: nascimento, casamento, morte, etc. “Representamos a nossa cultura e tentamos recriar as tradições dos nossos avós”, declararam Irena e Radenko, procurando assim preservar os traços culturais sérvios. A companhia possui sete grupos de dança folclórica, com participantes de todas as idades.

Um dos grupos que atraiu mais curiosidade foi o UTKarsh Dance Academy, chegado da Índia, pela segunda vez a apresentar-se no Festival Internacional de Folclore de Alcanena. A diretora, Behnaz Todiwala, explicou ao mediotejo.net que há 20 anos que a equipa percorre festivais internacionais, tendo já passado por vários países da Europa, Ásia e Américas.
“A Índia tem muitas culturas, é a unidade na diversidade”, referiu, “em poucos quilómetros muda a língua, a comida”, as tradições. A Alcanena o grupo trouxe assim apenas uma pequena amostra do que é o folclore indiano, nomeadamente o das tribos nómadas e da região do Rajastão. Não estamos a falar das danças de Bollywood, que exigiria um número muito maior de dançarinos, explicou a responsável, mas das danças tradicionais, com alguns elementos característicos, como chapéus e um cavalo de pano.
Para Behnaz Todiwala, o que mais a cativa nos festivais que tem percorrido nas últimas décadas é o facto de se realizarem sempre no interior dos países e não nas grandes cidades. “É nas aldeias que está a beleza de uma cultura”, salientou.

Também do outro lado do mundo chegou o grupo “Todas las Sangres”, do Perú, pela primeira vez no país e na Europa. David Vilckez Paredes e Nino Noteno, respetivamente porta-voz da delegação e diretor artístico, explicaram ao mediotejo.net que o folclore do Perú se divide por três zonas características: a costa, a selva e a serra. A equipa tem exibido alguns exemplos de cada tipo de dança.
“Folclore são os costumes de cada povo”, afirmaram ao mediotejo.net num diálogo em “portunhol” à boa maneira latina. As danças peruanas são “danças de enamoramento, de trabalho, agrícolas, religiosas, danças de rituais”, enumeraram, “todas transmitem uma mensagem”. “O nosso folclore é muito rico em gastronomia, música, dança, artesanato”, sem esquecer as cores e a variedade cultural.
Várias centenas de pessoas assistiram ao Festival Internacional de Folclore de Alcanena, que teve início com um desfile a partir da Escola Secundária de Alcanena. Para além do executivo municipal e presidentes de junta, esteve presente o primeiro Secretário da Embaixada da Índia, Ransraj Verma.

Em representação do concelho de Alcanena estiveram o Rancho Folclórico e Cultural do Covão do Coelho e o Rancho Folclórico de Gouxaria. O Festival contou também com a atuação do Rancho Folclórico os “Camponeses de Riachos”, de Torres Novas.
