A Câmara de Alcanena despoletou um processo de negociação de dois terrenos no local onde se situam prédios industriais devolutos e onde a autarquia quer implementar o projeto Couros, junto a uma das entradas da vila, e revitalizar a envolvente e a zona histórica. A aquisição dos 2.5 hectares representa um investimento de cerca de 600 mil euros.
Em causa estão dois hectares e meio cuja negociação formal foi assim despoletada na reunião camarária de 21 de novembro. O objetivo é implementar o projeto Couros, o qual “é no fundo reabilitar toda aquela baixa de Alcanena, renaturalizar uma boa parte daquela área (…) e ao mesmo tempo preservar ali alguns edifícios mais emblemáticos (…) onde queremos colocar uma incubadora e queremos também ter um projeto museológico associado aos curtumes, depois uma área mais ligada à economia”, explicou ao nosso jornal o presidente do município, Rui Anastácio (Cidadãos por Alcanena).
Para o efeito, a autarquia tem um grupo de pessoas convidadas que estão a definir os contornos do projeto ao mesmo tempo que o município enceta assim a fase de negociação dos terrenos, “no sentido de preparar uma candidatura no próximo ano para esse projeto, que é um projeto muito emblemático que irá mudar a face daquela entrada de Alcanena ao mesmo tempo que tem ali proximidade com o casco [histórico], onde nós já estamos a intervir num conjunto de imóveis”, sendo que um deles é um imóvel na Praça Marechal Carmona cuja obra vai começar no primeiro trimestre de 2023.
A autarquia pretende reabilitar uma série de imóveis no casco, sendo que “depois isto tudo se cose com aquela baixa de Alcanena cuja face nós queremos mudar, dar vida, reabilitar, devolver uma parte daqueles terrenos à natureza, uma vez que aquilo tinha ali linhas de água que estão debaixo de construções, portanto é uma reabilitação total daquela zona de Alcanena, a ver se voltamos a ter vida no casco histórico da vila”, disse o líder do município alcanenese.
O projeto ainda está em master plan, pelo que depois haverá ainda um estudo prévio, sendo que este é um projeto onde o município pretende inclusivamente “promover alguns encontros de reflexão, porque queremos que seja um projeto muito participado por todos nas escolhas que vamos fazer”, disse Rui Anastácio.
“À partida haverá uma primeira fase que implicará a demolição de uma parte dos edifícios, a prospeção arqueológica porque foi ali que nasceu a indústria de curtumes em Alcanena, e portanto iremos fazer sondagens também, porque há uma parte dos arranjos exteriores que aquilo poderá ser integrado na parte da museologia, o próprio espaço, e uma reabilitação mais simples, e depois haverá uma segunda fase para um projeto mais elaborado e com a reabilitação dos edifícios, portanto, digamos que estamos a iniciar o projeto neste momento”, detalhou ainda o autarca.
