Abrantes vai contar com uma nova residência de estudantes, a segunda na cidade, requalificando o edifício junto ao Liceu e que também serviu esse propósito no passado. Após uma candidatura aprovada ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) será atribuída uma comparticipação de mais de 2 milhões de euros num investimento global de 2,6 milhões de euros. À Câmara Municipal de Abrantes cabe investir nesta obra o valor de 591.647,60 €.
O presidente de Câmara, Manuel Jorge Valamatos (PS), referiu na reunião de executivo de terça-feira, 17 de setembro, que a autarquia foi notificada na sexta-feira anterior sobre a aprovação da candidatura ao PRR para criar uma nova residência de estudantes, conferindo uma comparticipação de 77,4% ao valor global de 2,6 milhões de euros.
Disse ser “com muito gosto que recebemos a aprovação desta candidatura e vamos reabilitar um edifício que estava abandonado há muitos anos e colocá-lo funcional e ao serviço da comunidade educativa”, começou por mencionar.
A nova residência terá que estar concluída até ao final do primeiro trimestre de 2026, data limite para a conclusão dos investimentos segundo o aviso de candidatura do PRR.
“Teremos com urgência de avançar com todos os procedimentos, incluindo a estabilização do contrato de comodato entre o Município e a Construções Pública, EPE, proprietária do
edifício”, pode ler-se em informação da autarquia.
A nova residência servirá alunos do ensino superior, ainda que o edil abrantino considere que tal não significa que “não possa acompanhar processos de outros níveis de ensino, é um trabalho que temos que fazer com o Politécnico de Tomar e com outras instituições do concelho”.
“Gostava de relembrar os comentários que foram feitos quando perdemos uma primeira candidatura a uma residência de estudantes para o centro histórico, para dizer que ainda bem que perdemos essa candidatura, porque também não fizemos muito para ela, fomos lá mas os níveis de comparticipação não têm nada a ver com estes 77%, nem têm nada a ver com esta pujança desta candidatura que agora fizemos. É bom termos memória e não se esqueçam, porque também está gravado, todos os comentários que foram feitos quando perdemos essa candidatura”, declarou.
“Perdemos essa candidatura porque fomos num processo ligeiro, com alguma intencionalidade, mas obviamente que estamos dentro dos assuntos e conversamos e percebemos o nível de entendimento e ficámos sempre à espera desta possível candidatura. Às vezes é preciso saber esperar, é preciso estar atento, é preciso compreender e conhecer todos os domínios das candidaturas nos diferentes panoramas de financiamento”, afirmou Valamatos, relativamente a críticas feitas no passado pela oposição.

O presidente da Câmara frisou que esta candidatura permitirá reabilitar um edifício devoluto há largos anos e que “ninguém sabia o que haveria de fazer dele”.
“Temos de ter essa capacidade de ver que vamos reabilitar um edifício que está devoluto e que nunca mais teria funcionalidade. As salas nos pisos inferiores ficarão reabilitadas para a escola, criando condições para que aquela escola, sobretudo no ensino das ares e da música, se possa potenciar mais”, disse, notando que se estará com este investimento a “otimizar as instalações ao serviço da residência de estudantes e da escola” e sublinhando ter o executivo municipal o foco “na valorização do ensino superior do concelho e na região”.
Recorde-se que a atual e única residência de estudantes localiza-se no centro histórico de Abrantes, com dois andares residenciais, um para estudantes do sexo feminino e outro para estudantes do sexo masculino, cada um com capacidade para 9 estudantes.
Sobre este facto, o vereador Vítor Moura, eleito pelo PSD, caraterizou como “importantíssimo” o feito que irá “requalificar o edifício que está a precisar ele próprio de intervenção, óptimo”; mas não deixou de alertar que os alunos serão mais que 50 e que “haverá uma seriação para se perceber quem pode para lá ir”.
Voltou à ideia que tem vindo a defender nos últimos meses, de que o quartel militar de Abrantes tem instalações disponíveis que poderiam ser reaproveitadas pelo município, nomeadamente para servir de residência para estudantes.

“Abrantes tem instalação para 540 estudantes, que são dez vezes mais. No quartel militar. Os quartéis e outras instalações públicas estão previstas serem ocupadas e por obra e necessidade e interesse manifestado pelas autarquias. Não é nada do outro mundo o que estou a dizer”, afirmou.
Por outro lado, disse que da sua parte “não há nenhuma desistência, como aqui foi dito, do interesse pela ESTA”.
“Nunca vos acusei de falta de interesse em resolver. Planos estratégicos estruturantes para a cidade, competência para os levar por diante, fazer boas opções quando se gastam milhões… isso é outra história”, concretizou.
Autarca diz não desistir da ESTA e que a escola “tem mais alunos do que alguma vez teve”

Após a discussão e reflexão, na reunião de Câmara, do dia 3 de setembro, sobre o número de alunos, as colocações e oferta formativa da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, polo do Instituto Politécnico de Tomar, o presidente da Câmara trouxe novos dados após ter conversado com a administração daquela instituição.
Manuel Jorge Valamatos disse ter contactado com João Coroado, presidente do IPT, e ter-se colocado “à disposição para fazer tudo o que seja possível para dinamizar a nossa escola, para alavancar o dinamismo da nossa escola”.
“Aquilo que eu percebi do sr. presidente do IPT foi que a ESTA tem mais alunos do que alguma vez teve. Mas está dividida em três núcleos, no Jardim da República, onde é a sua casa-mãe, mas depois está no Parque de Ciência e Tecnologia e está no Edifício Milho; parte muito até a relação entre os próprios alunos que até nem se cruzam e nem se conhecem. Temos três edifícios a funcionar ao mesmo tempo e os alunos estão desgarrados. E às vezes dá sensação que temos menos alunos do que já tivemos alguma vez”, começou por indicar.
“Temos o maior número de alunos de sempre. Perguntei ao presidente do IPT, anunciei-lhe que tínhamos aprovada a candidatura para a residência de estudantes, e o sr. presidente disse que estamos a fazer o que temos de fazer para os ajudar”, notou.
Manuel Jorge Valamatos continua a defender e a ter esperança no financiamento comunitário por via do Fundo de Transição Justa para garantir a construção das novas instalações da ESTA no Parque de Ciência e Tecnologia, lembrando que o projeto está concluído e que só falta lançar a empreitada.
“Queremos que o Governo e que as entidades que gerem fundos comunitários, nomeadamente a Comissão Europeia, estejam atentos a estas nossas necessidades e nos possam ajudar”, afirmou.

Quanto à informação disponibilizada pela presidência do Politécnico de Tomar relativa às entradas de novos estudantes da ESTA, leu nota enviada pelo presidente do IPT que dizia que “a situação está a decorrer normalmente, o que indica que vamos obter os resultados similares a anos anteriores no que respeita às licenciaturas. Relativamente aos cursos TeSP, estamos a registar um ligeiro crescimento. Acrescento que temos várias novas formações de curta duração, microcredenciações, que estamos a lançar também na ESTA”.
Segundo a informação facultada, foi confirmado que a ESTA tem quatro cursos de licenciatura com candidaturas abertas para o ano letivo de 2024/2025, desde Computação e Logística, Comunicação Social – Jornalismo e Comunicação Empresarial, Engenharia Mecânica e Informática e Tecnologias Multimédia. Junta-se ainda os TeSP, sendo que a ESTA tem cinco cursos disponíveis.
“De acordo com os números divulgados da DGES, no âmbito do concurso nacional de acesso, o curso de Licenciatura em Comunicação Social – Jornalismo e Comunicação Empresarial preencheu a totalidade das vagas disponíveis, enquanto que os restantes cursos registaram um número baixo de estudantes colocados, semelhante aliás aos anos anteriores. No entanto, de acordo com o histórico e com informação relativa às candidaturas aos concursos especiais a decorrer, somos a prever que todos os cursos preencham as vagas em conformidade com o tem acontecido nos anos anteriores. No ano letivo passado a ESTA apresentou uma taxa de ocupação de 90%”, deu conta o autarca.
“Informamos também que as vagas disponibilizadas para os cursos TeSP estão no final da segunda fase com mais de 70% das vagas preenchidas, estando atualmente a decorrer a terceira fase que termina a 2 de outubro, e cuja perspetiva é o preenchimento de todas as vagas disponíveis”, terminou Manuel Jorge Valamatos, lendo a informação contida na resposta do presidente do IPT, instituição que faz a gestão da ESTA.

Perante estes factos, o presidente de Câmara foi taxativo. “E aquilo que eu pergunto é: depois desta notícia de uma residência de estudantes, de um investimento de 2.6 milhões de euros, depois de termos o projeto e estarmos em vésperas de lançar a nova ESTA… Não estamos a fazer tudo o que é possível para ter uma escola capaz, arrojada, dinâmica? Julgo que sim. Temos a consciência que sim”, afirmou.
De todo o modo, voltou a dizer que à autarquia não cabe “a parte científica e pedagógica” que “é da competência, e sempre foi, da direção do IPT, e ficamos obviamente com este sentimento de que tudo estamos a fazer para que as coisas possam transformar-se cada vez melhor no nosso concelho e na nossa região ao nível do ensino superior”.
“Se até agora, com as condições que temos, temos uma Escola que vai conseguindo preencher as vagas. Se temos uma escola com mais alunos do que nunca. O que é que acontece com uma residência com mais 54 camas, e o que é que acontece com uma ESTA nova, capaz de responder aos desafios do presente? Vamos desistir? Não, não contam comigo para desistir”, afiançou, determinado.
O autarca socialista, também presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, defendeu ainda a importância do ensino superior na região como forma de alavancar o seu desenvolvimento e tornar o território mais competitivo.
“Contam comigo para continuarmos a trabalhar de forma determinada e articulada com as diferentes instituições para que cada vez mais o nosso território seja mais competitivo. Julgo que é decisivo o ensino superior para a competitividade dos nossos concelhos e das nossas regiões”, disse.
Neste ponto, Vasco Damas, vereador eleito pelo ALTERNATIVAcom, disse estar “totalmente de acordo em relação à importância da ESTA no seu contributo para o desenvolvimento da cidade e do concelho”, mas admitiu que o movimento espera mais da instituição de ensino superior.
“Aquilo que gostávamos de ver no futuro era a ocupação de mais vagas na primeira fase de candidaturas, mas acreditamos que os investimentos em curso podem ter essa indução positiva”, assumiu.
Já Vítor Moura (PSD) manteve a sua convicção, algo que já demonstrou em reunião de Câmara anterior ao fazer análise da primeira fase de concurso nacional de acesso ao ensino superior em Abrantes. O vereador frisou que “não me interessa só dizer que a ESTA tem muitos alunos. Há coisas que para nós são importantíssimas: o rigor, a qualidade. O fundamental”.
“E a nossa escola, além de um curso das 4 licenciaturas que tem, o desinteresse é generalizado ao longo de anos. Sabemos isso, está nos dados estatísticos. Quando vem a primeira fase é quando o aluno por sua iniciativa exclusiva diz ‘eu gostava de ir para a escola tal’, e para a Escola de Abrantes não. Isto é indesmentível, podemos estar aqui a discutir este assunto o dia inteiro mas esta é a realidade”, insistiu o social democrata.

Vítor Moura assumiu posição crítica e não ficou por aqui. “Neste país, nomeadamente também no IPT, faz-se o contrário. Vamos arranjar maneira de encher isto de alunos e ainda assim, mesmo no contexto nacional, o IPT no seu conjunto é daqueles que no país deixaram mais vagas por preencher. Não empolemos as coisas, não façamos aqui jogos. Porque há várias verdades que podem ser ditas sobre uma mesma realidade. Os senhores disseram uma, e eu estou a dizer outra. Nenhuma delas é falsa, e cada um analisa como entender. Agora desistir… não. Podemos falar de onde é que se devia fazer a escola, onde é que podemos deitar os estudantes…”, disse, voltando à ideia que tem defendido e sugerido ultimamente: o aproveitamento das instalações do quartel de Abrantes que diz estarem em desuso.
“Milhões e milhões de euros a apodrecer, sem manutenção e a degradar-se no país, em instalações, sobretudo as militares, e as câmaras andam a investir tanto em requalificações para conseguir deitar os estudantes. O quartel de Abrantes tem capacidade para deitar 1000 pessoas. Mais até. Não chega a ter lá 100. Fiz as contas, tem lá 6 ou 7% do efetivo que cabe lá dentro. Imaginem!”.
“E a gente vai gastar dinheiro para deitar os estudantes e aquilo fica ali. Mas que país é este? A Europa que manda para aqui esses milhões todos, será que nessa Europa de onde vêm esses milhões se trabalha assim? Se gere assim as coisas? Mas que país é este, que políticos são estes? E eu sou muito exigente com o governo atual, ajudei a pô-lo lá, avisei há meia dúzia de meses atrás que seria o nosso primeiro ministro a estar naquele cargo, pessoalmente avisei-o que era dele que eu esperava muito”, criticou o vereador social democrata.

Até que enfim chegam a uma conclusão da nova residência! Ainda pensei que isto era para um lar da terceira idade! Aproveitem estes fundos .