Jardim do Castelo em Abrantes. Créditos: CMA

A vereadora Ana Oliveira (PSD) chamou esta terça-feira a atenção para o estado de conservação do Jardim do Castelo, em Abrantes, considerando que o vídeo promocional recentemente divulgado pelo município abrantino nas redes sociais não corresponde à realidade encontrada por quem visita o espaço.

Durante a reunião do executivo municipal, a eleita social-democrata começou por reconhecer a qualidade do vídeo de promoção, mas afirmou que “quem vir o vídeo e depois for visitar o Jardim do Castelo vai ter uma deceção gigante”.

Ana Oliveira disse ter fotografias que ilustram o estado do espaço e apontou diversos problemas, referindo a falta de iluminação, equipamentos destruídos, bancos partidos, casas de banho vandalizadas e deficiências ao nível da segurança.

ÁUDIO | Vereadora Ana Oliveira, eleita pelo PSD

“Tenho aqui algumas fotografias que lhe posso também partilhar do estado lastimável em que o nosso Jardim do Castelo se encontra. São alguns exemplos… Não há iluminação, está tudo destruído, não há condições de segurança para as pessoas poderem caminhar. As sarjetas estão partidas, facilmente uma criança ou uma pessoa mais idosa cai e se vai aleijar. Os bancos estão todos partidos, as casas de banho estão todas destruídas”, afirmou.

“Aquilo que eu pergunto é se, sendo um ex-líbris da nossa cidade, estando a Câmara Municipal a apelar para que a população possa visitar o Jardim do Castelo, será que nos orgulhamos do estado em que este jardim está?”, questionou, apelando ao executivo para que seja dada atenção ao espaço “no sentido de dignificar a nossa cidade”.

À margem da reunião, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, respondeu que o Jardim do Castelo continua a ser “um espaço do qual nos orgulhamos imenso”, mas recordou que o local foi afetado por dois fatores distintos: os efeitos da depressão Kristin e o vandalismo.

Derrocadas em Abrantes fecharam jardim do castelo. Foto: CMA

O autarca explicou que as chuvas persistentes provocaram inclusivamente o desabamento de parte da muralha do castelo, situação que obriga a uma intervenção tecnicamente exigente, articulada com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) e com especialistas na conservação do património.

“Estamos a trabalhar para que consigamos desobstruir a via de forma técnica e de forma responsabilizada”, afirmou. Apesar da derrocada, o Jardim do Castelo já foi reaberto ao público.

A zona diretamente afetada pelo desabamento da muralha encontra-se, contudo, vedada com fita de sinalização, impedindo o acesso por razões de segurança, enquanto decorrem os procedimentos técnicos e os trabalhos necessários à estabilização e recuperação daquela área.

Foto: mediotejo.net

Recorde-se que o Jardim do Castelo foi encerrado preventivamente, depois de uma derrocada de parte da muralha, na sequência das fortes chuvas provocadas pela depressão Kristin. A circulação pedonal junto ao monumento foi interrompida por razões de segurança.

Além dos danos provocados pelas intempéries, Manuel Jorge Valamatos referiu que o espaço continua a ser alvo de atos de vandalismo frequentes.

ÁUDIO | Manuel Jorge Valamatos, presidente da CMA.

“Temos algumas situações de vandalismo que temos anunciado em vários momentos, nomeadamente as casas de banho, que são vandalizadas com frequência, os muros que são vandalizados, mas nós queremos repor o funcionamento do nosso jardim na sua plenitude o mais rápido possível. Estamos a trabalhar nisso”, garantiu.

Questionado sobre o ponto de situação da instalação do sistema de videovigilância, o presidente da Câmara voltou a lamentar a demora do processo.

Foto: Pixabay

“Tem sido um processo extremamente demorado, mais do que aquilo que é aceitável. Se quer que lhe diga, acho que é tempo demais. Não conseguimos compreender porque é que, a partir de determinada altura, ultrapassa todos os limites do aceitável”, afirmou.

Valamatos disse que o município aguarda há meses pela conclusão dos procedimentos necessários para que a PSP possa instalar as câmaras, defendendo que o sistema é essencial para reforçar a segurança de quem frequenta o Jardim do Castelo e para dissuadir atos de vandalismo.

“Respeitando a intimidade de cada um e as questões da proteção de dados, parece que se defende mais a proteção de dados do que verdadeiramente a segurança das pessoas e do património público”, referiu, acrescentando que a videovigilância constituirá também “um importante auxílio à atividade profissional” da PSP.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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