Derrocadas em Abrantes fecham jardim do castelo e cortam passeio junto à ponte. Foto: mediotejo.net

“Temos dezenas de situações de aluimentos de terras, derrocadas em encostas, linhas de água, pontões e estradas. Há locais onde as derrocadas já aconteceram e outros onde podem ainda vir a acontecer, porque os terrenos estão muito ensopados e a chuva não para”, disse o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos.

Segundo o autarca, uma das situações mais preocupantes regista-se junto à ponte rodoviária de Abrantes, que liga as localidade de Barreiras do Tejo e Rossio ao Sul do Tejo, onde “foi a zona pedonal que cedeu” devido à derrocada de um talude num dos lados do acesso, a par da zona do Espinhaço de Cão, com a estrada a abrir e a fechar, ao ritmo dos aluimentos de terras para a via, sendo ambas as situações da responsabilidade da IP.

“É uma situação do âmbito da Infraestruturas de Portugal (IP), que tem vindo a monitorizar e a implementar medidas preventivas para evitar que a barreira possa ruir totalmente. Para já, foi interditada por precaução a passagem a peões naquele passeio”, indicou, relativamente ao passeio pedonal.

Valamatos assegurou que não existe, para já, qualquer indicação de risco para a estrutura da ponte ou para a circulação rodoviária, estando em causa “verdadeiramente o passeio, a zona pedonal”, cuja estabilização é considerada importante para evitar agravamentos.

Contactada pela Lusa, a IP indicou que, “na zona do aterro de aproximação à Ponte de Abrantes, foi identificado um deslocamento localizado do conjunto lancil/passeio, não tendo sido detetadas anomalias no pavimento”.

Derrocadas em Abrantes fecham jardim do castelo e cortam passeio junto à ponte. Foto: mediotejo.net

A IP adiantou que a situação “tem sido acompanhada de forma contínua, não tendo ocorrido qualquer deslocamento adicional nos últimos dois dias”, estando prevista “a selagem da fissura existente entre o pavimento e o lancil, com a devida proteção do local, por forma a impedir a infiltração de água na área afetada”.

“A situação continuará a ser monitorizada e, caso se justifiquem, serão adotadas medidas complementares”, acrescentou a IP.

Na EN2, na zona conhecida como Espinhaço de Cão, a circulação voltou a encerrar ao trânsito esta sexta-feira à noite, por questões de segurança, informou o município.

“De acordo com decisão da Infraestruturas de Portugal, entidade gestora da EN2, o troço entre a Rotunda do Olival e o cruzamento com a Avenida Dr. Francisco Sá Carneiro (avenida do Ciclo) está novamente encerrado ao trânsito por questões de segurança. Amanhã [sábado] serão reavaliadas as condições de segurança por parte das IP”, indicou.

Chuva persistente dos últimos dias continua a provocar aluimentos de terras. Foto: JM

Outra ocorrência recente verificou-se no castelo de Abrantes, onde a queda de parte da muralha levou ao encerramento do jardim da fortaleza na segunda-feira.

Em nota informativa, a Câmara de Abrantes indicou que, “devido à queda de parte da muralha do Castelo, foi decidido encerrar o Jardim do Castelo”, apelando ao respeito pela sinalização colocada no local.

O autarca explicou que o encerramento foi decidido “apenas por questões de segurança”, para evitar qualquer acidente com visitantes, numa altura em que os solos saturados continuam a potenciar derrocadas e aluimentos um pouco por todo o concelho e sub-região do Médio Tejo.

Derrocadas em Abrantes fecham jardim do castelo e cortam passeio junto à ponte. Foto: CMA

Valamatos referiu ainda que há várias estradas condicionadas no concelho devido a derrocadas, nomeadamente a via entre Constância e Martinchel, e alertou para os riscos associados aos terrenos encharcados após vários dias de chuva intensa e persistente.

A descida acentuada dos caudais do Tejo indica que o pior das cheias e do mau tempo poderá já ter passado, mas a chuva persistente e solos saturados mantêm o Plano de Emergência de Cheias em alerta vermelho, indicou a Proteção Civil.

A passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta em Portugal provocou a destruição de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, além de 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo têm sido as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

c/LUSA

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