A Câmara de Abrantes vai apresentar o projeto de reconversão do antigo Mercado. Foto: Jéssica Filipe/mediotejo.net

O projeto de reconversão e requalificação do Mercado Municipal de Abrantes, antigo mercado diário, será apresentado na sexta-feira, 20 de setembro, no início da sessão da Assembleia Municipal, às 14h30. Tal foi anunciado pelo autarca Manuel Jorge Valamatos (PS), em reunião de executivo, tendo adiantado que a apresentação será feita pelos responsáveis da Ordem dos Arquitetos e pela equipa projetista autora do projeto que venceu o concurso internacional em 2021.

Integrando os trabalhos desta sessão da Assembleia Municipal, aberta ao público, a apresentação do projeto de requalificação da antiga praça de Abrantes, será o cumprir de “compromisso assumido com os vereadores e com a comunidade”, segundo o edil abrantino.

“Não se trata apenas da requalificação do Mercado, mas de toda a zona envolvente, da ligação ao Vale da Fontinha, a reabilitação da própria rede viária, dos passeios,… Uma reorganização de todo o espaço envolvente, desde logo também a criação de um elevador externo desde o Vale da Fontinha até ao Largo 1º de Maio”, enumerou Manuel Jorge Valamatos, defensor deste projeto.

A apresentação integra o início dos trabalhos da sessão do órgão deliberativo, tendo o autarca relembrado aos vereadores eleitos pela oposição que tal sucedeu noutros momentos ao longo dos últimos anos, em que se fizeram apresentações de projetos importantes em Assembleia Municipal.

Segundo o presidente de Câmara será a Ordem dos Arquitetos a “apresentar todo o processo e enquadramento e os projetistas autores do projeto vencedor a apresentar as linhas gerais e alguma especificidade do próprio projeto”.

Projeto de reconversão do antigo Mercado Municipal de Abrantes. Fontes: OASRS/CMA

Falando de um “elemento de referência da cidade, uma estrutura que tem um espírito de lugar muito próprio”, Valamatos disse que “aquilo que temos defendido sempre e queremos continuar a defender é manter este espírito de lugar, aquela identidade, manter a fachada do edifício. Haverá explicações técnicas, o edifício subirá um bocadinho mas tem a ver com a sua funcionalidade, mas não há descaracterização desta lógica do espírito do lugar e isso é absolutamente relevante também para nós”, frisou.

“Estamos a cumprir com o que nos comprometemos”, sublinhou Manuel Jorge Valamatos, falando na criação de uma “nova linguagem de dinamismo do centro histórico”.

Após a apresentação deste projeto de requalificação e reconversão do antigo mercado diário de Abrantes, seguirá a tramitação habitual até ao lançamento de empreitada.

“Posteriormente, em reunião de Câmara, faremos os procedimentos de aprovação do projeto e de lançamentos das empreitadas. Gostaria de voltar a referir que no âmbito dos Investimentos Territoriais Integrados (ITI) temos o financiamento para esta grande obra. Por questões de timings de operação destas ações torna-se importante que andemos com os processos e possamos desenvolver todos os procedimentos tendentes à realização desta obra importante”, notou.

Foto: Jéssica Filipe/mediotejo.net

Refira-se que a Câmara de Abrantes lançou em dezembro de 2020 um concurso internacional para a reconversão do antigo mercado diário em pavilhão multiusos. Os interessados em participar tiveram 75 dias para concorrer à conceção do projeto para a obra, cuja construção fica a cargo da autarquia. O valor base, na altura, era de 2 milhões e 700 mil euros.

Foi anunciado em 2021 que a dupla de arquitetos José Maria Cumbre e Nuno Sousa Caetano venceu o concurso público internacional de conceção para a elaboração do projeto de reconversão em Multiusos do antigo edifício do Mercado Municipal de Abrantes, ao qual concorreram 53 projetos.

Segundo informou a autarquia, a proposta vencedora mantém e preserva as duas fachadas principais do edifício. Tendo sido aprovada por maioria pelo anterior executivo camarário, com votos favoráveis do PS e PSD e voto contra do BE, propõe um espaço aberto para a realização de eventos, uma praça exterior, zonas pedonais e acesso facilitado ao edifício e à entrada no centro histórico da cidade por elevador, dotando-a de uma identidade urbana.

O trabalho de conceção classificado em 1º lugar foi desenvolvido para a concretização do projeto de execução, propondo a reconversão parcial e ampliação do edifício para funcionar como multiusos.

Prevê para o 1º andar, um espaço aberto (open space) vocacionado para a realização de eventos destinados a iniciativas dirigidas para o público jovem, mas também para eventos expositivos, colmatando a ausência em Abrantes de um espaço com essas condições. Esse espaço poderá acolher eventos como a Feira Nacional de Doçaria, feiras de artesanato e outras iniciativas para promoção das tradições da região ou eventos de cariz económico.

Uma praça exterior, confinante com a subida/descida da Avenida 25 de Abril, zonas pedonais acessíveis em redor do edifício, linguagem arquitetónica consentânea com o parque do Vale da Fontinha, facilitando a mobilidade no acesso ao edifício (elevadores) e a entrada no centro histórico da cidade, dotando-a de uma identidade urbana, são algumas das propostas.

O fecho e degradação do antigo Mercado Municipal e o investimento e construção do novo Mercado Diário a uns metros, não tem sido consensual entre a comunidade abrantina nos últimos anos, tendo inclusive gerado movimentos de defesa e apelo à preservação do edifício histórico do antigo Mercado Municipal, em concreto o grupo Amigos do Mercado de Abrantes também com participação de forças políticas como o PSD, ALTERNATIVAcom e Bloco de Esquerda.

Recorde-se que o novo mercado diário, situado entre o Largo 1º de Maio e a Rua Nossa Senhora da Conceição, um edifício com cinco pisos e que integra o Welcome center (loja de turismo e produtos locais), foi inaugurado no dia 25 de abril de 2015. Resultou de um investimento de 1,5 milhões de euros comparticipado a 85% por fundos comunitários.

Na reunião desta terça-feira, dia 17 de setembro, após anúncio sobre a apresentação do projeto de requalificação do Mercado Municipal, o vereador eleito pelo Partido Social Democrata disse ter duas “realidades completamente claras” sobre a requalificação do antigo Mercado diário, considerando que “Abrantes nunca mais terá um mercado diário, nem antigo nem o atual”.

Por outro lado, Vítor Moura voltou a defender a ideia do pavilhão multiusos, considerando que “o Mercado diário em Abrantes acabou”. Insistiu que Abrantes “vai continuar durante vários anos sem ter um pavilhão multiusos porque até há pouco tempo ouvimos aqui dizer que este projeto que vai para o antigo Mercado diário será o tal multiusos. É verdade que Abrantes devia ter um pavilhão multiusos a sério, do século XXI como têm alguns dos nossos vizinhos, e não vai ter”.

Mercado Municipal de Abrantes foi inaugurado em 1933. Créditos: mediotejo.net

“A Câmara socialista deixou chegar a antiga praça a um ponto tal que a ASAE não se limitou a dar um prazo, mas limitou-se simplesmente a encerrá-la tal o estado a que a deixaram chegar. Na altura puseram as vendedoras e interessados em sobreviver em instalações separadas, mas esse era o período para requalificação… não! Foi o período para dar uma machadada histórica numa muralha da cidade”, acusou o social democrata.

O vereador da oposição entende que o novo projeto até pode trazer “dinâmica”, e reconhece que “a própria Câmara tem tentado tudo, tem tentado dinamizá-lo, só que as decisões de fundo, as importantes, foram tomadas erradamente e agora acabou”, disse, considerando ainda que noutros municípios do país foram feitas intervenções em tempo útil, salvaguardando a função social e patrimonial destes mercados.

“Sabe-se que o que as tendências da grande distribuição no país, os hipermercados, o que fizeram aos mercados diários, e os municípios todos por este país fora têm tido uma dificuldade muito grande. Só que têm tido o mérito de, em tempo considerado útil, fazer requalificação que não desvirtue a função que esses mercados tinham, mas que traga agora novas valências que façam atrair as pessoas por outros motivos. Não fizemos isso em tempo útil no mercado diário, acabou. Não voltaremos a ter”, alertou Vítor Moura.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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1 Comment

  1. Pelas imagens está (vai ficar) bonito. A área envolvente parece ter um piso mais apropriado para peões e menos para os carros… Assim, a linguagem da Centenária, moderna e da “fresca Abrantes” ficará mais completa, com mais vocabulário, as suas principias artérias comunicarão melhor e mais facilmente. O Centro Histórico só terá lógica quando a mobilidade pedonal se faça de forma fácil e acessível para todos e o conjunto de escadas/elevadores, desde o Vale da Fontinha até ao Convento São Domingos (MIAA), são fundamentais.
    Votos de que o novo edifício tenha atividade social, cultural, económica ou desportiva durante todo ano e não apenas para feiras de doçaria e artesanato. Em vez de debates inúteis que se inicie o trabalho coletivo de pensar na melhor programação da agenda anual do futuro “multiusos”.

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