O grupo 'Amigos do Mercado de Abrantes' promoveu um “ato público simbólico de tomada de posição e compromisso eleitoral” relativamente ao futuro do edifício, no dia 1 de julho, junto ao antigo Mercado diário. Créditos: mediotejo.net

O grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’ promoveu no dia 1 de julho um “ato público simbólico de tomada de posição e compromisso eleitoral” relativamente ao futuro do edifício. A iniciativa, que decorreu junto ao antigo Mercado Diário da cidade, reuniu vários abrantinos em defesa da recuperação e devolução do edifício à sua função original, dois partidos – Bloco de Esquerda e Partido Social Democrata – e o movimento independente ALTERNATIVAcom. Ausentes estiveram a Coligação Democrática Unitária e o Partido Socialista que enviaram, no entanto, as suas posições à organização. O PS é o único partido que defende a reconversão do antigo Mercado num pavilhão multiusos. Todos os restantes defendem a reabilitação do edifício para que volte a ter as funções para as quais foi criado.

No dia em que se assinalou o 2º Aniversário da Manifestação das Flores no antigo Mercado diário de Abrantes e poucas horas depois de ser conhecido o projeto vencedor para a reconversão daquele espaço, a convite do grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’ as forças políticas do concelho produziram uma breve declaração pública sobre o que defendem para o futuro daquele edifício, “permitindo assim ao eleitorado abrantino fazer uma escolha informada sobre tão importante realidade da nossa cidade e concelho”.

O porta-voz do grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’, José Rafael Nascimento, começou por “agradecer e saudar a presença e o sentido democrático de quem aceitou aqui vir hoje, a fim de tomar posição pública e assumir, perante os eleitores, um compromisso relativamente ao futuro do Mercado Municipal de Abrantes”. E, para além dos cidadãos abrantinos que defendem a preservação do antigo Mercado Diário, estiveram presentes o BE, PSD e o movimento ALTERNATIVAcom. Ausentes estiveram a CDU e o PS que, no entanto, enviaram à organização da iniciativa as suas posições.

Em causa “o destino do antigo Mercado e o futuro do atual mercado diário, envolvendo dois edifícios: este, de onde o mercado nunca devia ter saído, e aquele, para onde o mercado nunca devia ter ido”, disse igualmente José Rafael Nascimento.

A causa dos Amigos do Mercado de Abrantes passa pela defesa de três exigências: A preservação integral do edifício do antigo Mercado, i.e., a rejeição absoluta da sua demolição (mesmo mantendo as fachadas); o regresso do mercado diário ao seu berço histórico, depois de requalificado com valências que gerem sinergias com o Mercado; e a dinamização do Mercado Municipal de Abrantes, como polo comercial, cultural e social da Cidade, em particular do seu centro histórico.

O grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’ promoveu um “ato público simbólico de tomada de posição e compromisso eleitoral” relativamente ao futuro do edifício, no dia 1 de julho, junto ao antigo Mercado diário. Créditos: mediotejo.net

O porta-voz afirmou que o grupo não é movido por “qualquer teimosia ou obsessão saudosista ou conservadora. Pelo contrário, somos abertos ao diálogo e defendemos o progresso e a inovação. O que nos move é o conhecimento e a consciência do inestimável valor histórico, patrimonial e identitário deste edifício e do seu enorme potencial para atrair clientes e visitantes, depois de renovado”.

Segundo José Rafael Nascimento “a polémica que rodeia o destino do Mercado Municipal de Abrantes e seus dois edifícios, deve-se, em nossa opinião, mais do que a incompetência, a falta de ética democrática e de respeito pela cidadania abrantina. Na verdade, tanto a decisão inscrita no PUA de demolir o antigo Mercado, como a de construir, há 10 anos, o atual edifício do mercado (popularmente conhecido por ‘bunker’, ‘mausoléu’ ou ‘mamarracho’ – uma obra de 1,5 milhões de euros, depois de uma derrapagem de 50%) e a de construir agora um novo multiusos neste local, sobre as ruínas do antigo Mercado (com o custo previsto de 2,7 milhões de euros, mas que poderá ir a 4), não foram [essas decisões, dizíamos] nem devidamente debatidas publicamente, nem sufragadas nas urnas com base em quaisquer programas eleitorais”.

Se tal tivesse acontecido, “ninguém questionaria a legitimidade democrática das decisões tomadas pela maioria autárquica relativamente ao Mercado e não haveria justificação para estarmos hoje aqui. Mas, como isto não aconteceu, entendemos que era imperioso convidar todas as forças políticas de Abrantes a clarificarem as suas posições e compromissos, permitindo aos eleitores votarem nas próximas eleições autárquicas de forma informada e consciente, como se quer em saudável democracia”.

Sobre as flores colocadas no mercado há dois anos – algumas delas ainda resistem – lembrou que o chefe do executivo municipal considerou essa manifestação “cidadã de afeto e patriotismo ‘extemporânea’ e afirmou que ‘as flores ficam muito mal no mercado, todas murchas, sem o efeito pretendido’. Nós achamos que o que fica muito mal no mercado é o seu indigno abandono e a injustificada e revoltante decisão de o demolir, mentindo-se descaradamente sobre a preservação das suas fachadas”.

ÁUDIO: AMIGOS DO MERCADO DE ABRANTES – JOSÉ RAFAEL NASCIMENTO

“Se convidam o PSD a discutir os interesses do antigo Mercado ou do atual, o PSD tem de estar presente porque é um tema caro a todos os abrantinos. Por isso mesmo, foi o PSD a primeira força política a insurgir-se contra a intenção do PS em demolir este antigo Mercado”, afirmou, por seu lado, Vítor Moura, candidato social-democrata à Câmara Municipal de Abrantes.

Sobre a reconversão do antigo Mercado em pavilhão multiusos, o candidato disse que “provavelmente prevalecerá a força da maioria socialista em Abrantes. Resta-nos chamar a atenção do povo de Abrantes para forma como o Partido Socialista nos governa, sobretudo para a força como o Partido Socialista gasta o dinheiro dos abrantinos, de todos os portugueses e dos cidadãos da Europa que normalmente nestes projetos concorre com a maioria do dinheiro que se gasta”, opinou.

Recordou o procedimento da ASAE e a decisão de encerramento do Mercado, “a machadada na muralha”, a demolição do “posto de turismo” e o atual a que “o PS abrantino chamou Welcome Center” e a decisão “dos nosso vizinhos” que relativamente aos antigos mercados “fazem bem diferente” citando como exemplos Chamusca e Santarém, concelhos que requalificaram os edifícios dos seus mercados “instalando áreas de restauração, áreas de lazer, área cultural”.

Vítor Moura notou que foram gastos 5 milhões de euros “para não termos mercado nenhum” porque, considera, fique o mercado diário no atual edifício ou no antigo “não vai sobreviver, e aqui com o projeto que parece que aí vem também não vai”, disse.

O grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’ promoveu um “ato público simbólico de tomada de posição e compromisso eleitoral” relativamente ao futuro do edifício, no dia 1 de julho, junto ao antigo Mercado diário. Créditos: mediotejo.net

Declarando que em Abrantes “temos de nos habituar a uma PSD diferente” garantiu que “em setembro vem um PSD diferente, os eleitores dirão se é para melhor ou para pior mas não vai ser igual […] nem me teria envolvido [na candidatura à Câmara de Abrantes] se fosse o PSD que tem sido muito mais ao lado do PS do que contra”.

Assegurou que o PSD “ficará atento” até pelo projeto apresentado pela executivo municipal esta quarta-feira 30 de junho. “Para quem prometeu manter a traça e as fachadas deste edifício histórico a que eu queria continuar a chamar praça de Abrantes, não há nenhuma coincidência […] aquela volumetria desvirtua completamente” o antigo Mercado diário. “O PSD estará sempre do lado do regresso do Mercado ao seu lugar original, requalificado com outras funções que até aqui não tinha”, concluiu.

ÁUDIO: PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA – VÍTOR MOURA

Também a convite dos ‘Amigos do Mercado de Abrantes’, o ALTERNATIVAcom reafirmou, ontem, a sua posição política e correspondente compromisso eleitoral relativamente ao futuro do Mercado Municipal de Abrantes.

O movimento independente defende “com toda a clareza que o edifício do antigo mercado coberto não deve ser demolido, mesmo mantendo as fachadas, que o mercado diário deve regressar ao seu edifício original, depois de renovado e requalificado, e que o Mercado Municipal de Abrantes deve ser competentemente dinamizado, com base numa estratégia eficaz de design, comunicação e marketing”.

A sua posição e compromisso afirma estar “a inexistência de dúvidas ou reservas fundadas sobre as condições estruturais do edifício do antigo Mercado e o conhecimento específico que possuímos em matéria de gestão comercial, tanto do ponto de vista técnico como de experiências bem-sucedidas com outros Mercados Municipais similares”, disse Vasco Damas, candidato pelo ALTERNATIVAcom à Câmara de Abrantes.

Lamenta “a posição autocrática, obsessiva e obstinada do executivo municipal do Partido Socialista, que sempre se recusou a consultar e debater livremente esta matéria – tão íntima e sensível – com a generalidade dos cidadãos, tomando inclusivamente decisões autárquicas que, apesar de legais, não têm sustentação em quaisquer propostas ou programas eleitorais sufragados nas urnas”.

Lamenta, igualmente, “a instrumentalização que o executivo municipal tem feito dos jovens abrantinos para justificar as suas más decisões nesta matéria, bem como os argumentos falaciosos que têm sido aduzidos sobre as necessidades e prioridades do investimento municipal, o destino alternativo a dar ao atual edifício do mercado diário ou a livre escolha pelos cidadãos dos locais onde efetuar as suas compras”.

ÁUDIO: ALTERNATIVAcom – VASCO DAMAS

O grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’ promoveu um “ato público simbólico de tomada de posição e compromisso eleitoral” relativamente ao futuro do edifício, no dia 1 de julho, junto ao antigo Mercado diário. Créditos: mediotejo.net

Do lado do Bloco de Esquerda, o vereador Armindo Silveira traçou o retrato histórico do edifício que foi “inaugurado a 1 de janeiro de 1933” e “alvo de uma requalificação estrutural em 1948. Essa requalificação que chegou até aos nossos dias, foi preconizada pelas mãos do arquiteto António Varela, um dos percursores do modernismo em Portugal e do engenheiro civil Jorge de Sena… sim, o poeta!”.

Acrescentou que no dia 30 de junho de 2021, “o executivo PS e o vereador do PSD deram mais um passo em frente na destruição do nosso património coletivo ao votarem favoravelmente, na reunião da Câmara Municipal de Abrantes, o relatório final do júri do concurso internacional de reconversão do edifício do antigo Mercado diário de Abrantes” sendo que o vereador do BE “mantendo a coerência” votou contra.

Armindo Silveira considera que “esta vontade do PS de Abrantes de deixar morrer o mercado diário e demolir o edifício já tem diversos precedentes. Talvez o mais marcante seja a recusa de avançar com obras a que a legislação obrigava quando alguns comerciantes se disponibilizaram para custear as mesmas. E, assim, para nossa vergonha coletiva, em 2010 a ASAE encerrou o antigo mercado diário”.

Mas “não ‘satisfeito’, o PS de Abrantes, em 2016, votou a favor da demolição do edifício. Algumas forças políticas e de cidadania uniram-se e propuserem a revisão do PUA para alterar a norma que estipula a demolição do edifício e a classificação de imóvel de interesse municipal. Novamente o PS de Abrantes votou contra e manteve a sua intenção de demolir o edifício do antigo mercado”.

Na sua intervenção, o vereador sublinhou que “o Património Municipal não é do PS mas sim dos abrantinos e abrantinas. Por isso, o BE considera ser necessário reforçar a luta para preservar o nosso património cultural material e imaterial sob pena de ambos morrerem ou ficarem na antecâmara da morte”.

Reafirmando a posição do seu partido “na defesa do património material, imaterial e natural pois faz parte do nosso ADN”, e reforça a exigência em três compromissos: “Proceder à revisão do PUA para retirar a norma que estipula a demolição do edifício; iniciar o processo de classificação de imóvel como de interesse municipal; preparar o regresso do mercado diário ao edifício original”.

ÁUDIO: BLOCO DE ESQUERDA – ARMINDO SILVEIRA

O grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’ promoveu um “ato público simbólico de tomada de posição e compromisso eleitoral” relativamente ao futuro do edifício, no dia 1 de julho, junto ao antigo Mercado diário. Créditos: mediotejo.net

José Rafael Nascimento leu ainda as posições da CDU e do PS, forças políticas ausentes do “ato público simbólico de tomada de posição e compromisso eleitoral” mas que enviaram as suas posições aos ‘Amigos do Mercado de Abrantes’.

A CDU declinou o convite para estar presente junto ao antigo Mercado diário, afirmando que “em relação à concentração para que nos convidaram, tento em conta que nos encontramos praticamente em pré-campanha eleitoral e que nos parece estar a haver aproveitamento político da situação por Entidade que se vai candidatar às próximas eleições autárquicas, a CDU Abrantes declina o convite”.

No entanto, lamenta que os agricultores tenham visto “o velhinho mercado tradicional encerrar por manifesta falta de condições e foram empurrados para um pseudo-mercado idealizado por uma maioria do Partido Socialista sem que tenha havido a devida auscultação à população, ou seja, dos verdadeiros interessados, os vendedores e os consumidores”, e que “é confrangedor entrar no edifício do atual Mercado Municipal e ver como está praticamente sem atividade económica, ou seja, sem vendedores e sem compradores”.

A CDU Abrantes defende, então, que “o antigo mercado seja reabilitado, volte a ter as funções para que foi criado e seja posto ao serviço de comerciantes, agricultores e pescadores, servindo o espaço igualmente como um ponto de encontro da população abrantina”.

Também o PS declinou o convite para estar presente, afirmando que “esta ação é completamente desajustada, tendo em conta o processo que se encontra a decorrer [nos órgãos municipais]” e que “o Partido Socialista de Abrantes, tal como todos os outros partidos ou movimentos, criará os seus manifestos eleitorais e fará a sua campanha eleitoral dentro dos moldes que entender conveniente”.

O grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’ promoveu um “ato público simbólico de tomada de posição e compromisso eleitoral” relativamente ao futuro do edifício, no dia 1 de julho, junto ao antigo Mercado diário. Créditos: mediotejo.net

Sobre o compromisso eleitoral a assumir quanto ao futuro do Mercado Municipal de Abrantes, defende-se que “a posição do Partido Socialista e dos seus eleitos relativamente a este assunto é a mesma que foi apresentada pela atual maioria do executivo da Câmara Municipal de Abrantes”, a saber: “Proceder à reconversão do antigo Mercado Municipal de Abrantes em edifício Multiusos, na perspetiva da sua reutilização ou adaptação como equipamento de resposta a uma nova realidade […] Um espaço que irá acolher desde feiras a congressos e até grandes concertos. Nesta reconversão, pretende-se preservar as fachadas principais e requalificar a área envolvente a este mercado”.

ÁUDIO – POSIÇÃO DE CDU E PS – LIDA POR JOSÉ RAFAEL NASCIMENTO

Mais afirma que “Abrantes possui um Mercado diário, com todas as condições exigidas por lei. Para que este, ou qualquer outro mercado, seja atrativo e dinâmico o que necessita efetivamente é de mais clientes e vendedores. É nisso que todos os eleitos do Partido Socialista acreditam e lutam diariamente”.

Finalmente, relembra que “existe o compromisso do sr. presidente da Câmara Municipal de Abrantes para que o projeto [do novo multiusos] seja apresentado e debatido pelos eleitos da Assembleia Municipal”.

VEJA AQUI O VÍDEO:

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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