Abrantes prevê menor quebra de azeitona que a média nacional. Foto: mediotejo.net

“Temos um cenário de menor quantidade de azeitona, mas, de uma maneira geral, o fruto está muito são e com bom rendimento, o que vai permitir compensar parte da quebra e manter um azeite de qualidade superior”, explicou.

A responsável atribui a quebra de 10% a 15% sobretudo a três fatores: “menor carga produtiva”, resultante do ciclo natural de alternância do olival tradicional, o “impacto residual da seca prolongada na altura do crescimento do fruto”, e a “redução de mão de obra em pequenas explorações” do olival tradicional.

“Apesar disso, comparando com outros anos de menor produção, este é um ano equilibrado. O fruto está são e o azeite está a sair aromático e frutado”, resumiu.

A nível nacional, a Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, que representa cerca de 70% dos olivicultores e lagares do país, confirmou à Lusa uma quebra média expectável “na ordem dos 20%”, segundo os dados atualizados esta semana, valor ligeiramente acima do que se verifica em Abrantes.

A diretora executiva da associação, Susana Sassetti, sublinha que o comportamento da campanha “varia muito por regiões”, mas a tendência dominante é de redução da produção, sobretudo no olival tradicional e de sequeiro.

“A seca do último ano, a irregularidade das chuvas e a alternância produtiva explicam grande parte da quebra. Em algumas zonas há um atraso na maturação e um fruto mais pequeno”, referiu.

Segundo a responsável, a produção nacional “não deverá repetir os níveis elevados” das melhores campanhas recentes, mas a qualidade “pode vir a surpreender pela positiva”, com boas perspetivas sobretudo nos lagares que estão a receber fruto mais verde.

O Norte do Ribatejo, onde predomina o olival tradicional, tem sido “uma das regiões mais afetadas” pelos constrangimentos climáticos, mas Abrantes está “entre as zonas onde a quebra é mais moderada”, confirmam os dados da Olivum.

Rita Marques reconhece que muitos produtores têm enfrentado “dificuldades acrescidas com mão-de-obra, custos energéticos e o adiamento das chuvadas”, mas destaca que a SAOV tem conseguido “manter estabilidade” devido ao acompanhamento contínuo aos olivicultores.

“Trabalhamos com os produtores todo o ano. Isso faz diferença na entrada do fruto. A nossa equipa técnica acompanha podas, tratamentos a pragas, o que se reflete na qualidade final do azeite”, acrescentou.

Em Abrantes, o lagar está a operar “a todo o vapor” e espera processar “um volume ligeiramente abaixo” do de 2024, mantendo a aposta na extração a frio e na rapidez entre a chegada do fruto e a moagem.

“O segredo é receber a azeitona o mais fresca possível, moê-la de imediato e controlar temperatura e oxigénio. A região tem tradição e bons produtores, e isso sente-se no azeite que sai daqui”, sublinhou a engenheira da SAOV.

Abrantes prevê menor quebra de azeitona que a média nacional. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | RITA MARQUES, ENGENHEIRA DE QUALIDADE DA SAOV:

A SAOV, fundada há mais de 20 anos em Abrantes, opera com cerca de 200 hectares de olival próprio e recebe fruto de aproximadamente dois mil hectares de produtores da região. A empresa atende tanto pequenos agricultores, que representam mais de mil clientes ativos, como grandes produtores do distrito e de outras regiões de Portugal.

O lagar da SAOV tem capacidade para processar até 400 toneladas de azeitona em 24 horas e armazenar quase 2 milhões de litros de azeite, contando com tecnologia de ponta para garantir extração a frio, controlo de temperatura e oxigénio, e manutenção da qualidade. A rapidez entre a colheita e a moagem é considerada o principal segredo para a produção de azeite aromático, frutado e estável.

Rita Marques salienta ainda o papel social da SAOV: “Muitos pequenos produtores entregam a azeitona e recebem de volta o azeite correspondente à quantidade processada. Esta componente comunitária é essencial para a preservação do olival tradicional”, declarou.

O lagar transforma várias variedades, desde a tradicional Galega até Cobrançosa, Picual e novas variedades de sebes como Arbequina e Koroneiki, conciliando métodos tradicionais com olivais mais mecanizados. A SAOV tem ainda forte componente de exportação, com cerca de 60% da produção destinada a mercados internacionais, sobretudo EUA, Brasil e norte da Europa.

A empresa orgulha-se do legado de Alberto Serralha, membro fundador e mentor do saber-fazer da SAOV, cujo conhecimento técnico e experiência consolidaram práticas de excelência na extração de azeite. Hoje, o lagar mantém capacidade de armazenar até 2 milhões de litros, processar 400 toneladas de azeitona em 24 horas e integrar continuamente inovação tecnológica e acompanhamento técnico para produtores.

Rita Marques confirmou ainda que a SAOV vai iniciar, em breve, a entrega de cerca de 80 mil litros de azeite aos pequenos produtores da região, garantindo que terão produto de qualidade para consumo próprio e comercialização a tempo do Natal. “É gratificante ver este ciclo completo, desde o olival até ao azeite na garrafa dos nossos produtores, especialmente nesta época festiva”, concluiu.

A nível nacional, a Olivum refere que a campanha está a decorrer “sem grandes constrangimentos” e que a indústria mantém “capacidade instalada e resposta operacional”, apesar das descidas na produção.

Os preços ao produtor deverão depender da evolução da campanha em Espanha, país que também enfrenta a probababilidade de quebra significativa este ano, em linha com Portugal, mas a associação prevê que a disponibilidade no mercado “permaneça controlada”.

Com uma quebra de 10% a 15%, Abrantes está, por agora, “acima da média nacional”, que se aproxima dos 20%, sendo um dos pontos positivos do Ribatejo Norte.

“A qualidade do fruto compensa a menor quantidade. No final, teremos um azeite equilibrado, verde e aromático, muito dentro do perfil que caracteriza esta região”, concluiu Rita Marques.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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1 Comment

  1. Excelente planta y compañeros de trabalho. Vengo desde Chile a ser parte de la producción.
    Equipos muy avanzados y gran cantidad de olivas a producción, sin duda será un éxito.
    Marcelo Arriagada-Almazarero Chileno

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