Muitos consideram-nos os “melhores gelados do mundo”. Todos conhecem a Gelataria Lis ou “os gelados do Paulo Dias”. Hoje esta loja-ícone da cidade de Abrantes comemora 40 anos de existência.
Paulo Dias, quase a fazer 83 anos, natural de Vila de Rei, e a sua esposa, Maria Idalina, abriram a Gelataria Lis a 8 de maio de 1976.
O mediotejo.net foi falar com os proprietários deste espaço numa conversa que decorreu na gelataria, num dia chuvoso, mas que nem por isso afastou miúdos e graúdos de saborearem os gelados.
“Isto começou porque eu vim de África com a família e, como muitos outros, viemos de lá sem nada. Foi a única coisa em que eu achei por bem investir, daquilo que já tinha conhecimento para fazer, e comecei”, refereo proprietário.
Foi em África que Paulo Dias aprendeu a arte de fazer gelados: “Ensinaram-me várias pessoas e ao longo dos anos fui-me aperfeiçoando.”
É no nº 58 da Rua D. Miguel de Almeida, no centro histórico da cidade, que há 40 anos Paulo Dias e a sua esposa servem gelados artesanais que são conhecidos em toda a região, tal como os seus croissants e batidos, que fazem parte das memórias de muitos que frequentaram (e frequentam) aquele espaço.
Mas são os gelados que ali levam muita gente e em dias de calor a fila de clientes estende-se pela rua e ocupa a estrada, com cada um à espera de escolher o seu gelado com um ou mais sabores.
Chocolate, baunilha, morango e limão são aqueles que, segundo Paulo Dias, se vendem mais, mas há muitos mais sabores à escolha: groselha, amêndoa, café, menta, mamão, papaia e canela, “uma criação do ano passado e faz lembrar o arroz doce”.
Paulo Dias não tem ideia exata de quantos gelados vende num dia de época alta, mas “são bastantes”.

Quando questionado sobre o sucesso destes gelados apreciados por muitos, Paulo Dias afirma veementemente: “Não lhe conto o segredo, mas digo-lhe que é natural, não leva corantes, nem essências. O que a fruta dá, é o que é o gelado.”
Quarenta anos são uma vida e é impossível não ter histórias para contar. “Apareceu aqui uma senhora há dois anos, com dois rapazes na casa dos 12 anos, e perguntou-me: “O Sr. Paulo não me conhece?”. Eu disse que não e a senhora explicou-me que era uma pessoa que frequentava muito esta gelataria há mais de 30 anos. Hoje mora em Lisboa, e num dia em que vinha do Porto, disse aos filhos que iam fazer um desvio para irem até Abrantes para conhecerem a Gelataria Lis, o espaço que a mãe frequentou nos seus tempos de adolescência”.
Paulo Dias diz que a sua casa (gelataria) “nunca foi uma Igreja, nem é hoje, mas respeitinho tem que haver”, recordando “uma vez em que estava um casal de namorados numa mesa de um canto e que começou nuns namoricos esquisitos…”
“Aqui dentro, não!”, disse-lhe Paulo Dias. E o rapaz respondeu-lhe: “Eu faço aqui, na China e onde eu quiser!” mas depois foi-se embora.
“Isto passou-se há uns 20 anos. Há dois anos, apareceu aqui um senhor que me perguntou “Não me conhece?” E pediu-me desculpas pelo sucedido, dizendo que na juventude se fazem coisas sem pensar. E depois disse-me: ‘Esta senhora que está aqui era a moça que estava comigo naquele dia. Hoje é minha esposa.’ Ainda vem cá de vez em quando dar-me um abraço”, recorda Paulo Dias.
E o futuro da Gelataria Lis? “Vou passar o negócio”, revela o proprietário. “Está quase, será muito brevemente. Vou ensinar a fazer os gelados como eu faço, só não iguais se não quiserem”, garante.
“Vou sentir muitas saudades”, desabafa, dizendo ter “muito carinho por todos os clientes”.

Como o tempo passa! O primeiro gelado que comi do “Paulo Dias” custou 17 escudos e 50 centavos, já lá vão 30 anos! Muitos parabéns!