Foto: mediotejo.net

O arranque do ano letivo 2024/2025 nas escolas de Abrantes fez-se sem sobressalto contando-se com um universo a rondar os 4091 alunos, número que segundo a autarquia poderá vir a a aumentar uma vez que “todos os dias surgem alunos novos”, numa realidade cada vez mais multicultural nos estabelecimentos escolares do concelho. Para já, a indicação é de que existem mais quatro turmas do pré-escolar e 1º ciclo, ou seja, mais alunos. Decorrendo as últimas fases de candidatura, a Escola Superior de Tecnologia de Abrantes conta já com mais de 253 alunos no ensino superior.

Do balanço apresentado, deu conta de estarem a terminar as fases de candidatura ao ensino superior, e por isso a Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA) contava já com mais de 253 alunos, número ao qual acrescerá os alunos Maiores de 23, “que vêm preencher ainda mais vagas”.

Fazendo uma relação quanto à organização do ano letivo e dos estabelecimentos escolares do concelho, referiu que nas Atividades de Apoio à Família, quanto às refeições escolares, “continuamos com apoio da nutricionista, com quem temos prestação de serviços para fazer este acompanhamento. À semelhança dos anos anteriores, há locais onde as refeições são confecionadas e transportadas depois para outros locais”, deu conta, referindo que da Escola António Torrado saem refeições para as escolas do Pego, Alvega, Mouriscas e Rio de Moinhos. Da Escola de Bemposta saem para as escolas básicas do Rossio ao Sul do Tejo, São Miguel do Rio Torto, Tramagal e para a Escola Octávio Duarte Ferreira, também em Tramagal.

No entanto, há confeção própria nas escolas básicas da Chainça, Maria Lucília Moita, Maria de Lurdes Pintasilgo, e nas escolas D. Miguel de Almeida, Dr. Manuel Fernandes e Dr. Solano de Abreu.

“O programa de fruta escolar continua ativo com fruta da época, também acompanhado pela nutricionista. O programa de leite escolar também continua, e é disponibilizado aos alunos leite branco simples, leite sem lactose e bebida vegetal”, notou a vereadora, referindo a diversidade de cuidados prestados também aplicada a este detalhe.

Lembrou que os transportes escolares são gratuitos fazendo.se não só através do serviço público de transporte de passageiros, mas também de alugueres de carrinhas e autocarros, e assegurado pelas juntas de freguesia, sendo que “todos carecem de passe”.

Quanto aos auxílios económicos, até terça-feira, dia 17, “no escalão A do pré-escolar e do 1º ciclo temos 266 alunos, e do escalão B temos 152 alunos”. No que toca à atribuição de bolsas de estudo, encontram-se “em fase de análise” para atribuição de cerca de 50 bolsas de estudo através da parceria com o Rotary Club de Abrantes, sendo 42 bolsas de estudo para residentes no concelho e duas designadas para alunos do concelho que pretendam estudar na ESTA.

Mantêm-se quatro bolsas de estudo para alunos de Ribeira Brava (Cabo Verde), tendo Celeste Simão lembrado a aprovação de novas bolsas de estudo a atribuir aos alunos do novo curso TeSP de Equinicultura e Atividades Hípicas da EPDRA – Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrates, em parceria com Politécnico de Santarém.

No que concerne às Atividades de Animação e de Apoio à Família (AAAF) e Componente de Apoio à Família (CAF), para o desenvolvimento de Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) lembrou a vereadora as parcerias estabelecidas pelo município com associações de pais, e também com o Orfeão de Abrantes e a Associação Crescer. “Todas as escolas têm associações de pais”, frisou a responsável.

Em traços gerais lembrou outros projetos em vigor, e que se têm mantido nos últimos anos, caso do projeto PEDIME, de combate ao insucesso escolar, promovido pela CIM do Médio Tejo.

Além disso inclui-se o desenvolvimento de um projeto de alimentação mais saudável, bem como o projeto Conhecer para Acolher em que “três animadores vão girar pelas escolas com os dois animadores de etnia cigana para apoio nos intervalos e nas horas de almoço, para fazer brincadeiras com os miúdos”.

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Celeste Simão lembrou a existência de uma Sala Snoezelen na Escola António Torrado, “onde é permitida a estimulação sensorial e diminuição dos níveis de ansiedade através do relaxamento, e que está disponível para as escolas e para as IPSS mediante agendamento”, incentivando à sua utilização.

Fez referência a novo projeto que irá arrancar no concelho, “Projeto Abrantes a Nadar”, dirigido aos alunos do 4º ano, que pretende dar oportunidade às crianças deste ano escolar de terem contacto com a natação e ganhando ensinamentos e capacidades que permitam evitar comportamentos de risco e também diminuir o risco de afogamento.

Prosseguem neste ano letivo os projetos em parceria com o Tagusvalley, caso do T-Code para as turmas do 3º, 4º, 5º, 6º, 10º, 11º e ensino profissional do concelho que visa promover o ensino de linguagens de programação nas escolas, bem como o projeto Atégina, que incentiva a economia circular, para alunos do 6º ao 11º ano.

Quanto aos profissionais da área da Educação, relembrou a receção aos professores, que incluiu sessão de boas-vindas e uma ação de coaching dinamizada por Nuno Pinto Martins.

Referindo-se ao pessoal não docente, fez notar que “temos assistentes operacionais acima do rácio daquilo que é estabelecido, estamos a assumir, e vamos negociar no âmbito da monitorização com a DGEstE – Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares”, não deixando de salientar as dificuldades em caso de ausência por baixas médicas.

“Há coisas que não podemos evitar, como os atestados médicos, aqueles atestados que trazem serviços melhorados para as pessoas. Uma pessoa tem direito a ficar doente, se fica doente hoje, não é substituída hoje… é aqui que entra a gestão das diretoras dos agrupamentos, que têm de fazer este trabalho e esta ginástica para conseguir ter uma cobertura total nas nossas escolas tendo em conta a realidade com que somos confrontados, de muitas nacionalidades e muitos alunos estrangeiros em que é preciso reforçar”, esclareceu.

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Celeste Simão deixou o desejo que, no futuro, o cálculo de rácios de pessoal não docente por número de alunos seja reavaliado por forma a permitir um acompanhamento mais efetivo.

“Esperemos que o Ministério da Educação, numa próxima revisão que faça dos rácios tenha isto mesmo em conta, nós não podemos estar a olhar só para os alunos como números, mas temos de olhar para eles como pessoas e que a especificidade dentro de uma escola já é tão grande e a diversidade é tão grande que é muito importante que esses rácios venham a ser definidos sob pena de não podermos dar toda a atenção que se quer dar a todos os alunos e a cada aluno em si. Espero muito que o Ministério da Educação tenha isto em consideração e quero crer que deve estar atento a todas as escolas do país e esperamos que isso venha a acontecer”, declarou.

“Temos mais uma turma de 1º ciclo na Escola Básica Maria de Lurdes Pintasilgo, mais duas turmas na Escola Básica Maria Lucília Moita e mais uma turma de Jardim de infância na Escola Básica de Bemposta. Isto significa muitos alunos”, concluiu.

Por sua vez, o autarca Manuel Jorge Valamatos também relevou o número de alunos nas escolas do concelho. “Temos muito mais alunos e mais salas a funcionar do que há uns anos atrás. Temos mais salas formais, mas temos muito mais alunos nas nossas escolas que nos obrigou inclusivamente, em S. Miguel do Rio Torto, tivemos de aumentar o refeitório em espaço rápido de tempo para responder a essa necessidade, tivemos que aumentar para o dobro. E estamos a reagir todos os dias a estas situações de aumento do número de alunos”, adiantou.

“Não são só alunos migrantes, temos muitos casais novos a regressar para a cidade, para o concelho, e temos muitas pessoas de nacionalidade portuguesa que vêm de outras regiões para Abrantes. Temos que ter isso bem presente. Obviamente que isso nos obriga a uma atenção redobrada. E obviamente que a tal Comissão de Acompanhamento do Processo de Transferência de Competências tem que estar também atenta a estas dinâmicas”, sublinhou.

“Só a título de exemplo, o novo curso da EDPRA em Mouriscas no âmbito do ensino superior teve uma procura absolutamente extraordinária de alunos e está a turma completamente cheia. Isto conta para a dinâmica das nossas escolas. Levámos o ensino superior pela primeira vez este ano 2024/2025 para a EPDRA. O CTesP ficou completamente preenchido, ultrapassando todas as expectativas. Isto valoriza as instituições, o território e o concelho”, destacou Valamatos.

Pegando nesta afirmação, gerou-se algum debate com a oposição até se perceber como estaria afinal o novo curso a correr e qual o estado de coisas na EDPRA, em Mouriscas. Vasco Damas, vereador eleito pelo movimento ALTERNATIVAcom, quis saber mais sobre o arranque do novo CTeSP Equinicultura e Atividades Hípicas da EPDRA em parceria com o IPSantarém.

A EPDRA, em Mouriscas, tem um novo curso de Equinicultura e Atividades Hípicas. Foto: CMA

Referindo-se ao facto de o autarca socialista ter dito que estaria “completamente cheio” o curso, o vereador indicou ter informação distinta. “Todavia, a informação que eu tenho, porque foi publicada a pauta definitiva pelo IPSantarém, é que das 25 vagas oferecidas houve apenas 15 candidatos e destes só foram aceites e colocados 11 (7 rapazes e 4 raparigas), sendo apenas dois residentes no distrito de Santarém”, começou por indicar.

“Como deve imaginar o nosso sentimento é, infelizmente, de surpresa e desilusão porque esperávamos números mais elevados”, assumiu Vasco Damas, deixando a “sugestão como oportunidade de melhoria, para que se melhore a comunicação e divulgação do curso em anos futuros”, entendendo que tal possa ter contribuído para a falta de procura desta nova oferta.

Por outro lado, quis saber o que se passa na EPDRA, dizendo que “enfrenta um problema de carência semelhante ao da ESTA em matéria de alojamento de alunos, sobretudo a partir do 2º ano dos cursos, o que poderá estar a comprometer a atratividade da escola entre outros fatores. A EPDRA apresenta uma das baixas taxas de utilização da capacidade instalada de alunos entre 31 e 39% de acordo com os dados que temos”.

“Foi equacionada requalificação do edifício da Casa do Povo de Mouriscas ou outra solução para esta finalidade? Pois na ordem do dia também vamos ter este assunto relativamente à Casa do Povo de Mouriscas, e poderemos também ter um conjunto de informações complementares relativamente à finalidade que o município pretende dar a este edifício”, quis saber.

Nesta discussão, o presidente da Câmara de Abrantes reconheceu alguma confusão da sua parte com o número de colocados, e partiu para algumas justificações. “Havia receio que houvesse poucas candidaturas. Passado uns dias já havia 15 candidaturas, e eu pensava que era para 15 alunos, meti na cabeça que já estava esgotado. Traremos a informação a seu tempo”, reconheceu.

Ainda assim, não deixou de considerar que o curso despertou interesse aos alunos. “Houve uma procura muito interessante e relevante para o curso. Continuaremos a fazer e a ajudar na promoção do curso e dos diferentes cursos existentes e da EPDRA sempre que isso nos seja solicitado e que seja oportuno”, assegurou.

EPDRA, na Herdade da Murteira, em Mouriscas. Foto: EPDRA

Quanto a ponto de situação da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, na Herdade da Murteira em Mouriscas, o autarca referiu-se a uma escola que “tem uma especificidade muito grande na sua gestão, desde logo porque nem no âmbito da transferência de competências esta escola entrou dentro do domínio da autarquia do ponto de vista do seu funcionamento. A escola ao longo de todos estes anos tem dado uma resposta sempre atempada a todas as necessidades, tem vários alojamentos para os alunos”, começou por dizer.

“Porventura também não conseguirá alojamento para todos os alunos, como nós na ESTA também não podemos ter a ambição de ter todos os alunos em residência de estudantes. E há muitos alunos que nem sequer precisam, e há muitos alunos que nem sequer querem. Não há nenhuma universidade no mundo em que todos os alunos estejam em residência de estudantes”, apontou Valamatos.

Por outro lado, deixou consideração também perante as últimas declarações do vereador do PSD, Vítor Moura, referentes à falta de alojamento para estudantes e à proposta para que pudessem ser alojados nas instalações do Quartel militar de Abrantes.

“Nós não deitamos alunos. Nós criamos condições excelentes para que os alunos estejam alojados devidamente e obviamente tenham as melhores condições, para que o seu processo ensino-aprendizagem se concretize da melhor forma”, terminou o presidente de Câmara de Abrantes.

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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