Central do Pego Foto: David Belém Pereira/mediotejo.net

O Município de Abrantes, através do Gabinete de Desenvolvimento Económico, vai iniciar esta quarta-feira, dia 6 de abril, um conjunto de reuniões que visam a articulação e coordenação de meios para a instalação do novo projeto da Endesa para a Central Termoelétrica do Pego. Manuel Jorge Valamatos, autarca abrantino, deu conta do cumprimento por parte da Endesa do previsto no caderno de encargos, nomeadamente com a constituição da sociedade comercial com sede social no concelho de Abrantes. O edil disse que, após primeira conversação telefónica, registou a intenção por parte da empresa em “colocar o epicentro da sua ação, no futuro, em Abrantes”. A expectativa reside na instalação deste projeto de 600 milhões de euros também como motor para a dinamização da economia do concelho e da região, com a intenção de instalação de novas empresas e projetos em setores emergentes, como a produção de hidrogénio verde.

Referindo-se ao concurso para a Central Termoelétrica do Pego que deu vitória à Endesa, Manuel Jorge Valamatos informou durante a reunião de executivo camarário que vão ter início esta quarta-feira, dia 6 de abril, as reuniões do Gabinete de Desenvolvimento Económico, que irá acompanhar o processo de instalação da empresa no concelho.

O presidente da Câmara deu conta de que a 1 de abril a autarquia recebeu a informação de que a Endesa Generation Portugal, sociedade que explora todo o negócio de produção elétrica da Endesa no país, será responsável pela implementação do projeto da Central do Pego e passou a estar sediada no concelho de Abrantes.

ÁUDIO | Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes

O autarca já teve uma primeira conversação telefónica com o representante da empresa, onde foi referida a importância atribuída ao projeto, “que os levou a movimentar o seu centro de gravidade para a Abrantes”, bem como a intenção de apontar todas as baterias para o seu posicionamento no concelho.

“É com grande expectativa que olhamos para a instalação” do projeto resultante do concurso, disse Valamatos. “Sabemos que na proposta estão cerca de 600 milhões de euros de investimento no nosso concelho, é de grande importância para Abrantes e para a região. É com grande expectativa que amanhã vamos iniciar as reuniões mais técnicas, de coordenação e articulação, em que o Município irá disponibilizar todos os seus mecanismos para que este projeto se possa concretizar o mais rápido possível”, explicou o autarca.

Reunião de Executivo na Câmara de Abrantes Foto: mediotejo.net

A autarquia espera que o projeto da Endesa possa ser um “motor de dinamização da economia local e regional, com os olhos postos no futuro, nas questões da energia verde e energias renováveis que integram um aspeto determinante para o futuro coletivo. Depositamos grande confiança que estes projetos possam arrastar também, neles próprios, novos investimentos para a nossa região e particularmente para Abrantes”, relevou o edil.

As reuniões vão, por isso, começar “a preparar o futuro e a implementação deste projeto tão relevante”.

No caderno de encargos, lembrou, consta um conjunto de obrigações para a empresa, caso da absorção de 75 trabalhadores para o início do projeto. “É com grande cuidado e atenção que vamos iniciar todas as articulações necessárias”, começou por indicar, acrescentando que “muitos dos trabalhadores em causa” serão “aqueles que deixaram de trabalhar com o encerramento da Central a carvão”, e a autarquia quer “acompanhar com todo o cuidado esta situação”.

Prevê também investimento no âmbito da investigação, ciência e tecnologia, ligado à produção de energia verde, estando em cima da mesa uma parceria com o Tagusvalley. “Vamos colocar o nosso Parque de Ciência e Tecnologia ao serviço desse mesmo projeto”, assegurou o edil.

De acordo com a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e após a adjudicação, a Endesa já cumpriu o requerido no concurso, nomeadamente a prestação da caução definitiva e garantias bancárias e a constituição da sociedade comercial com sede social no concelho de Abrantes.

“Isto é extremamente relevante para nós, pela importância que tem para a economia de Abrantes e da região”, sublinhou.

Central termoelétrica do Pego. Foto: mediotejo.net

A próxima fase é a atribuição da reserva da capacidade de injeção pelo operador da rede elétrica de serviço público, um processo que diz ser “administrativo” e que não se prende com o júri do concurso anterior.

Nesta fase a Endesa pode iniciar os procedimentos para desenvolvimento do projeto. “Estamos otimistas e queremos acompanhar o processo a todo o tempo”, afirmou o presidente da CM Abrantes.

Refira-se que o projeto da empresa espanhola combina a produção de energia solar, eólica e hidrogénio verde, e compromete-se com a criação de 75 postos de trabalho diretos, 12.000 horas de formação e apoio às PME para que integrem os seus projetos na região.

Neste sentido, tendo no horizonte a expectativa de dinamização da economia com a intenção de instalação de novas empresas e projetos em setores emergentes, caso do setor da canábis, produção de hidrogénio verde e instalação de painéis fotovoltaicos, o autarca lembrou que existem “mais dois grandes projetos” naquela zona do concelho, além do projeto da Endesa para a Central do Pego.

ÁUDIO | Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes

O Município pretende assim avançar com projeto para a zona industrial do Pego, tendo em conta as necessidades e o futuro. “Pretende-se definir e estruturar melhor uma zona industrial no Pego, capaz de acolher novas empresas e novos investimentos”, justificou.

Nesta medida, a Câmara Municipal vê nos apoios financeiros europeus do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no Portugal 2030 e Fundo para uma Transição Justa uma oportunidade para poder “alavancar e dinamizar” a economia, também no que toca a investimentos para melhorar o acolhimento de empresas.

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes. Imagem de arquivo: mediotejo.net

“Estamos muito atentos ao Fundo de Transição Justa como forma de compensação daquilo que foi a perda do funcionamento da Central a carvão e deste processo de descarbonização. É um programa ao qual temos de estar atentos na nossa especificidade local e regional”, acompanhando as intenções das empresas em se instalarem em Abrantes, dando “respostas locais a nível administrativo e técnico”, e agora a autarquia terá de acompanhar os processos de modo a garantir que esses investimentos se possam concretizar.

Quanto ao PRR, sendo de âmbito nacional, coloca o município na corrida “e em permanente disputa” com os restantes municípios, da mesma forma que sucede com o Portugal 2030, aqui focado noutras áreas, nomeadamente a Estratégia Local de Habitação, Educação e Saúde.

“O Município tem de criar as melhores condições do ponto de vista técnico para conseguir ter projetos e conseguir candidatar-se em diferentes áreas para o desenvolvimento que o concelho necessita. Por isso é importante reforçar os nossos gabinetes; temos mais competência e capacidade de realização de projetos, de dar resposta à nossa estratégia para os próximos anos e estamos muito atentos”, mencionou, dando conta do reforço das equipas do Gabinete de Desenvolvimento Económico e no âmbito da Estratégia Local de Habitação, além da aquisição de serviços externos para fazer face às necessidades desta “oportunidade única” criada para os próximos anos.

Também as exigências em termos de qualificação e formação da população perante os novos desafios colocados pelas novas áreas e indústrias emergentes representam uma preocupação para o futuro.

Freguesia do Pego vista de Abrantes. Foto: mediotejo.net

Manuel Jorge Valamatos referiu que a questão é relevante, pois atualmente “já se verifica dificuldade por parte das empresas em ter operacionais e técnicos especializados em diferentes domínios”.

ÁUDIO | Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes

“Vai ser um desafio do futuro, e temos vindo a apostar neste sentido. Caso da aposta na área profissionalizada na Escola de Tramagal, procurando especialização técnica em algumas áreas, como a metalomecânica. É isto que temos de continuar a fazer, com as nossas escolas, com as instituições que se relacionam com as empresas, caso da NERSANT, mas também o IEFP”, disse, notando que se pretende requalificar o polo do IEFP para dar outras respostas que não se conseguem dar atualmente.

O autarca notou que este é um trabalho de continuidade e de articulação entre as várias instituições, para conseguir “capacitar a comunidade” e “ter recursos humanos capazes de dar as respostas necessárias àquilo que pode vir a acontecer nos próximos tempos, que é um incremento da atividade e investimento industrial” no concelho de Abrantes.

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Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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